4 Lições que Cristo ensinou ao vir quando veio
21/12/25
A Igreja é hábil em usar o próprio tempo
para ensinar suas lições.
No Hemisfério Norte, a Quaresma coincide com o fim
rigoroso do inverno, e a Páscoa com o início da primavera. Novembro, o mês das
folhas mortas, é o mês dos mortos — e maio, o mês da vida abundante, é o mês de
Maria, a Nova Eva, mãe de todos os viventes.
A Igreja recebe isso de Deus, que usa o tempo para
nos ensinar lições — as estações do ano ensinam sobre a morte e a ressurreição,
a juventude e a velhice, a providência de Deus e o seu julgamento.
Aqui estão algumas lições que podemos aprender ao
refletir sobre o dia 25 de dezembro.
Primeiro: Ele dá uma lição ao não comparecer no dia
21 de dezembro.
A alegação de que a Igreja estabeleceu o dia 25 de
dezembro como a festa do Natal começou a ser feita no século passado, mais ou
menos, para neutralizar um feriado pagão. Hoje sabemos que isso provavelmente não é verdade, mas
nunca fez sentido mesmo. O Solstício de Inverno, 21 de dezembro, sempre foi a
melhor opção para esse fim.
Quando minha esposa sofreu um AVC grave em 21 de
dezembro de 2021, a coisa mais reconfortante que ouvimos foi de uma amiga cujo
marido havia sofrido um AVC anos antes, na mesma data. Ela observou que era a
noite mais longa do ano, então era "O dia depois do qual cada dia é mais
brilhante".
Esse é o significado de 21 de dezembro: Deus
encontrou uma maneira de organizar o sistema solar de forma a prometer dias
melhores pela frente. Se Deus já está falando conosco através do seu Sol, seria
redundante acrescentar o seu Filho.
Mas, em segundo lugar: ele ensina uma lição
pró-vida ao colocar o Natal em 25 de dezembro.
Costumamos pensar no Natal como a principal festa
da encarnação de Cristo, mas não é.
Quando São João diz "O Verbo se fez
carne", ele está descrevendo a Anunciação, em 25 de março, quando Jesus
foi concebido pelo Espírito Santo.
Desde cedo, esse dia foi considerado a chave da
história, por isso foi situado na época de sua morte e ressurreição — 25 de
março para os católicos. O Natal acontece nove meses depois.
Mas São João também diz que o Verbo “habitou entre
nós” — uma frase que ouvimos na manhã de Natal, porque a data em que Ele saiu
do ventre materno também é importante. E essa data é quatro dias após o
Solstício de Inverno.
Terceiro, Deus quer que saibamos que o tempo Dele
não é o nosso.
Ao ler a história do Antigo Testamento, você
poderia esperar que o Messias viesse muito antes. Parece que ele deveria vir
logo após as promessas feitas a Abraão, ou a Moisés, ou a Davi. Mas não é o que
acontece. Cada um desses heróis declina e desaparece, e Israel volta a
desobedecer. Então é exilado e retorna, é conquistado e conquista novamente.
Cristo vem depois que todas as tramas humanas se
resolveram sem ele. Ele não vem quando seu povo mais o merece ou mais precisa
dele, mas num momento de capitulação medíocre ao domínio romano,
comparativamente brando.
Vemos isso também na vida: as pessoas tendem a
morrer não quando estão no auge de suas maiores conquistas, mas anos depois,
quando já foram superadas e esquecidas. É como se Deus quisesse que elas
percebessem, enquanto vivas, que a vida não gira em torno delas mesmas.
O tempo de Deus sempre demonstra que Ele é o
protagonista da história, não nós.
Em quarto lugar, como ele mesmo destaca, Deus quer
que o esperemos não quando fizer sentido, mas o tempo todo.
Cristo diz que virá como um ladrão na noite. Ele
diz isso repetidas vezes , e São Paulo e São Pedro repetem — e o Apocalipse afirma
isso mais duas vezes, para garantir.
O significado é claro em todos os casos: Jesus não
quer que saibamos quando ele virá — porque ele nos ama.
Como comentou Santo Hilário de Poitiers sobre uma
dessas passagens: “O ladrão é o diabo que procura invadir nossos lares
corporais. [...] É bom, portanto, que estejamos preparados. Nossa ignorância
sobre o dia da volta de Cristo deve nos levar a ser cautelosos enquanto
aguardamos ansiosamente a sua vinda.”
Ele não virá quando o esperarmos. Ele virá quando não o esperarmos. Portanto, devemos manter seus inimigos sempre à distância.

Edição Inglês

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