Como educar as crianças com bom gosto
15/06/26
Como pais, é nosso dever ensinar nossos
filhos a distinguir entre o certo e o errado, especialmente no que diz respeito
ao que é melhor para suas almas. Aqui estão alguns pontos a serem considerados.
Nenhuma criança gosta de café na primeira vez que
experimenta. Elas fazem careta, pedem água e olham para você como se você as
tivesse castigado. No entanto, milhões de adultos pagam alegremente por uma
xícara. O que aconteceu nesse meio tempo? Exatamente isso: podemos cultivar o
paladar dos nossos filhos.
O
paladar pode ser educado?

Vivemos convencidos de que a inteligência, a vontade e até mesmo o corpo podem ser educados. No entanto, quando se trata de gosto, parece que nos rendemos coletivamente. "Gosto não se discute", repetimos. Ou aquele outro ditado que adquiriu o status de dogma moderno: "Gosto não se discute".
Mas
e se isso não fosse verdade?
A própria Real Academia Espanhola define
o gosto como a capacidade de apreciar a beleza ou a feiura. Não se refere a
algo fixo e imutável, mas a uma faculdade que pode ser desenvolvida. Assim como
o ouvido aprende a distinguir nuances musicais ou o paladar aprende a
reconhecer sabores que antes passavam despercebidos, o gosto também pode
evoluir.
E é possível adquirir conhecimento em praticamente
tudo: pintura, música, literatura, moda, gastronomia ou etiqueta. Porque há
algo que nossa era relativista parece determinada a negar: nem tudo tem o mesmo
valor.
A
beleza sempre se destaca da maldade.
Basta um exemplo simples. A imagem de uma mãe
beijando seu bebê não evoca repulsa em ninguém. A imagem de alguém torturando
outra pessoa, sim. Há algo dentro de nós que intuitivamente reconhece a
diferença. A bondade atrai. O mal repele. Beleza e bondade caminham juntas
porque emanam da mesma essência.
Por isso é tão importante ensinar as crianças a
olhar além do imediato. Só porque algo é popular não significa que seja bom.
Uma música que toca mil vezes no rádio não a torna automaticamente uma
obra-prima. O cheiro de alho permanece na boca por horas, mas ninguém o
confunde com um prato estrelado pelo Guia Michelin.
Cultivar o bom gosto começa com o ensino do
pensamento crítico. Ouvir boa música, assistir a ótimos filmes, contemplar e
explicar obras de arte, ler bons livros ou prestar atenção aos pequenos
detalhes da vida cotidiana amplia o horizonte de possíveis satisfações.
Ensinando
os pequenos em casa
Se uma criança cresce em um lar onde se presta atenção às suas roupas, onde lhe ensinam que a aparência também é uma forma de respeitar os outros, ela acabará por compreender algo que para outros pode parecer um desperdício absurdo de tempo ou dinheiro. Não porque tenha nascido com um gosto particular, mas porque alguém lhe ensinou isso.
E se há uma área onde isso é especialmente
evidente, é na vida espiritual. Ali também existe um anseio pelo eterno. Quando
uma pessoa aprende a buscar a vontade de Deus acima das opiniões do momento,
quando se compromete com boas obras, a servir sem esperar nada em troca, a
dedicar tempo à oração, a cuidar daqueles que ninguém valoriza, ela descobre um
tipo diferente de satisfação. Mais profunda. Mais estável, mais plena.
A
demanda por beleza
Por isso é tão importante que as crianças tenham a
oportunidade de encontrar Deus desde tenra idade. Uma única experiência
autêntica é suficiente para deixar uma impressão duradoura em suas almas. Os
anos podem passar. Elas podem se afastar.
Podem trilhar caminhos inesperados. Mas quem já
provou algo verdadeiramente grandioso jamais o esquece por completo. Porque o
gosto pode ser cultivado. E quando se cultiva o reconhecimento da Beleza com B
maiúsculo, nenhuma outra satisfação alcança tamanha plenitude.

Edição Espanhol


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