Ataque de ansiedade: coisas simples para fazer [versão para católicos]
publicado
em 22/08/26
Ataques de pânico e ansiedade são consequências frequentes de traumas, mas qualquer um de nós pode vivenciá-los. Muitas técnicas de ajuda são banalmente simples e, por isso mesmo, desgastantes. Podemos dar a elas um sentido mais profundo.
Um
ataque de ansiedade é imprevisível. Ele nos acorda no meio da noite, nos ataca
antes de uma conversa importante, às vezes no meio de uma tarde comum que não
tinha nada de especial. O coração acelera e os pensamentos começam a girar em
círculos cada vez mais apertados — sim, são as ruminações novamente. Se você
conhece essa sensação, não é estranho nem está sozinho nisso.
A
boa notícia é que a mente, capaz de entrar em uma espiral de ansiedade, também
é capaz de desacelerar. Isso exige esforço, mas existem exercícios simples que
ajudam a recuperar o chão sob os pés. Os psicólogos os chamam de técnicas de
aterramento (do inglês grounding).
Seu mecanismo comum é descomplicado: a ansiedade se alimenta da imaginação
voltada para o futuro — com o que pode acontecer. Os exercícios de aterramento
ajudam a atrair a atenção para o presente, para o que está aqui e agora, e dão
à mente uma tarefa concreta e exigente.
Organizando
os pensamentos
Um
dos exercícios mais recomendados é quase infantilmente simples. Escolha algumas
categorias — por exemplo: filmes, países, livros, times esportivos, cores,
carros, frutas e legumes, animais, cidades, séries, figuras famosas — e,
durante alguns minutos, liste (em pensamento, em voz alta ou anotando no papel)
o maior número possível de elementos de cada uma delas. Três categorias são um
bom começo. A essência do exercício é ocupar a mente lembrando-se, por exemplo,
das capitais da Europa, para que ela não tenha capacidade livre para criar
cenários sombrios.
Se
a simples listagem for fácil demais, tente a variante alfabética:
"abacaxi, banana, cebola, damasco...". Esse pequeno esforço adicional
— procurar uma palavra para a letra seguinte — engaja a atenção com ainda mais
força e a tira do ciclo de ansiedade de forma mais eficaz.
Soa
banal? Um pouco. E é exatamente nisso que reside tanto a força quanto a
fraqueza desse exercício.
Quando
o exercício parece raso demais
Muitas
pessoas a quem são propostas tais técnicas reagem com uma resistência interna:
"Sério? Devo listar atores quando sinto que estou me desmoronando?" É
uma reação compreensível. No momento de profunda ansiedade, listar marcas de
carros pode parecer não apenas trivial, mas até aviltante diante da gravidade
do que estamos vivenciando. E acontece que justamente esse sentimento de falta
de sentido nos faz abandonar o exercício logo após um instante — e então ele
realmente não funciona.
Vale
notar, contudo, que a própria técnica não exige que o conteúdo seja fútil.
Exige apenas que seja concreto, conhecido e passível de ser evocado passo a
passo. E isso abre uma certa brecha da qual raramente se fala.
A
oração como conteúdo do exercício para ansiedade
Se
você é uma pessoa de fé, pode preencher exatamente esse mesmo mecanismo com um
conteúdo que signifique algo para você. Em vez de listar cereais matinais, você
pode:
1.
Relembrar
as palavras de orações conhecidas: lentamente,
frase por frase, como se as estivesse tirando o pó e observando cada uma
individualmente;
2.
Rezar o
terço: cuja
estrutura rítmica e repetitiva é quase um exercício clássico de aterramento;
3.
Trazer à
memória cantos da igreja: e
cantarolar em pensamento ou em voz alta, estrofe por estrofe;
4.
Listar as
invocações de uma ladainha: afinal,
uma ladainha, do ponto de vista técnico, é justamente uma lista, mas uma lista
que carrega sentido.
Você
também pode relembrar salmos, dos quais conhece trechos, ou a sequência dos
livros da Sagrada Escritura.
Quero
ser honesta e cuidadosa ao mesmo tempo. Não se trata de tratar a oração de
forma instrumental — como um "truque para a ansiedade", um
equivalente espiritual de uma bolinha antiestresse. A oração é a adoração a
Deus, e não uma ferramenta.
Mas
a verdade é também que as tradições espirituais há séculos conhecem aquilo que
a psicologia descreveu de forma relativamente recente: que a evocação
repetitiva, atenta e lenta de palavras conhecidas acalma o corpo e organiza a
mente. A Oração de Jesus, o terço, o ofício da Imaculada, as ladainhas — são
formas que desde sempre acompanharam as pessoas também na aflição. Eram
chamados cheios de confiança a Deus por ajuda, mas, "de quebra",
também acalmavam em um nível puramente fisiológico.
Pode-se dizer assim: o exercício de categorias dá a estrutura, e a oração pode dar a essa estrutura conteúdo e sentido. Para uma pessoa desanimada pela futilidade de listar séries, relembrar as palavras de uma ladainha pode ser o mesmo exercício — e, ao mesmo tempo, algo muito maior.

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