Papa Leão XIV

“Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família”, disse o Papa.

Publicado em 27/08/2026

"Os vícios são um fenômeno complexo que evidencia o fracasso de um mundo desumanizado", explicou o Papa em seu discurso.

“Ninguém consegue combater o problema das drogas sozinho”, explicou Leão XIV em 27 de agosto de 2016, aos participantes de um encontro sobre dependência organizado no Vaticano pela Comissão Pontifícia para a América Latina. Ele defendeu uma resposta abrangente, envolvendo tanto instituições religiosas quanto seculares, para combater eficazmente a dependência das drogas.

"Os vícios são um fenômeno complexo que revela o fracasso de um mundo desumanizado", explicou o Papa em seu discurso proferido em espanhol. Ele pediu uma resposta ao "sofrimento dos jovens" afetados pelas drogas e apelou para "soluções abrangentes: prevenção comunitária, assistência científica, justiça humana e apoio pastoral próximo".

O Papa mencionou a importância da cooperação com organizações internacionais, mas também a necessidade de unir ciência e fé. "A Igreja não intervém no problema das drogas com a intenção de competir com a neurociência, a psiquiatria ou a saúde pública, nem procura substituí-las", afirmou. Explicou que a Igreja, ao contrário, procura "iluminá-lo a partir do Evangelho, com uma compreensão abrangente da pessoa humana".

Leão XIV também enfatizou a dimensão ecumênica da luta contra as drogas. "A Igreja Católica e outras comunidades eclesiais, na prática do amor concreto por aqueles que sofrem, encontram na fé uma linguagem comum particularmente eloquente para acompanhar e integrar os jovens em suas necessidades e sonhos", afirmou.

Compaixão por "famílias desestruturadas"

"Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família", explicou também o Papa, ecoando as palavras do Concílio Vaticano II e de João Paulo II, que definiu a família como "a Igreja doméstica" e "o lar e a escola da comunhão".

“Hoje testemunhamos o sofrimento de muitas famílias desfeitas, seja pelo uso de drogas, pela violência, pelo aliciamento de menores, pela pobreza ou pela falta de oportunidades que deixa alguns para trás”, lamentou o pontífice peruano-americano. Leão XIV deparou-se particularmente com essas situações de miséria durante seus anos de trabalho missionário no Peru.

Ele disse esperar que "a Igreja seja a família de todos aqueles que foram deixados para trás". "Não passemos por eles", declarou, inspirando-se no exemplo do Bom Samaritano. "Construamos uma Igreja que pare, que se aproxime, que se deixe comover, que cure feridas, que alimente e que se torne um lar", exortou o Papa, ecoando as palavras do Papa Francisco, que pediu que se tocasse a "carne sofredora" dos pobres.

Esses apelos do Papa Leão XIV surgem em um contexto global marcado pelo aumento do tráfico de drogas, inclusive em países europeus. Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), 331 milhões de pessoas usaram drogas em 2024, um aumento de 34% em comparação com 2014. A violência relacionada às drogas também aumentou significativamente, principalmente em cidades portuárias.

Uma comissão anteriormente presidida pelo Cardeal Prevost

Antes de se tornar Papa, Robert Francis Prevost foi presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina, organização ligada ao Dicastério para os Bispos, entre 2023 e 2025. Essa comissão, criada por Pio XII em 1958, foi considerada por muito tempo uma espécie de "torre de controle" romana sobre os episcopados latino-americanos considerados suscetíveis ao marxismo e à teologia da libertação.

Mais recentemente, esta comissão tornou-se gradualmente um órgão especializado em questões sociais e eclesiais que afetam esta região do mundo. Esta conferência sobre dependências também envolve atores-chave na luta contra o abuso de drogas na Ásia, África e Europa. É organizada em colaboração com a Pontifícia Academia para a Vida, o Conselho Episcopal Latino-Americano ( CELAM ) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

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