Igreja

O Papa Leão XIII dedica tempo à oração junto às relíquias de Santo Agostinho.

20/06/26

Jesus nos revela o mistério de Deus e, ao mesmo tempo, o mistério que somos nós mesmos, disse o Papa Leão XIII em Pavia, Itália

Diz-se que, ao experimentar o calor da Itália, compreende-se por que o Império Romano decidiu expandir suas fronteiras. Se o Papa Leão XIII já ouviu esse ditado, certamente se lembrou dele durante sua viagem, na tarde deste sábado, 20 de junho, à região da Lombardia, no norte da Itália, que estava sob um alerta de altas temperaturas. Os termômetros marcavam quase 38 graus Celsius quando o Santo Padre cumprimentou os membros da família espiritual agostiniana, observando que muitos dos presentes eram pessoas de seu conhecimento pessoal.

Após um momento de oração diante das relíquias de seu pai espiritual, o Papa Leão XIII exortou os católicos a combater a divisão e a testemunhar o Evangelho “novo e surpreendente” no mundo de hoje.

Após chegar de helicóptero para esta breve viagem vespertina ao sul de Milão, a primeira parada do Papa em Pavia foi em um centro especializado em câncer, onde cumprimentou as crianças e os pacientes em tratamento. Dirigindo-se a eles, enfatizou a importância da família: “Façam o mundo inteiro entender que, em momentos difíceis, se a presença e o amor da família faltam, tudo se torna mais difícil”, disse. “Deus não quer que ninguém sofra”, afirmou o Papa, prometendo que Deus está “sempre presente” e que “nos envia anjos” nos momentos de fraqueza.

Após essa etapa, Leão XIV dirigiu-se à Basílica de San Pietro in Ciel d'Oro, administrada pela comunidade local da Ordem de Santo Agostinho, da qual foi Superior Geral de 2001 a 2013. "Santo Agostinho não nos pertence; ele pertence à Igreja, e nossa missão é torná-lo conhecido dentro da Igreja", pois "ele tem muito a oferecer nestes tempos", disse o Santo Padre durante um encontro privado com os religiosos.

Em seguida, dirigiu-se à varanda do mosteiro e cumprimentou as dezenas de pessoas que o aguardavam no claustro, todas usando quipás amarelas. Depois de encorajá-las a serem “um sinal de amor e caridade no mundo”, o Papa entrou na basílica, onde venerou as relíquias de seu mestre espiritual – que Pavia guarda desde o século VIII – colocando a mão sobre o precioso relicário no altar.

(Leia abaixo sobre como as relíquias de Agostinho foram parar tão longe da Argélia, onde ele serviu como bispo.)

Redescobrindo 'a primazia da interioridade'

Durante a liturgia da Palavra que se seguiu, o Bispo de Roma exortou os católicos de Pavia – 1.800 dos quais estavam presentes na reunião – a não sucumbirem à "negatividade e ao pessimismo" e a combaterem a "fragmentação interior". Ele apelou para que as comunidades se "centrassem no essencial", ou seja, em Cristo – mesmo que isso signifique "abandonar certas estruturas e seguranças do passado".

O essencial é viver com Cristo, e propagar o seu Evangelho é algo que deve estar no centro dos nossos corações.

O chefe da Igreja Católica exortou as pessoas a "acompanharem outras na descoberta ou redescoberta da fé". Ele argumentou que o modo de vida dos cristãos deveria ser tão "novo e surpreendente" quanto era nos primeiros séculos.

Devemos, portanto, proclamar o coração do Evangelho, ou seja, Jesus, que, por meio de sua encarnação, morte e ressurreição, nos revela o mistério de Deus e, ao mesmo tempo, o mistério que somos nós mesmos.

Perto das relíquias do Bispo de Hipona, o Papa Leão XIV enfatizou o legado de Santo Agostinho. Sua história, disse ele, nos lembra do “valor e da primazia da interioridade”, bem como da “necessidade de olhar para dentro de si, […] para buscar e encontrar um significado que guie nossas vidas e anime nossos relacionamentos”.

Após a celebração, o Papa dirigiu-se a um encontro com os habitantes de Pavia. Em seguida, viajaria para a cidade vizinha de Sant'Angelo Lodigiano, para rezar diante das relíquias de Santa Francisca Xavier Cabrini, missionária nos Estados Unidos, primeira santa americana e padroeira dos migrantes.

 

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