Igreja

Nossos cérebros são extraordinários! Usem-nos, incentiva o Papa às crianças.

23/06/26

Em um encontro com jovens participantes de um acampamento de verão do Vaticano, o Papa Leão XIV incentivou as crianças a construir amizades verdadeiras e a impor limites ao uso de telas.

O Papa Leão XIV deu uma espécie de aula magistral sobre o uso correto de celulares ao se encontrar com os jovens participantes do acampamento de verão do Vaticano, “Estate Ragazzi”, na segunda-feira, 22 de junho de 2026. Falando às crianças — de 3 a 13 anos — filhas de funcionários do Vaticano, o Santo Padre afirmou que “Deus nos deu um dom extraordinário em nossas mentes e em nossos cérebros”.

Durante o encontro de segunda-feira na Sala Paulo VI, o Pontífice respondeu especificamente ao jovem Federico, que lhe pediu conselhos sobre como prevenir o vício em telas. A tecnologia “pode ser muito boa, e precisamos dela para muitas coisas”, reconheceu o Papa Leão XIV . Ele advertiu, no entanto, que “não há necessidade de termos um celular, smartphone ou tablet nas mãos o tempo todo”.

O contato pessoal é vital.

O chefe da Igreja Católica convidou os jovens a estarem atentos aos mecanismos viciantes que os desenvolvedores inserem em programas e aplicativos digitais. "Eles são projetados para nos tornar dependentes dessa tecnologia", alertou, encorajando-os a se libertarem dessas coisas.

O Papa insistiu então na importância de formar amizades verdadeiras. É vital “passar tempo juntos, brincar juntos, talvez até estudar juntos — como pessoas, não como computadores ou máquinas, não como tecno-robôs”, disse ele. Em seguida, perguntou aos jovens: “Não estamos todos conectados por um cabo, estamos?”

“Somos seres humanos; somos pessoas. O contato pessoal com os outros é muito importante”, enfatizou.

O Papa encorajou os jovens a também se desconectarem de seus dispositivos eletrônicos para passarem tempo com suas famílias – “para conversarem uns com os outros, para terem diálogos, para desfrutarem da companhia uns dos outros, para brincarem juntos e também para rezarem juntos”.

“Não basta estarmos todos juntos, cada um olhando para o seu próprio celular”, observou. Ele aconselhou a estabelecer limites, decidindo, por exemplo, que “Depois de um certo horário da noite, não vou mais olhar para o meu celular” ou “Em certos momentos, vou passar um tempo conversando com a minha família e estaremos juntos”.

Em nosso relacionamento com Deus, ele também aconselhou a deixarmos o celular de lado, porque “mesmo que tenhamos a Bíblia ou algumas orações em nossos telefones, Deus não quer olhar para nossos telefones; Deus quer olhar para nossos corações e para nossas vidas”.

Aprender a pensar por nós mesmos

Questionado sobre suas inúmeras viagens como missionário agostiniano — em sintonia com o tema do acampamento de verão, “Volta ao Mundo em 80 Dias” — o Papa Leão XIV recomendou novamente não depender exclusivamente da tecnologia. Recordando como, anos atrás, quando se queria ir a algum lugar, consultava-se um mapa, o Papa observou que se perdeu diversas vezes “na Itália, em outros países europeus, no Peru e até mesmo nos Estados Unidos” seguindo seu GPS.

“É muito melhor aprendermos a pensar por nós mesmos e a desenvolver o senso crítico necessário para sabermos para onde estamos indo na vida, em nossas jornadas e em tudo o que fazemos”, observou ele. Para o Papa, trata-se de estudar bem para se preparar com antecedência.

"Não preciso do meu celular se meu cérebro estiver funcionando!", declarou ele, afirmando que "Deus nos deu um dom extraordinário em nossas mentes e em nossos cérebros".

Durante o encontro, o Pontífice foi nomeado Explorador Chefe pelos jovens, que lhe presentearam com um kit de exploração e uma placa da “Estate Ragazzi”.

 

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