Crise da pré-adolescência: como ajudar seu filho(a) a enfrentá-la?
02//06/26
Entre os 8 e 12 anos algumas crianças
parecem já começar a entrar na adolescência, e assim passam a oscilar entre as
crises de choro e os abraços apertados. A seguir, encontre alguns conselhos
para ajudar os seus filhos a viver essa fase de forma tranquila.
Essas conversas são comuns na saída da escola:
"Não reconheço mais o Cipriano! Ele bate a porta, grita ou fica de mau
humor, ataca os irmãos”. Florence, que está muito preocupada, não sabe mais o
que fazer com seu filho de 9 anos. Clara, por sua vez, está desorientada com a
sua filha de 10 anos: “Eugênia é hipersensível, fica chateada por nada. Ela
passa horas na frente do espelho, sonha em se maquiar e se vestir como uma
universitária. Os outros já a observam”. Um pai acrescenta: “Cosme se envolve
em todas as discussões, analisa, critica sem parar. Já é um verdadeiro
pré-adolescente!”. Pré-adolescência: a palavra foi lançada! Será que ela é uma
invenção dos pais orgulhosos em ter filhos “quase adolescentes”, ou apenas uma
jogada de marketing, a fim de encontrar novos consumidores para diversos
produtos?
Para as psicólogas Bernadette Lemoine e Véronique
Lemoine-Cordier, as crianças realmente mudaram dramaticamente nos últimos anos.
Precisamos estar cientes e levar isso em consideração. “Na prática clínica,
sinto que as crianças são muito diferentes”, diz Véronique Lemoine-Cordier.
“Eles são hiperestimulados por uma sociedade que avança extremamente rápido.
Eles participam de tudo o que acontece no mundo adulto desde muito cedo e
dominam os meios técnicos melhor do que nós. Eles são mais espertos e percebem
o que lhes interessa muito rapidamente. Tudo isso faz com que eles queiram
crescer muito mais rápido”. Mesmo assim, ela podera: “Nessa fase eles passam
por uma revolução cognitiva, mas sua maturidade emocional e fisiológica não é
tão rápida”. Então, como ajudar esse pequeno “mutante” a crescer? Comece por
não considerá-lo um adolescente, responde a psicóloga.
Forneça
um ambiente enriquecedor
Para o padre Xavier Piron, dos 8 aos 12 anos, “a
criança já saiu da primeira infância e por isso ela tem a impressão de que o
mundo lhe pertence. Ela se imaginará como um cavaleiro, um piloto, terá grandes
sonhos. Bastante alegre, cheia de iniciativa, ela deseja prontamente ser útil e
não quer ser desapontada”. Anne Kolly, professora e formadora Montessori,
observa crianças há mais de vinte e cinco anos: “Nesta faixa etária, elas
procuram as chaves para compreender o mundo e assim poder explorá-lo, interessam-se
pelo universo, pela história da Terra. Elas já têm uma grande capacidade
intelectual e podem compreender conceitos complexos. Elas também experimentam a
vida social”. Esta é a fase dos grupos, códigos e exclusões. Cipriano tende a
se isolar quando está em casa, mas tem um bom grupo de amigos na escola e no
rúgbi. “A criança começa a exigir espaço, liberdade para se construir, para
desenvolver sua inteligência. Para que essa energia vital se desenvolva, é
fundamental que a escola e os adultos, a proporcionem um ambiente rico e
estimulante. Caso contrário, a criança pode ficar apática ou difícil de
lidar".
É difícil hoje em dia deixar um pré-adolescente se
divertir sozinho na natureza, para atender sua necessidade de independência!
Mas atividades como o escotismo ou acampamentos em grupo podem ser uma
excelente saída. Eles são levados a assumir riscos medidos dentro de uma
estrutura específica. “A liberdade não pode ser imaginada sem
responsabilidade”, lembra o treinador Montessori. Cipriano quer ir sozinho de
bicicleta para a casa de seus amigos a poucos quilômetros de distância. Uma boa
saída é que seus pais o acompanhem pela primeira vez, mostrando os perigos que
podem surgir, e deem uma hora para o seu retorno. Cuidado para não dar à
criança uma liberdade que ela não pode assumir, avisa o padre Piron: “Não
confiaríamos uma faca de cozinha a uma criança de 4 anos, por isso, também não
devemos deixar sozinha na frente do computador a criança de 12 anos”. Também
para Bernadette Lemoine, a liberdade é condicional: “É preciso ser firme com a
criança, explicar-lhe que impor limites é protegê-la e que aos poucos iremos
confiar cada vez mais nela".
Ajude
o pré-adolescente a verbalizar o que está sentindo, sem nunca julgá-lo
Outro ponto essencial e desafiante é educar para a
frustração, em uma sociedade que oferece todos os tipos de prazeres imediatos.
“A criança é manipulável, por isso é fundamental que ela aprenda a escolher o
que é bom para ela, mesmo que o que é bom não seja aquilo que ela deseja fazer.
O que entra em jogo é a educação da vontade”, aconselham Bernadette Lemoine e
Véronique Lemoine-Cordier. Dar à criança tudo o que ela pede é mantê-la na
ilusão da onipotência.
Ao aprender a escolher e buscar o que é bom pra
ela, a buscar o que é verdade, a criança irá gradualmente dominar sua
afetividade e administrar suas emoções. Véronique Lemoine-Cordier explica: “O
pré-adolescente é muitas vezes hipersensível, emocionalmente frágil. Ele pode
ter uma reação desproporcional a uma situação agradável ou desagradável. É
importante ajudá-lo a verbalizar o que está sentindo, sem jamais
julgá-lo".
Finalmente, seu equilíbrio depende da autoridade
equilibrada dos pais. Se os pais souberem como estabelecer as regras e não
tiverem medo de estabelecer uma relação de autoridade para com seus filhos,
eles crescerão em segurança. “A palavra 'autoridade' tem a mesma raiz da
palavra 'tutor', conclui Anne Kolly. Sem ele, a criança é incapaz de se
construir e crescer em direção à luz".

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