Estilo de vida

Bondade, verdade e beleza: Não aceite substitutos

Publicado em 02/10/26

Alerto meus alunos de que, se tentarem saciar sua sede insaciável com substitutos baratos, permanecerão inquietos e jamais encontrarão a verdadeira paz.

Eu alerto meus alunos no Benedictine College, em Atchison, Kansas, para não serem enganados por substitutos baratos daquilo que estão procurando de verdade.

E sei exatamente o que eles estão procurando.

“Para que foi criado o mundo?”, pergunta o Compêndio do Catecismo, e responde: “para a glória de Deus que quis manifestar e comunicar a sua bondade, verdade e beleza” (nº 53).

Todos nós buscamos a Deus, e na Terra isso significa que temos um desejo insaciável de bondade, verdade e beleza, porque Deus é totalmente bom, infinitamente verdadeiro e insondavelmente belo. Como disse Santo Agostinho: “Fizeste-nos para ti, Senhor, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti”.

Por isso, alerto meus alunos de que, se tentarem saciar sua sede insaciável com substitutos baratos, permanecerão inquietos e jamais encontrarão a verdadeira paz.

Ansiamos pela bondade e justiça, mas os atalhos nos afastam do que queremos.

Quando Jesus diz: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça”, sabemos exatamente o que Ele quer dizer. Desejamos aliviar cada pessoa que sofre, libertar cada oprimido e corrigir cada erro. Admiramos Santa Teresa de Calcutá por servir aos “mais pobres entre os pobres” e concordamos com Martin Luther King quando disse que “a injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar”.

Mas então descobrimos que a “sinalização de virtude” (virtue signaling) é uma maneira fácil de sentir que alcançamos o que queríamos: nossa publicação cheia de amor nas redes sociais nos faz sentir como Santa Teresa de Calcutá, e nosso adesivo ousado no para-choque nos faz sentir como Martin Luther King.

No entanto, se nos satisfazemos em ser vistos como bons em vez de fazer o bem de fato, tiramos o foco de Deus e do próximo e o colocamos em nós mesmos.

Ansiamos pela verdade honesta: queremos conhecer as coisas como elas realmente são. Mas podemos confundir partes da verdade com a totalidade.

Quando Jesus diz que “a verdade vos libertará”, entendemos o que isso significa. Não queremos mentiras que nos deixem confortáveis; queremos saber o que realmente está acontecendo. Admiramos pessoas que sacrificaram algo real pela verdade — como Scott Hahn e Joe Schmid.

Mas, em nosso mundo, onde somos inundados de informações, é fácil confundir um pedaço da verdade com a coisa toda. Fazemos da política as nossas lentes e julgamos o mundo por meio dela — ou da ciência, ou da economia, ou até mesmo da religião, se não tivermos cuidado.

Um teste rápido para o seu detector de verdade é este: se isso o torna mais humilde, provavelmente é a verdade; se o torna mais orgulhoso, pode ser um impostor. Ou este: se torna o mundo maior e mais maravilhoso, isso é bom; se torna você maior e o mundo menor, tome cuidado.

A beleza nos atrai e nos convence

Jesus era belo. João o viu em sua essência (duas vezes) e disse: “Seu rosto era como o sol brilhando em todo o seu esplendor”. E, no entanto, Jesus “não tinha aparência nem beleza para que olhássemos para ele, nada em sua aparência para que o desejássemos”, profetizou Isaías.

O clichê é verdadeiro: a beleza é “mais do que superficial”. São Tomás de Aquino dizia que as coisas belas possuem integritas, consonantia e claritas — integridade, proporcionalidade e resplendor. Assim, a integridade de um galho de árvore seco no inverno o torna mais belo do que uma pintura, e o resplendor de Santa Teresa de Calcutá, enrugada e curvada, a tornava mais bela do que uma supermodelo.

Mas filtros do Instagram, obsessão por moda e artes chamativas geradas por IA minam a integritas, a consonantia e a claritas — e quanto mais os usamos para definir nosso padrão de beleza, mais baixo nosso padrão se torna.

Para testar sua apreciação da beleza, pergunte a si mesmo: isso me inspira ou apenas me excita? Faz-me ansiar pela inocência ou pelo contrário?

O falecido Padre Benedict Groeschel disse que cada um de nós tem à disposição as “abordagens para Deus” fundamentais que os santos seguiram — os transcendentais: bondade, verdade e beleza.

Por exemplo, São Francisco foi atraído pela bondade e é conhecido por sua saudação “Paz e Bem”. São Tomás de Aquino disse: “Veritas est adaequatio rei et intellectus” (“A verdade é a adequação do intelecto à realidade”), e esse se tornou o trabalho de sua vida. Santo Agostinho disse: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova!”.

Como eles, cada um de nós terá uma abordagem transcendental de Deus que melhor se adapta a nós. Nosso trabalho é segui-la fielmente, não aceitando substitutos, até encontrarmos a sua Fonte.

Edição Português

Comentários