O que fazer quando a vida diz “ainda não”
Publicado
em 17/08/26
Há dias em que a vida nos cobra uma honestidade quase brutal: a de admitir que nem tudo está ao alcance do nosso empenho mais intenso.
Enquanto
pensava nisso, me lembrei de uma história antiga. Na época da faculdade, eu
tinha uma amiga que vivia no improviso. Faltava às aulas para ir ao bar, não
colocava energia em nada que exigisse disciplina, parecia caminhar sem qualquer
preocupação com o futuro. Até que um dia, sem aviso, ela solta:
“Daqui a um ano, vou estar
casada.”
Minha
reação interna? Um deboche silencioso, quase arrogante: “Claro… tá bom.”
Mas
um ano depois, lá estava ela: casada. Aquilo me fez questionar se desejar algo
com intensidade seria, por si só, suficiente para que ele simplesmente
aconteça. Mas a verdade é que existem sonhos — e muitos deles — que não
dependem apenas de nós. Sonhos que envolvem fatores além da nossa vontade:
outras pessoas, circunstâncias, tempo, sorte, natureza, e aquilo que, no fim
das contas, só Deus entende.
E
então buscamos o famoso plano B. Essa alternativa confortável que nos faz
acreditar que ninguém realmente “perde”: se o que mais queremos não vier,
substituímos por outra coisa. Ajustamos o roteiro, tentamos convencer o coração
de que está tudo bem. Mas será que esse consolo funciona? Será que existe
alívio quando percebemos, com toda a lucidez, que não alcançamos aquilo que
desejávamos tão profundamente?
Há
quem diga que a verdadeira sabedoria é aprender a querer aquilo que já se tem.
Mas não é sobre isso que estou falando. A pergunta que realmente pesa é: como
atravessar o intervalo angustiante entre o sonho e a sua realização — ou a sua
renúncia?
Talvez
a única saída possível, nesse momento, seja viver de forma coerente com a vida
que desejamos, mesmo que ela ainda esteja muito distante. Se eu quero algo de
verdade, preciso me tornar alguém capaz de receber. Minhas escolhas, atitudes e
prioridades precisam conversar com o que eu digo querer — ainda que seja
abstrato, ainda que pareça improvável.
É
como aquela metáfora antiga: primeiro você coloca o pé, depois Deus coloca o
chão.
E
se, mesmo assim, os meus esforços não forem suficientes, se tudo desabar apesar
da luta honesta… ainda assim terei minha coerência para me sustentar. A
consciência tranquila de que caminhei na direção certa, mesmo que o destino
tenha escolhido outro final.
Porque,
no fim, continuo confiando em Deus — mesmo quando o que eu quero não coincida
com o que Ele quer para mim.
Eu
desejo que você encontre serenidade no próprio processo, coragem para continuar
e a confiança silenciosa de que aquilo que é para ser seu, encontrará um
caminho — mesmo que a sua vontade não coincida com a vontade de Deus.
Se
você ainda encontra dificuldades em dar sentido a tudo o que te acontece – e
até mesmo a sua vida, busque o apoio de um bom profissional. Eu tenho certeza
de que você encontrará o seu caminho.
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Edição Portuguesa

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