De Roma

Leão XIV explica como o homem pode viver uma “relação de amizade” com Deus.

15/01/26 

Com a intenção de redescobrir a beleza e a importância do Concílio Vaticano II, o Papa Leão XIV falou sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum.

"Se Jesus nos chama para sermos amigos, esforcemo-nos para não deixar esse chamado sem resposta", disse o Papa Leão XIV na audiência geral de 14 de janeiro de 2026. Comentando a Constituição Dogmática  Dei Verbum  (1965), ele enfatizou o quanto "Deus nos fala".

Em uma Sala Paulo VI lotada, o Papa, sentindo-se um pouco resfriado, continuou sua nova série de catequeses dedicadas ao Concílio Vaticano II, iniciada na semana anterior. Ele explicou seu desejo de "redescobrir a beleza e a importância" deste concílio, realizado entre 1962 e 1965, e que descreveu como "o farol que guiou o caminho da Igreja" nos últimos 60 anos.

Leão XIV escolheu dedicar seu ensinamento do dia a "um dos mais belos e importantes documentos do Concílio", a Constituição Dogmática  Dei Verbum , promulgada pelo Papa Paulo VI em 18 de novembro de 1965. Ele enfatizou como este texto destaca a "relação de amizade" estabelecida por Deus com a humanidade por meio de Jesus.

"Não somos iguais a Deus, mas o próprio Deus nos torna semelhantes a Ele em seu Filho", ressaltou o Papa. Ao se fazer homem, Jesus, explicou ele, "restabeleceu" o diálogo entre Deus e a humanidade apesar do pecado original, e "a única condição da nova aliança é o amor".

Com esta aliança “nova e eterna” estabelecida por Deus, “nada pode nos separar do seu amor”, afirmou o líder da Igreja Católica. Ele destacou que a revelação divina “tem o caráter dialógico da amizade” e, portanto, se alimenta de palavras verdadeiras e não do silêncio.

Constituição  Dei Verbum  nos lembra o quanto Deus nos fala, afirmou o Papa. Ele observou que, ao contrário da conversa fiada, “que permanece superficial e não cria comunhão entre as pessoas”, a fala “serve não apenas para trocar informações”, mas para “revelar” a identidade de Deus. Assim, ao falar com a humanidade, Deus se torna seu “aliado” e a convida à “amizade com Ele”, enfatizou.

A oração, o eixo central da amizade com Deus.

“Dessa perspectiva, a primeira atitude que devemos cultivar é a escuta, para que a Palavra divina penetre em nossas mentes e corações”, afirmou Leão XIV. Ao mesmo tempo, insistiu que as pessoas são chamadas a falar com Deus para se “revelarem”; daí a importância da oração, na qual essa escuta e esse diálogo são cultivados.

O Papa enfatizou a oração litúrgica e comunitária, na qual o próprio Deus nos fala por meio da Igreja. Destacou também a importância da oração pessoal,  condição essencial  para a evangelização: “O tempo dedicado à oração, à meditação e à reflexão não pode faltar na vida diária e semanal de um cristão”. “Se Jesus nos chama para sermos amigos, esforcemo-nos para não deixar esse chamado sem resposta”, concluiu.

 

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