O que é exatamente o TDAH e como podemos detectá-lo?
17/06/26
Os profissionais ainda não chegaram a um
consenso sobre as causas desse distúrbio neurológico aparentemente comum.
Ele é uma criança muito ativa que nunca para
quieta. É impossível para ele se concentrar no que está fazendo. Ele é
impulsivo, não mede as palavras e até se envolve em comportamentos de risco.
Ele é simplesmente uma criança "inquieta" ou há algo mais
acontecendo?
Para alguns, o Transtorno de Déficit de Atenção com
Hiperatividade (TDAH) é apenas uma "doença da moda", um rótulo que as
pessoas atribuem a comportamentos quando não querem assumir a responsabilidade
pela criação dos filhos. Para outros, é uma forma de catalogar crianças que
"não se encaixam no padrão" imposto pela sociedade, podendo levar à
interpretação de como doença algo que, na verdade, é uma questão de
personalidade ou comportamento. Para aqueles que convivem com o transtorno —
mesmo sem diagnóstico — ele pode ser fonte de rejeição, frustração, depressão e
fracasso pessoal e social.
O que dizem os especialistas? Bem, embora haja vozes divergentes que afirmam não ser um transtorno médico, mas sim uma construção social, grande parte da comunidade científica concorda que existe uma base biológica e psicológica para se falar em TDAH.
De acordo com diversos estudos, constatou-se que
duas substâncias químicas que utilizam os neurônios para se comunicarem entre
si, a dopamina e a noradrenalina, estão alteradas em crianças com TDAH, mas não
em indivíduos saudáveis. Assim, enquanto esses compostos são abundantes nos
gânglios da base e no lobo frontal de pessoas normais, eles não estão
disponíveis em quantidade suficiente em pessoas hiperativas.
O que é — e o que não
é — TDAH?
De acordo com a literatura médica, o TDAH é um
transtorno caracterizado por dificuldade de concentração, impulsividade e
hiperatividade motora, que dificulta e, por vezes, impede o desenvolvimento normal,
a integração e a adaptação social de crianças e adolescentes. Também pode
afetar adultos.
Além disso, o TDAH, especialmente quando não
tratado adequadamente, pode ser a base de outros tipos de transtornos como
resultado da má integração pessoal e social da pessoa: depressão, desajuste
social, fracasso pessoal, baixa autoestima, etc.
Qual é o problema na detecção do TDAH? O
diagnóstico de TDAH exige treinamento específico e, sobretudo, muita
experiência clínica para evitar confundi-lo com um problema comportamental, com
a personalidade da criança ou, talvez, com um caso de atraso na maturação.
Por exemplo, uma criança que se "distrai"
na aula ou que apresenta problemas de comportamento não tem necessariamente
TDAH. Pode ser o caso de uma criança com altas habilidades intelectuais que
simplesmente fica entediada, ou cujo comportamento está mascarando outros
problemas, como um ambiente familiar conflituoso.
Outro ponto importante: o TDAH tem um componente
hereditário em 80% dos casos. Diversos estudos mostram que a criação não é a
causa do transtorno.
De acordo com os manuais de psiquiatria, alguns dos
sintomas do TDAH são:
- Dificuldades em se organizar, com a sensação de não atingir os
objetivos.
- Realizar várias tarefas simultaneamente sem ter concluído as
anteriores.
- Tendência a dizer a primeira coisa que vem à cabeça sem pensar.
- Busca constante por novos estímulos e se distrai facilmente.
- Criatividade, com grande iniciativa e sinais de impaciência.
- Dificuldade em trabalhar pelos canais estabelecidos e seguir o
procedimento “correto”
- Impulsividade verbal ou física e sentimentos de insegurança.
- Tendência a se preocupar desnecessariamente e com frequência.
- Alterações de humor e atitudes com expressões de inquietação.
- Problemas crônicos de autoestima relacionados à experiência de
rejeição.
- Histórico familiar de TDAH, transtorno bipolar, depressão, abuso de
substâncias ou outros transtornos relacionados ao controle de impulsos ou
ao humor.
- Insônia
Para diagnosticar corretamente o TDAH (e não confundir com hiperatividade), é essencial que os pais trabalhem em conjunto com pediatras, educadores, psicólogos e psiquiatras.
Precisamente porque os sintomas do TDAH podem ser
confundidos com as fases normais da infância, é muito importante realizar um
acompanhamento multidisciplinar. Uma equipe de especialistas pode oferecer
ajuda e orientação, principalmente quando esses comportamentos se intensificam
e podem estar fora de controle, e quando as terapias comportamentais e as
orientações educacionais não estão funcionando porque há "algo mais"
acontecendo.
O
artigo foi escrito com a ajuda de Javier Fiz Pérez, psicólogo, professor de
psicologia na Universidade Europeia de Roma, delegado para o Desenvolvimento
Científico Internacional e chefe da Área de Desenvolvimento Científico do
Instituto Europeu de Psicologia Positiva (IEPP).
Este
artigo foi originalmente publicado na edição
espanhola da Aleteia .

Edição Inglês

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