Nova pesquisa afirma que a família é ainda mais importante do que pensávamos.
07/06/26
Esse
grupo social primordial é uma parte importante da solução para os problemas
modernos.
Nossa época é marcada pelo isolamento social, mas
uma pesquisa católica sugere que a resposta pode estar bem perto: em nossas
próprias famílias.
A manchete da última quinta-feira no The Wall
Street Journal já era ruim o suficiente: “Taxa de suicídio entre jovens
aumentou 56% em uma década, diz o CDC”, noticiou o jornal .
Quanto mais se lê, porém, pior fica. "Embora a
faixa etária de 10 a 14 anos apresentasse, de longe, a menor taxa de suicídios,
essa taxa quase triplicou entre 2007 e 2017", diz o relatório. Mas ninguém
na reportagem conseguiu apontar o motivo do aumento dos suicídios.
Talvez um novo livro escrito por um pesquisador
católico explique como as coisas chegaram a esse ponto.
Ao investigar as causas do aumento do suicídio,
o periódico observou o aumento da depressão entre adolescentes, o uso
de drogas, o estresse e até mesmo o vício em redes sociais.
Mas um novo livro sugere que, na raiz de tudo isso,
está algo tão primitivo em nós que perdê-lo significa perder a nós mesmos: a
família.
O livro de Mary Eberstadt de 2012, Adão e Eva Depois da Pílula, focou
nos danos causados às relações entre homens e
mulheres (e crianças, jovens e nossas instituições) pela revolução sexual. Seu novo
livro, Gritos Primais, dá um passo adiante, examinando os destroços
deixados pela desestruturação da família.
A família é fundamental — e não apenas para os
seres humanos.
Eberstadt começa falando não sobre seres humanos,
mas sobre lobos. Pesquisadores descobriram que, ao contrário do que pensávamos,
“os lobos vivem como as pessoas, em famílias compostas por mãe, pai e seus
filhotes”.
E não são apenas os lobos. Cientistas agora afirmam
que bandos e manadas são, muitas vezes, simplesmente famílias, e que os animais
aprendem tudo com suas mães e irmãos. Essas descobertas levaram muitas
instituições a proibir apresentações com orcas e golfinhos — porque agora
sabemos que esses animais, separados de suas famílias, sofrem um profundo
sofrimento.
De fato, diz Eberstadt, um animal separado de sua
família sofre consequências previsíveis: ansiedade, comportamentos repetitivos,
menor expectativa de vida e automutilação — os mesmos problemas que estão em
ascensão nas populações humanas atualmente.
Uma descoberta fascinante relatada por Eberstadt é
a enorme importância de nossos irmãos.
Ela cita uma pesquisa de 2018 que sugere que os
irmãos precisam compartilhar recursos e “aprender empatia uns com os outros,
independentemente da ordem de nascimento”. Outro estudo sugere que “a
probabilidade de divórcio mais tarde na vida pode ser prevista pelo número de
irmãos que uma pessoa tem; quanto maior o número, menor a probabilidade de
divórcio”.
Primos que moram perto proporcionam benefícios
semelhantes — assim como, presumivelmente, os grupos de crianças que costumavam
se aglomerar em comunidades rurais, bairros e quarteirões, onde a falta de
irmãos em uma casa era compensada pela presença daqueles que moravam duas casas
adiante.
Irmãos do sexo oposto proporcionam benefícios
sociais específicos, destaca Eberstadt. "Crescer com um irmão ou irmã do
sexo oposto torna adolescentes e jovens adultos mais confiantes e bem-sucedidos
no mercado de relacionamentos", afirma. Eles conhecem meninos e meninas de
perto. Da mesma forma, irmãos do mesmo sexo contribuem para amizades entre
pessoas do mesmo sexo.
Por outro lado, a falta de laços familiares nos
leva a buscar a identidade pessoal em lugares improváveis.
Eberstadt resume o estado da nação após décadas de
divórcios e da “grande dispersão” dos membros da família. “Para onde quer que
se olhe — para a esquerda ou para a direita, para a cultura ou para a política,
pelos Estados Unidos ou para o exterior — um fato notável surge: a questão
de Quem sou eu? é
agora a mais complexa do nosso tempo”, escreve ela.
Ela oferece um ótimo resumo de como nossa
identidade pessoal passou de estar enraizada em Deus, família e pátria para
estar ligada ao que um escritor lista desta forma: “tribos de hip-hop e música
country; manos; nerds; WASPs; fãs do Grateful Dead e do Green Bay Packers;
grupos do Facebook”.
Essa lista poderia continuar indefinidamente, com a
adição de diferenças sexuais, profissionais e de outras naturezas.
Mas " Quem sou eu?" é uma pergunta que só pode ser
respondida através dos nossos relacionamentos.
“Nenhum homem é uma ilha”, escreveu John Donne.
Todos fazemos parte da humanidade, como uma família.
Eberstadt afirma que é difícil responder à pergunta
“Quem sou eu?” sem antes responder “Quem é meu irmão? Quem é meu pai? Onde
estão, se é que existem, meus primos, avós, sobrinhas, sobrinhos e o restante
das conexões orgânicas através das quais a humanidade, até agora, canalizou a
existência cotidiana?”
Os católicos sabem porquê: o próprio Deus é
relacional — Pai, Filho e Espírito Santo — e quando veio para nos redimir,
entrou numa família humana, chamou a si mesmo de Noivo, comparou o céu a uma
festa de casamento e nos chamou para sermos filhos e filhas adotivos de Deus.
Nossa fé nos diz claramente o que a ciência só
agora, tardiamente, está descobrindo: o futuro da humanidade passa pela
família.

Edição Inglês

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