Leão XIV

Roma, ou talvez Jerusalém. E o Jubileu de 2033?

17/01/26

Embora o Papa ainda não tenha anunciado formalmente o Jubileu, tudo indica que o próximo Ano Santo ocorrerá em 2033, por ocasião do bicentenário da morte e ressurreição de Cristo. Nesse Jubileu extraordinário, Jerusalém merece atenção especial.

"Nosso olhar agora deve estar voltado para o futuro", disse o Arcebispo Rino Fisichella durante a conferência que resumiu o Jubileu de 2025, realizada na última segunda-feira. O prelado italiano descreveu o Ano Santo recém-concluído como uma espécie de "propedêutica", ou seja, preparação para o Jubileu extraordinário planejado para 2033. "Este Ano Santo marca o caminho para outro evento fundamental para todos os cristãos. Em 2033, celebraremos dois mil anos da Redenção, realizada por meio do sofrimento, morte e ressurreição do Senhor Jesus", explicou o arcebispo, que acaba de presidir seu segundo Jubileu, após o Ano Santo da Misericórdia em 2015-2016.

Questionado sobre os detalhes da organização do evento, o Arcebispo Fisichella manteve-se cauteloso. Enfatizou que esta era apenas uma das opções possíveis e que a decisão de convocar o Jubileu cabia ao Papa, que o faria por meio de uma bula indicativa definindo seu escopo. Sete anos antes do evento, era prematuro discutir um programa detalhado. O prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, fez coro com essa opinião, ressaltando, em coletiva de imprensa, que sua cidade não conseguia planejar projetos com tanta antecedência, em parte devido ao período eleitoral. Ao ser questionado sobre grandes investimentos, mencionou apenas de passagem a possibilidade hipotética de construir um "túnel sob a Via della Conciliazione".

De Roma a Jerusalém

Já na bula papal Spes non confundit, que anuncia o Jubileu de 2025, o Papa Francisco indicou o rumo da caminhada, enfatizando que "este Ano Santo conduzirá a outro jubileu fundamental para todos os cristãos" – o Jubileu da Redenção em 2033. "Estamos diante de uma caminhada marcada por grandes etapas, na qual a graça de Deus precede e acompanha um povo que caminha com zelo na fé, age com caridade e persevera na esperança", disse o Papa. Ele também se referiu ao Jubileu de 2033 durante encontros com sacerdotes da Diocese de Roma.

No entanto, não se sabe ao certo se Roma manterá o papel central que desempenhou durante o último Ano Santo. Até o momento, a única referência de Leão XIV ao Jubileu de 2033 diz respeito ao projeto de uma grande peregrinação ecumênica a Jerusalém, que ele mencionou durante as comemorações do aniversário do Concílio de Niceia, em novembro passado. Durante sua viagem à Turquia, Leão XIV convidou os líderes cristãos a "percorrerem juntos um caminho espiritual que conduza ao Jubileu da Redenção em 2033". Na ocasião, o papa americano-peruano falou da "perspectiva de retornar a Jerusalém, ao Cenáculo — o lugar da Última Ceia de Jesus com seus discípulos, do lava-pés e da descida do Espírito Santo no Pentecostes".

A Terra Santa poderá, portanto, tornar-se um dos principais focos do Jubileu de 2033. Alguns observadores consideram a possibilidade de se estabelecer uma Porta Santa em Jerusalém, embora ainda não se tenha definido uma localização específica. Localizá-la na Basílica do Santo Sepulcro apresentaria desafios logísticos e eclesiológicos significativos, uma vez que esta igreja é partilhada por várias denominações cristãs. Um local gerido diretamente pela Igreja Católica poderá revelar-se mais apropriado. Tal "regresso às origens comuns", contudo, teria um forte significado simbólico e poderia servir de incentivo ao apoio às comunidades cristãs na Terra Santa.

Um jubileu descentralizado?

A Porta Santa em Jerusalém poderia coexistir com a Porta Santa tradicional em Roma, aberta nas principais basílicas. Essa forma de descentralização é perfeitamente possível. Durante o Jubileu da Misericórdia, em 2015, a Porta Santa foi aberta em todas as catedrais do mundo. Como sinal de especial preocupação com as periferias, o próprio Papa Francisco abriu a Porta Santa na catedral de Bangui, na República Centro-Africana, poucos dias antes do início do Jubileu na Basílica de São Pedro, em Roma.

Existem, portanto, muitas soluções possíveis, desenvolvendo a estrutura proposta durante os jubileus extraordinários de 1933 e 1983, que também comemoraram a Redenção realizada por Cristo. O jubileu de 1983 deixou um legado particularmente visível: a Cruz da Redenção, então exposta na Basílica de São Pedro, foi oferecida por João Paulo II aos jovens e, desde então, tem viajado pelo mundo. Conhecida como a "Cruz da Jornada Mundial da Juventude", encontra-se atualmente na Coreia do Sul, em preparação para o encontro agendado para Seul no próximo ano.

O atual papa, ainda relativamente jovem, tem tempo para dar forma final ao Jubileu de 2033, que também dependerá da conjuntura internacional. Leão XIV, que terá 77 anos na época da abertura do Jubileu, será o quarto papa na história a vivenciar dois Jubileus. Seus antecessores foram Pio XI (1925 e 1933), João Paulo II (1983 e 2000) e Francisco, que instituiu o Jubileu da Misericórdia em 2015-2016 e abriu o Jubileu de 2025.

Edição Polônia

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