Como conviver com a fibromialgia quando todo o
corpo dói
10/01/26
Não
existe cura comprovada para essa doença misteriosa, mas há coisas que você pode
fazer.
A fibromialgia é uma síndrome difícil de
diagnosticar, pois é essencialmente um termo genérico para uma variedade de
sintomas simultâneos, porém aparentemente não relacionados. No entanto, quando
os sintomas persistem, geralmente chega o dia em que as peças do quebra-cabeça
se encaixam e tudo faz sentido.
Em sua fase inicial, pode ser confundida com outras
doenças, como hipotireoidismo, depressão, síndrome da fadiga crônica e outros
distúrbios que envolvem certo grau de dor difusa. Quando a doença é
identificada, geralmente você já passou por diversas clínicas com médicos e
especialistas e se submeteu a muitos exames sem resultados conclusivos. Ao
longo desse processo, você passou muitos dias se sentindo muito mal, alguns
dias sem conseguir sequer sair da cama.
Embora a fibromialgia apresente diversos sintomas,
o mais importante e reconhecível é a dor generalizada. É por isso que as pessoas
com a doença frequentemente sentem que todo o corpo dói, o tempo todo.
Outros sintomas incluem fadiga, insônia e rigidez
muscular matinal. Como se não bastasse, frequentemente surgem outros sintomas
secundários habituais, como dores de cabeça, inchaço, espasmos musculares,
problemas psicológicos como ansiedade e depressão e, no caso das mulheres,
menstruação dolorosa.
O diagnóstico geralmente é tardio, pois só é
confirmado quando todos esses sintomas já se estabeleceram como crônicos, ou às
vezes quando os sintomas pioraram ou surgiram novos problemas.
Outro motivo para a demora é que as causas da
fibromialgia são desconhecidas, e os médicos temem fazer um diagnóstico
precipitado. Uma consideração importante é que essa doença é mais frequente em
mulheres entre 20 e 50 anos de idade.
O Dr. Javier Rivera, especialista em fibromialgia
do Hospital Universitário Geral Gregorio Marañón, em Madrid, afirma que “o
evento mais importante dos últimos 20 anos foi o reconhecimento da doença,
enquanto que, há vinte anos, os pacientes eram rotulados como loucos,
histéricos e desequilibrados”.
As estatísticas confirmam que a fibromialgia é
geralmente uma doença feminina: afeta 20 vezes mais mulheres do que homens,
embora não se saiba exatamente porquê. Talvez a explicação mais lógica seja
concluir que se trata de um problema relacionado com hormônios, mas, por
enquanto, não existem conclusões científicas definitivas.
4 dicas para conviver
com fibromialgia
O primeiro passo essencial para aprender a conviver
com a fibromialgia, segundo especialistas, é aceitar que se trata de uma doença
crônica que inevitavelmente afetará alguns aspectos da sua vida. Apesar das
limitações que pode causar, existem estratégias que podem ajudar a suportar
essa doença e alcançar uma maior qualidade de vida. Aqui estão quatro delas:
1. É fundamental que a pessoa receba o atendimento
médico necessário, mas igualmente importante é que participe ativamente do
acompanhamento do tratamento para garantir que os sintomas sejam mantidos sob
controle. Os portadores dessa doença precisam adquirir certos hábitos
saudáveis, incluindo alimentação adequada e equilibrada, evitar o tabaco e o
álcool e, embora possa parecer contraditório, praticar exercícios físicos leves
regularmente, pois isso traz grandes benefícios para a saúde e o bem-estar
geral da pessoa.
2. Os pacientes precisam poder contar com o apoio e
a compreensão da família e dos amigos, embora possa ser difícil para eles
entenderem o impacto total desta doença. Os especialistas recomendam que os
familiares próximos acompanhem o paciente às consultas médicas para que tenham
conhecimento direto da doença e das suas consequências.
3. Participar de um grupo ou organização de
pacientes é uma das coisas mais úteis que você pode fazer do ponto de vista
psicológico, pois está comprovado que compartilhar a experiência com outras
pessoas que entendem e passaram pela mesma situação traz alívio. A solidão e o
isolamento não são bons companheiros de viagem, e sentir que você não está
sozinho em seu sofrimento traz grande conforto. Além disso, esses grupos
geralmente têm acesso a serviços de consultoria sobre questões legais e
profissionais de saúde. Eles também costumam organizar atividades que
incentivam a participação e a construção de comunidade, como conferências,
terapia em grupo, workshops informativos e assim por diante.
4. Receber ajuda psicológica é imprescindível, pois
esta doença tem um impacto psicológico significativo. A ansiedade e a depressão
são sintomas ou consequências frequentes da fibromialgia. A necessidade de
abandonar certas atividades e a tendência a certos pensamentos negativos podem
levar a um mal-estar ainda maior, o que pode agravar a dor física do paciente,
bem como os outros sintomas da doença.
Todas as mulheres com fibromialgia dizem que essa
doença divide suas vidas em um antes e um depois, porque antes de adoecerem,
elas eram ativas e podiam fazer tudo o que precisavam ou desejavam.
De repente, com o início da fibromialgia, eles se
viram mergulhados em um novo estilo de vida e tiveram a sensação de terem sido
roubados do melhor de si mesmos. Eles não conseguem fazer metade do que
costumavam fazer, e tudo é duas vezes mais difícil, ou às vezes simplesmente
impossível.
É compreensível, portanto, que aprender a conviver
com a dor crônica exija muita força de vontade e perseverança — especialmente
difícil, considerando que, com essa doença, força é justamente o que falta.
Requer esforço diário e perseverança para nunca desistir.
Apesar da fibromialgia, a vida continua, e coisas
boas nos aguardam se estivermos dispostos a mantê-las abertas e lutarmos para
não deixar que a doença nos domine.

Edição Inglês

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