De San Marino, o Papa Leão XIV manifesta-se a favor da liberdade política.
Publicado em 24/08/2026
O Papa dirigiu-se às
autoridades deste pequeno país, com aproximadamente 34.000 habitantes,
localizado no nordeste da Itália, e ofereceu uma ampla reflexão sobre soberania
e liberdade.
“Promover a liberdade significa defender os
espaços de consciência”, afirmou o Papa durante seu primeiro discurso da
visita pastoral a San Marino, em Rimini. Chegando às 8h45 no heliporto de
Torraccia, o Papa recebeu honras militares e, em seguida, encontrou-se com os
dois capitães regentes de San Marino, Alice Mina e Vladimiro Selva. Do Salão do
Grande Conselho Geral, o Papa dirigiu-se às autoridades deste pequeno país sem
litoral, com aproximadamente 34 mil habitantes, localizado no nordeste da
Itália, e ofereceu uma longa reflexão sobre soberania e liberdade.
Após
as visitas de João Paulo II em 1982 e Bento XVI em 2011 ao país, Leão XIV
recordou o vínculo "profundo" e "antigo" que une a Santa Sé
ao papado. No entanto, explicou que "foi apenas há um século, em abril de
1926, que as relações diplomáticas entre a Santa Sé e a Sereníssima República
de San Marino foram oficialmente estabelecidas".
O
Papa dedicou um tempo considerável ao significado da palavra
"liberdade", inscrita no lema desta pequena república. "No
contexto da história de um povo e de um Estado, ela expressa, sem dúvida, a
aspiração à autodeterminação, a não depender de outras autoridades
políticas", explicou, observando também que essa palavra tem um
significado muito mais profundo.
“Gostaria
de enfatizar que não existe verdadeira liberdade civil sem liberdade pessoal,
ou seja, sem respeito e promoção da dignidade da pessoa humana”, explicou o
Papa. Ele ressaltou que “essa liberdade é, em última instância, dada e
garantida por Deus, cuja voz ressoa na consciência de cada ser humano”. Em
seguida, prestou homenagem aos “mártires da liberdade”, mencionando em
particular “São Tomás More, padroeiro dos governantes e políticos”.
"Ainda
hoje, em muitas partes do mundo, as pessoas permanecem fiéis à sua consciência,
mesmo em contextos de grande adversidade, testemunhando assim a verdadeira
liberdade, que vem de sermos filhos e filhas de Deus", enfatizou o Papa
Leão XIV.
Ao
explicar que a referência teológica à fé trinitária deveria levar a evitar todo
absolutismo, ele apresentou a comunhão dos santos como um exemplo
"necessário hoje diante da idolatria que corrompe pela raiz os projetos
políticos e econômicos apresentados em nome da liberdade, mas que, na
realidade, são escravos de ídolos e do poder".
A
República de San Marino, aliada do multilateralismo.
O Papa também agradeceu à República de San Marino por sua “participação ativa e positiva na construção da paz” em fóruns multilaterais. Na presença do Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado da Santa Sé, Leão XIV reiterou o apoio do Papa à “diplomacia e ao multilateralismo como meios privilegiados para cultivar as relações internacionais e promover o entendimento entre as nações”.
Referindo-se
à sua visita ao Principado de Mônaco em 28 de março, o Papa destacou "o
valor particular de um pequeno Estado, em escala humana, no qual é possível
vivenciar a proximidade da política às necessidades dos cidadãos e,
consequentemente, uma democracia mais eficaz, especialmente quando também
animada pela inspiração cristã".
Assim,
ele apresentou a República de San Marino como um "laboratório" de boa
política, onde, sem renunciar ao caráter laico do Estado, é possível recorrer
aos princípios da doutrina social católica: a busca do bem comum, a destinação
universal dos bens, a harmonia entre subsidiariedade e solidariedade, bem como
a justiça social.
Cuidar
da humanidade
Nesse
contexto, o Papa enfatizou a importância de "cuidar da humanidade" e
"proteger a vida em todas as suas fases, da concepção à morte
natural". Ele não mencionou a legalização do aborto em 2022 nesse pequeno
território, um ano após um referendo no qual 77,3% dos eleitores apoiaram sua
descriminalização.
O
Papa Leão XIV também agradeceu à República de San Marino por sua tradição de
hospitalidade, que “se manifestou notavelmente no apoio e acolhimento
estendidos ao povo ucraniano, especialmente no início do conflito”. Ele
expressou ainda sua gratidão pelo compromisso de San Marino “com o direito
internacional humanitário em um momento em que este parece ser ignorado, ou
mesmo desrespeitado, diariamente”.
O
Papa saudou a multidão reunida do lado de fora, expressando sua alegria por
poder "desfrutar da beleza, da tradição e da fé" deste território.
Ele convidou o povo de San Marino a viver em "verdadeira liberdade".
Da
basílica, o apelo para abrir "a janela do coração"
Sua
visita ao terceiro menor Estado da Europa, depois do Vaticano e de Mônaco,
prosseguiu com um encontro com os fiéis da diocese na Basílica de San Marino.
Em seu discurso, o Papa homenageou os fundadores deste território, São Marino e
São Leão, que “souberam traduzir a mensagem do Evangelho em um novo modelo
comunitário e político, fortemente caracterizado pelos princípios cristãos de
liberdade, respeito mútuo e comunhão – um modelo que permanece vivo até hoje”,
enfatizou.
Assim
como Bento XVI fizera durante sua visita a San Marino em 19 de junho de 2011,
Leão XIV exortou os jovens a manterem a janela de seus corações aberta e a
viverem sua missão no mundo com entusiasmo. Ele também conclamou a Igreja local
a se comprometer com um pacto educativo com os pais, para que estes pudessem
redescobrir a fé de uma nova maneira e experimentar a alegria de transmitir aos
seus filhos os valores cristãos que são responsáveis por
preservar.
"Vivemos
num mundo ferido por muitos conflitos, no qual vemos com preocupação um aumento
da violência, do isolacionismo e do medo do outro", disse o Papa,
convidando o povo de San Marino a intensificar os atos de ajuda mútua e
caridade.
Fazendo eco ao título de sua recente encíclica, o Papa enfatizou a promoção de uma "humanidade magnífica". Ele exortou as pessoas a "superarem o individualismo de certas culturas urbanas e consumistas, bem como outras formas de particularismo desconfiado e divisivo", e a "reavivarem nossas esperanças de fraternidade e paz".

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