Seguir em frente: mesmo sem todas as respostas
01/06/26
Quantas
vezes já nos pegamos presos em perguntas sem resposta? “Por quê isso aconteceu
comigo?”,“O que eu poderia ter feito diferente?”, “E se…?”
O nosso coração fica preso ao passado tentando
entender, explicar, justificar.
Mas existem momentos na vida em que as respostas
simplesmente não vêm. E é justamente aí que precisamos decidir caminhar, mesmo
sem entender tudo.
Como psicóloga, trabalho essa realidade no processo
psicoterapêutico com frequência. Muitas pessoas paralisam sua vida tentando
encontrar explicações exatas para as dores que viveram. Mas o caminho da saúde
emocional e espiritual não está em compreender tudo — e sim em aceitar o que
não pode mais ser mudado, e ainda assim, se abrir para o novo com esperança.
Carregar culpa, reviver erros, alimentar cenários
que não aconteceram: tudo isso esgota a alma. O passado é importante — ele nos
forma, nos ensina, nos dá raízes. Mas não é lugar de morada. Não fomos feitos
para viver olhando para trás.
Quantas vezes a culpa se torna um cárcere? Quantas
vezes nos sabotamos achando que, por termos errado, não merecemos recomeçar?
No processo terapêutico, aprendemos que seguir em
frente é uma decisão ativa.
Não acontece quando “tudo se resolve”, mas quando
escolhemos não deixar que aquilo que passou defina aquilo que podemos viver
daqui para frente.
A fé não exige garantias. A fé é justamente
caminhar mesmo quando tudo está escuro, confiando que Deus guia os passos,
mesmo sem mostrar o caminho inteiro: “Te basta a minha graça.” (2 Cor 12,9)
Essa é a promessa: a graça sustenta, mesmo quando a
lógica falha. Mesmo quando não compreendemos o que aconteceu, mesmo quando as
respostas não vieram. A graça é suficiente para fazer com que você volte a
caminhar, mesmo em terras secas.
Recomeçar dói. Dizer adeus ao que não foi como
esperávamos exige luto. Mas também exige fé. Fé de que há mais, de que ainda
existem outros caminhos, de que o que passou não define quem somos. Recomeçar é
escolher plantar no hoje, mesmo que o coração ainda esteja ferido pelo ontem. É
permitir que Deus reconstrua algo novo a partir dos estilhaços do que quebrou.
Na psicoterapia, encorajo cada paciente a dar esse
passo de fé: seguir em frente mesmo com cicatrizes, mesmo sem todas as peças do
quebra-cabeça emocional no lugar. Porque viver é isso: uma escolha corajosa de
continuar caminhando mesmo sem entender coisas que julgávamos importantes serem
entendidas para seguir em frente.
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Edição Portuguese

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