Você sente medo e ansiedade após a
morte de alguém?
Publicado em 06/10/26
O que acontece no
nível emocional e físico quando um ente querido falece? Uma tanatóloga ensina
como lidar com a ansiedade e o medo após a perda
Embora
saibamos que a vida terrena tem um fim e que isso é algo inevitável, ainda
assim é um acontecimento que nos impacta e gera novas sensações nos níveis
físico e emocional, especialmente quando se trata de um ente querido.
Em
entrevista com Laura Aguilar, tanatóloga e autora do livro Dolor y Milagro (Dor e Milagre), ela explicou aos
leitores que, após uma perda, chega o luto, que gera “reações físicas e mentais
traumáticas que exigem paciência para curar, já que muitas vezes reprimimos o
que sentimos; portanto, esse processo se torna uma parte fundamental para
enfrentar uma perda”.
O
que acontece quando alguém falece?
Laura
compartilha que “existem certas conexões no cérebro que nos fazem saber que a
pessoa está ali, mas, quando ela deixa de estar, começam a surgir dúvidas; e,
ao não mais perceber sua presença, começa-se a sentir sua falta”.
De
forma física, o corpo passa a apresentar insônia, falta de apetite, apatia em
relação a certas atividades — como o exercício físico — e dor física
generalizada, incluindo aperto no peito. "Essas reações ocorrem porque a
angústia da perda impede que o organismo funcione normalmente durante as fases
iniciais do luto", argumentou a especialista em tanatologia.
Já
no nível mental, ocorre um processo diferente. A especialista explica que
assimilar e vivenciar o luto após uma morte leva aproximadamente um ano.
Durante esse período, é normal experimentar reações como o desejo de entrar em
contato com a pessoa falecida ou de visitar sua residência.
O
que podemos fazer diante da ansiedade e do medo?
Embora
a morte seja um evento traumático por natureza — e seja difícil assimilá-la —,
ela também pode gerar um medo intenso de que a tragédia se repita com outros
entes queridos ou com a própria pessoa, visto que a morte é um processo
implícito a todos os seres vivos.
Então,
o que podemos fazer para vivenciar o luto de maneira adequada? Aqui estão
algumas recomendações da tanatóloga Laura Aguilar:
1Lidar
com as emoçōes
Embora
o medo diante de uma perda seja inevitável, Aguilar sugere que é possível e
necessário aprender a manejá-lo para que não se transforme em um obstáculo que
impeça a pessoa de dar continuidade às suas atividades cotidianas e ao seu
próprio processo.
2Diferenciar
os tipos de luto
"O
luto normal é um processo altamente pessoal e variável, condicionado pelo
caráter e pela resiliência de cada indivíduo", esclareceu Laura.
Por
isso, um período de seis meses a um ano é considerado normal; se, após um ano e
meio a dois anos, a pessoa permanecer estagnada e sem avanços, o quadro é
classificado como luto crônico ou patológico.
Nesses
casos, a especialista recomenda um atendimento integral, que inclua um processo
terapêutico com tanatologia, psiquiatria e nutrição.
3Falar
sobre o que sente
A
especialista recomenda conversar com alguém próximo ou com um especialista em
tanatologia sobre o que estamos sentindo em cada etapa do luto, após a perda de
um ente querido.
4Permitir
o choro
Chorar
é uma forma de purificação, por meio da qual liberamos toda a tensão que o
corpo possa reter. É também o primeiro passo para processar o sofrimento e, ao
mesmo tempo, regular as emoções.
5Escrever
Em
um caderno, escreva os pensamentos e sentimentos que você está vivenciando.
Desta forma, será possível descarregar todas essas sensações no papel, e a
mente conseguirá, aos poucos, processar a perda.
6Fortalecer
o espírito
Por
fim, Aguilar recomenda recorrer ao maior consolador: Deus. Dessa forma, podemos
encontrar um sentido positivo para o sofrimento, o que se torna ainda melhor se
acompanhado de uma direção espiritual, ajudando nossa alma a não estagnar na
dor.
A
luz no fim do túnel
Sem
dúvida, não é fácil assimilar que uma pessoa de quem gostávamos já não está
fisicamente conosco, mas a tanatologia nos demonstra que é possível sair do
túnel pelo qual é preciso passar para curar e nos fortalecer.

Edição Português

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