De Roma

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18/12/25

"O coração é o símbolo de toda a nossa humanidade, uma síntese de pensamentos, sentimentos e desejos, o centro invisível da nossa pessoa", explicou o Papa Leão XIV durante a audiência geral de 17 de dezembro de 2025.

“O coração é o símbolo de toda a nossa humanidade, uma síntese de pensamentos, sentimentos e desejos, o centro invisível do nosso ser”, explicou o Papa Leão XIV durante a audiência geral de 17 de dezembro de 2025, realizada na Praça de São Pedro diante de milhares de fiéis reunidos sob o sol de inverno. Diante da agitação que toma conta do mundo, especialmente nesta época do ano, o pontífice ofereceu uma reflexão sobre como Cristo ressuscitado deve inspirar cada cristão em sua vida diária e em suas decisões.

"A vida humana é caracterizada por um movimento constante que nos impele a fazer, a agir", explicou Leão XIV após saudar a multidão do papamóvel e abençoar inúmeras crianças. Ele discorreu sobre o "repouso" prometido por Deus quando "participamos de sua vitória sobre a morte".

Reconhecendo que a vida muitas vezes impõe inúmeros compromissos, ele convidou as pessoas a relacioná-los com a atitude de Jesus, que "também se envolvia com os outros e na vida, não poupando esforços, entregando-se até o fim".

"No entanto, muitas vezes percebemos que fazer demais, longe de nos fazer felizes, se torna um turbilhão vertiginoso que nos priva da serenidade e nos impede de viver", lamentou Leão XIV.

Frequentemente, "o tempo parece se dispersar entre mil coisas práticas que nos distanciam do 'significado último da nossa existência'". Assim, o "vazio" que sentimos ao final de um dia atarefado se explica "porque não somos máquinas, temos um coração, ou melhor, somos um coração".

Partindo da passagem do Evangelho de Mateus que acabara de ser lida — "Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração" (Mt 6,21) — o Papa lembrou que "é no coração que se guarda o verdadeiro tesouro, não em cofres terrenos ou em grandes investimentos financeiros", que muitas vezes são "injustamente concentrados, idolatrados ao custo sangrento de milhões de vidas humanas e à devastação da criação de Deus", disse ele indignado.

"É importante refletir sobre esses aspectos, porque nos inúmeros compromissos que enfrentamos constantemente, o risco de nos dispersarmos, por vezes de nos desesperarmos, de perdermos o nosso sentido de propósito, é cada vez mais evidente, mesmo em pessoas aparentemente bem-sucedidas", explicou o chefe da Igreja Católica. Ele exortou as pessoas a abraçarem uma vida com um coração "inquieto", à imagem de Santo Agostinho, que via nessa inquietude um sinal da "busca do ser humano pela plena realização".

"A inquietação é o sinal de que nosso coração não se move ao acaso, sem propósito ou razão, mas está orientado para seu destino final, o 'retorno ao lar', ou seja, o encontro com o 'amor de Deus'. Esse amor só se encontra 'amando o próximo que encontramos pelo caminho', uma pessoa concreta 'de carne e osso', mesmo e principalmente se isso exigir que diminuamos o ritmo, olhemos em seus olhos, às vezes revejamos nossos planos ou até mesmo mudemos de direção", alertou Leão XIV.

“O segredo do movimento do coração humano”, portanto, “é retornar à fonte do seu ser, saborear a alegria inexaurível que nunca falha”, insistiu o Papa. Ele afirmou que “o coração inquieto não se decepcionará se se engajar na dinâmica do amor para a qual foi criado”, na perspectiva da esperança cristã.

Ao final da audiência geral, ao saudar os fiéis italianos, o Papa recordou a importância simbólica do presépio durante este período de preparação para o Natal. "Espero que um elemento tão importante, não só da nossa fé, mas também da cultura e da arte cristãs, continue a fazer parte do Natal, para nos lembrar de Jesus que, fazendo-se homem, veio habitar entre nós", exortou Leão XIV. O presépio na Praça de São Pedro, que este ano veio de Salerno, foi inaugurado em 15 de dezembro.

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