Não me importo... Um cristão luta contra a
depressão espiritual.
08/06/26
A
acédia é uma doença da alma. Como tratá-la? Aqui estão dicas práticas de um
monge e eremita do século IV.
Levando vidas geralmente agitadas e intensas,
buscamos melhorias em nossas rotinas diárias. Isso é ruim? De forma alguma! No
entanto, nem toda situação pode ser abandonada ou simplificada. Como lidar com
o cansaço no trabalho, durante a oração e na limpeza? E se a monotonia nos
roubar a vontade de viver? Recorramos aos conselhos comprovados de um monge que
ajuda a combater o estado de espírito conhecido como acídia.
Monge
do Deserto
O monge em questão é Evágrio Pôntico, que viveu no
século IV no deserto egípcio e era conhecido por sua sabedoria e perseverança
em resistir às tentações. Ele era um guia espiritual valioso não apenas para
monges que viviam em reclusão ou em mosteiros, mas para todos aqueles que
buscavam a felicidade da vida cristã. Segundo relatos, ele recebia vários
hóspedes em seu eremitério todos os dias. Pode-se perguntar como um asceta
"deserto" poderia encontrar felicidade no deserto.
Evágrio, que enfrentou a tentação em circunstâncias
tão difíceis, compreendeu as fraquezas humanas e o desejo de escapar do
desconforto e do tédio. Seus conselhos continuam sendo uma fonte inestimável de
sabedoria para nós hoje.
Crise
da meia-idade
A análise do Instituto Nacional de Estatística
indica que os suicídios ocorrem com maior frequência no final da primavera.
Observa-se um aumento significativo entre março e abril. O maior grupo é
composto por homens entre 40 e 44 anos. Os dados estatísticos confirmam,
portanto, a existência de uma crise da meia-idade.
Evágrio destaca que a batalha mais difícil é
travada ao meio-dia, ao meio-dia em ponto, o que também podemos entender como
metade de nossas vidas.
Depressão
e acídia
Evágrio define acídia como indiferença e falta de
preocupação com o próprio bem-estar e existência. Tais sintomas também são
encontrados na definição de transtornos depressivos, incluindo uma sensação de
fadiga constante e aversão ao trabalho e à vida. Não devemos subestimar
a gravidade dessa doença que, se não tratada, pode levar à morte. Aqui,
queremos analisar mais de perto o abatimento, que a psiquiatria distingue da
depressão, caracterizando esse estado como passageiro, não interfere nas
atividades diárias e se manifesta como a chamada "melancolia".
Doença
da alma
Em seu livro sobre acédia ("Acédia: Depressão
Espiritual"), o padre Gabriel Bunge cita, seguindo João Cassiano, sintomas
como "uma dormência do dinamismo da alma, uma sensação de vazio, (...) a
incapacidade de se concentrar em uma única atividade, exaustão e inquietação do
coração". Ele também aponta para o termo apropriado
"aborrecimento".
Essas características parecem afligir a humanidade
moderna. A acédia é uma doença da alma porque "obscurece nossa relação com
Deus", para citar o monge pôntico.
Ele
odeia o que é e deseja o que não é.
Quando surge um ataque de acédia, Evágrio adverte,
acima de tudo, contra fugir de si mesmo e de seus deveres. Ele ordena aos
monges que permaneçam em suas celas. Provavelmente, ele nos aconselharia a
permanecer em oração ou a continuar trabalhando.
Vamos passar a palavra a Evágrio:
A
acédia é curada pela perseverança e por fazer tudo com grande cuidado e temor a
Deus. Estabeleça um padrão para si mesmo em cada trabalho e não parta até tê-lo
cumprido. Ore com atenção e fervor, e o espírito da acédia fugirá de você.
Fonte das citações: Gabriel Bunge, " Acedia. Depressão Espiritual ." Editora Beneditina Tyniec

Edição Polônia

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