As 3 dimensões do ato de oferecimento a Deus

04/01/26
Oferecer a Deus todos os nossos
pensamentos, nossas palavras e nossas ações, todos os nossos bens, sejam
espirituais ou temporais, ou seja, tudo aquilo que temos neste mundo, dizia São
João Batista de La Salle
É pela graça de Deus e com fundamento nessa graça
que São Paulo se sente autorizado a exortar os romanos a que ofereçam seus
corpos a Deus em sacrifício vivo, santo e agradável (Rm 12,1).
Mas o que quer dizer “sacrifício”? Em hebraico,
“sacrifício” é dito “korbán”, que significa “aproximação”. Portanto, o objetivo
do sacrifício é nos aproximar de Deus, convidar-nos a viver uma intensa
comunhão com Ele.
Para isso, é necessária a “teshuvá” (transformação).
Esta “teshuvá” consiste numa renovação total de nossa maneira de ver e pensar
as realidades (Rm 12,2).
Trata-se de considerar nossa vida e nosso mundo
desde “as alturas”, com o olhar misericordioso de Deus.
Comentaremos agora, a tripla dimensão do ato de
oferecimento.
1
A oferenda de nós
mesmos
Na medida em que nossa vida é um dom de Deus, é
conveniente considerar tudo o que é bom em nosso ser e em nossa existência:
nossa alma, nosso corpo, nossos talentos, nossa herança cultural e familiar.
Sobre esse assunto, São Paulo escreve: “E você, o
que você não recebeu? E se você o recebeu, por que se vangloria como se não o
tivesse recebido? ” (1 Co 4,7).
Fazer “teshuvá” também é reconhecer Deus como a
fonte de todo bem. Consequentemente, somos convidados a conformar nossa
existência à sua palavra da verdade.
Esta oferenda de si mesmo é feita na forma de ação
de graças e louvor pelos favores recebidos. Está incorporada no desejo
determinado de servir a Deus e ao próximo; colocar-nos inteiramente, de acordo
com o estado de vida de cada um, à disposição do Nosso Senhor para construir
seu Reino; para pôr nossos pensamentos, palavras e ações em coerência na vida.
2
Oferecer nossos
pecados
Encontramos a seguinte história na vida de São
Jerônimo. Deus pergunta a ele: “O que você está me dando hoje, Jerônimo?” E ele
responde: “Senhor, eu te dou minha oração”. “Bem! E que mais?”. E Jerônimo cita
vários bens: seu ascetismo, suas vigílias, o amor por quem o visitará. E Deus
lhe pergunta: “O que mais?” E Jerônimo respondeu: “Não sei mais o que posso lhe
dar!” O Senhor então diz a ele: “Há algo que você não me deu, seus pecados!”
3
Oferecer nosso
sofrimento
Por fim, vem o que se “sofre”: as grandes provas da
vida e as “pequenas dores da vida cotidiana, que nos afetam como picadas mais
ou menos desagradáveis”.
Oferecer esses sofrimentos significa “inseri-los na
grande compaixão de Jesus Cristo” e fazê-los entrar “de alguma forma fazer
parte do tesouro de compaixão de que a raça humana precisa” para viver o amor,
receber e espalhar a salvação (Bento XVI).
Madre Teresa rezou assim:
Ajuda-nos, ó Pai gentil,
a aceitar tudo o que Você nos dá
e a dar tudo o que Você nos pede com um grande
sorriso.
Esse sorriso interior – e sorriso externo – é o
sinal evidente da livre oferenda de si mesmo em qualquer circunstância. Esse
sorriso se opõe à tristeza da resignação ou à raiva da queixa.
Padre Nicolas Buttet

Edição Portuguese
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