Urbi et Orbi: Leão XIV
lembra a todos da sua “responsabilidade” pela paz
26/12/25
Em sua mensagem de Natal, o Papa Leão
XIV, líder da Igreja Católica, enfatizou que, ao nascer na pobreza em Belém,
Cristo se identificou com os rejeitados e excluídos.
“Quem não ama não se salva, está perdido”, advertiu
Leão XIV em sua mensagem de Natal Urbi et Orbi — à cidade e ao mundo —,
proferida da galeria central da Basílica de São Pedro em 25 de dezembro de
2025. Assim como seus antecessores, Leão XIV aproveitou esta data festiva para
apresentar um panorama global do sofrimento humano, incluindo guerras,
desastres e dificuldades sociais, e exortou os católicos a assumirem sua
“responsabilidade” na construção da paz.
Feliz Natal! Que a paz de Cristo reine em seus
corações e em suas famílias. Da sacada florida da Basílica de São Pedro, as
saudações do Papa ecoaram em dez idiomas, do polonês ao latim, incluindo árabe
e chinês. Antes de comparecer para a tradicional bênção, o pontífice deu uma
volta no papamóvel em meio à multidão de 26 mil pessoas que compareceram apesar
do mau tempo que castigou Roma nos últimos dias.
Leão XIV lors de la bénédiction Urbi et Orbi de Noël, 25 de dezembro de 2025.
Andreas Solaro / AFP
Em sua mensagem de Natal, transmitida para o mundo
todo, o líder da Igreja Católica enfatizou que, ao nascer na pobreza em Belém,
Cristo se identificou com os marginalizados e excluídos. Embora Deus escolha
não nos deixar carregar o fardo do pecado, mas carregá-lo Ele mesmo por nós,
cabe a cada um de nós assumir a nossa parcela de responsabilidade. E advertiu:
“Quem não ama não se salva, está perdido”.
O caminho para a paz reside na responsabilidade,
enfatizou o Papa, alertando contra a indiferença. Para superar todos os
conflitos, sejam eles interpessoais ou internacionais, ele exortou a todos, em
todos os níveis, a praticar a autorreflexão. Isso significa reconhecer as
próprias falhas e ter empatia com aqueles que sofrem, em vez de culpar os
outros, sugeriu ele.
Um
olhar sobre o Oriente Médio e a Europa.
Ao iniciar sua análise do sofrimento humano que
aflige o planeta, o Papa saudou primeiramente os cristãos do Oriente Médio,
referindo-se à sua recente viagem à Turquia e ao Líbano. “Ouvi seus temores e
estou muito consciente de sua sensação de impotência diante de dinâmicas de
poder que fogem ao seu controle”, confessou, invocando “justiça, paz e
estabilidade para o Líbano, a Palestina, Israel e a Síria”. Expressou sua
solidariedade com “aqueles que perderam tudo e não têm mais nada, como os
habitantes de Gaza”.
Leão XIV então voltou sua atenção para o continente
europeu, desejando-lhe “um espírito de comunidade e cooperação, fiel às suas
raízes e história cristãs, um espírito de solidariedade e acolhimento para com
os necessitados”. Ele mencionou especificamente o sofrimento do povo ucraniano,
pedindo “que cesse o ruído das armas e que as partes envolvidas, apoiadas pelo
compromisso da comunidade internacional, tenham a coragem de se engajar em um
diálogo sincero, direto e respeitoso”.
As
guerras esquecidas na África e o apelo aos líderes latino-americanos
Voltando sua atenção para a África, o pontífice
americano citou os povos do Sudão, Sudão do Sul, Mali, Burkina Faso e República
Democrática do Congo. Ele pediu "consolação" para as vítimas de
guerras "esquecidas" e para "todos os que sofrem por causa da
injustiça, da instabilidade política, da perseguição religiosa e do
terrorismo".
Nas Américas, Leão XIV lembrou o "amado povo
do Haiti", expressando sua esperança de que "todas as formas de
violência no país cessem e que ele avance no caminho da paz e da
reconciliação". Ele exortou os líderes políticos latino-americanos a
priorizarem o diálogo para o bem comum, e não preconceitos ideológicos e
partidários.
A
compaixão do Papa pela Ásia
O Papa então voltou sua atenção para a Ásia, com
foco particular em Mianmar, onde rezou para que Deus "restaure a esperança
nas gerações mais jovens, guie o povo birmanês no caminho da paz e acompanhe
aqueles que não têm moradia, segurança ou confiança no futuro". Ele
encorajou a Tailândia e o Camboja, envolvidos em uma disputa de fronteira, a
redescobrirem sua "antiga amizade" a fim de alcançar a reconciliação.
O Papa também expressou sua preocupação com o povo
iemenita e com aqueles que sofrem com a fome e a pobreza. Ele mencionou os
desastres naturais devastadores que atingiram o sul da Ásia e a Oceania, onde
as inundações causaram a morte de mais de 1.500 pessoas até o final deste ano.
Trabalhadores
desempregados e explorados
Em seu relato sobre o sofrimento global, Leão XIV
expressou preocupação com "os muitos refugiados e migrantes que atravessam
o Mediterrâneo ou percorrem o continente americano", "aqueles que
perderam seus empregos e aqueles que buscam trabalho", especialmente os
jovens. Ele mencionou "aqueles que são explorados, como os muitos
trabalhadores mal remunerados", bem como os prisioneiros que
"frequentemente vivem em condições desumanas".
Com a aproximação do Jubileu, um evento importante
na Igreja Católica celebrado a cada 25 anos, o Bispo de Roma afirmou que
"as Portas Santas se fecharão, mas Cristo, nossa esperança, permanecerá
sempre conosco". "Nele, toda ferida é curada e todo coração encontra
descanso e paz", assegurou à multidão. O Papa tem previsão de encerrar o
Ano Santo em 6 de janeiro.
Foi o cardeal francês Dominique Mamberti, o protodiácono que anunciou "Habemus Papam" após a eleição de Leão XIV em 8 de maio, quem introduziu a bênção Urbi et Orbi junto ao Papa. Este ano, Leão XIV celebrou duas missas públicas de Natal, ontem à noite e hoje pela manhã. Amanhã, ele rezará o Angelus ao meio-dia na festa de Santo Estêvão, o primeiro mártir.

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