Os agostinianos governaram
o Vaticano desde a eleição de Leão XIV?
22/07/26
O prefeito do dicastério, o vice-regente
da Casa Pontifícia, os sacristãos… desde o início do pontificado de Leão XIV, a
presença de membros de sua própria ordem, os agostinianos, tem sido notável no
Vaticano. Mas será isso resultado de escolhas deliberadas do novo papa, ou
simplesmente um efeito de lente decorrente de sua eleição?
Tradicionalmente, os agostinianos têm sido uma
ordem bastante discreta em comparação com seus confrades dominicanos,
beneditinos, franciscanos e jesuítas. No entanto, desde a ascensão de um deles
à Sé de Pedro em 8 de maio de 2025, a mídia descobriu que sua sede — e
universidade — ficam nos arredores do Vaticano, que eles detêm as chaves da
sacristia papal e que esses mesmos monges servem à paróquia vaticana de Santa
Ana... nada menos, nada mais.
Esses homens, vestidos com túnicas pretas amarradas
na cintura com uma corda, que somam apenas 2.300 em todo o mundo, são vistos
com cada vez mais frequência nas ruas ao redor das Muralhas Leoninas. Nos últimos
meses, Leão XIV também nomeou vários deles para cargos na Cúria Romana. O bispo
Luis Marín de San Martín, ex-subsecretário do Sínodo, foi nomeado prefeito do
Dicastério para o Serviço da Caridade em 12 de março.
Este bispo espanhol não é o único agostiniano
nomeado por seu antigo superior: o padre nigeriano Edward Daniang Daleng
tornou-se vice-regente da Casa Pontifícia em novembro — um cargo criado
especialmente para ele pelo novo papa. De forma mais discreta, outro
agostiniano, o bispo Lizardo Estrada Herrera, bispo auxiliar de Cuzco, no Peru,
e secretário-geral do Conselho Episcopal Latino-Americano, foi nomeado membro
consecutivo de dois dicastérios: para o Desenvolvimento Humano Integral (30 de
março) e para a Comunicação (9 de abril). Além de ser peruano e religioso, ele
também compartilha com o papa seu compromisso com o Sínodo sobre a Sinodalidade
— um esforço que o Papa Francisco tem buscado implementar para tornar a Igreja
Católica menos clerical e hierárquica.
Entre os líderes da Cúria Romana está outro
agostiniano, o Padre Rocco Ronzani, como Prefeito dos Arquivos Apostólicos
Vaticanos. Essa nomeação, no entanto, foi feita pelo Papa Francisco em julho de
2024. Assim como os três membros da "sacristia papal" e a comunidade
da paróquia de Santa Ana, todos são agostinianos há décadas. Se Leão XIV
encontrou vários confrades no Palácio Apostólico, isso se deve mais à tradição
do que ao nepotismo.
Sem "Tribunal de Leão"?
"Isto não é uma invasão agostiniana",
brinca uma fonte romana familiarizada com o Vaticano. Ele observa que Leão XIV
"não parece inclinado a nomear membros de sua própria ordem para cargos
importantes". "Ele é matemático, então precisa calcular, mas esses
cálculos são mais marcados pela objetividade do que pela subjetividade de suas
próprias afiliações", acrescenta um padre.
Para ele, que vive na Cidade Eterna há 30 anos,
"sempre houve esse fenômeno entre os papas – às vezes um tanto exagerado
em alguns casos – de criar uma espécie de segunda cúria ao seu redor, composta
por pessoas próximas". Se fosse o caso de Leão XIV, "o critério
agostiniano entraria em jogo, porque envolveria pessoas com quem ele teve
contato, sobre as quais ele tem certeza". Mas "por enquanto, não há
sinal de que ele esteja recriando um segundo círculo; ele busca competência,
não apego pessoal", analisa o padre, enfatizando a diferença em relação a
Francisco. O papa argentino, em sua opinião, "escolheu suas nomeações de
forma muito subjetiva, optando por pessoas que correspondiam à sua concepção de
Igreja". Seu sucessor "parece ser mais institucional no exercício de
seu ofício", acrescenta.
Assim, segundo observadores, não há nenhuma
"corte de Leão" à vista. A menos que o papa deixe um rastro de
mistério: "Quem está com ele? Quem ele consulta?... Temos muita dificuldade
em descobrir quem são seus familiares próximos", admite um experiente
especialista do Vaticano.

Edição Polônia

Comentários
Postar um comentário