Esses são sinais de boa saúde mental.
20/06/26
Uma boa saúde mental não significa
simplesmente a ausência de ansiedade ou depressão. O psicólogo canadense
Nicholas Balaisis explica como a boa saúde mental se manifesta no dia a dia.
Como aponta o psicólogo canadense Nicholas
Balaisis, a saúde mental é frequentemente definida simplesmente como a ausência
de transtornos mentais. Em um artigo publicado na Psychology Today, ele
apresenta cinco indicadores concretos de boa saúde mental. Para elaborar essa
lista, ele se baseia na obra do sociólogo e psicanalista germano-americano
Erich Fromm, que estabeleceu os critérios para saúde mental já na década de
1960.
1Eles irradiam uma energia psíquica equilibrada.
Uma boa saúde mental não significa viver em um estado constante de felicidade ou na ausência de dias difíceis. Nicholas Balaisis nos lembra que um estado mental saudável se manifesta principalmente por meio de um certo equilíbrio interior. Segundo Fromm, "o bem-estar pressupõe um certo nível de energia ou vitalidade no indivíduo, que não é obsessivo nem neurótico".
Portanto, uma pessoa mentalmente saudável pode
vivenciar períodos de desesperança ou tristeza, mas, apesar disso, a vida não é
um fardo para ela. Essa pessoa se caracteriza pela capacidade de enfrentar
desafios sem se sentir sobrecarregada.
2Saber como ficar sozinho consigo mesmo
Outro indicador de boa saúde mental é a capacidade
de ficar sozinho consigo mesmo. Numa era de estímulos constantes, não sentir a
necessidade de escapar constantemente da solidão — seja através de atividades
intermináveis ou passando horas no
celular — é um sinal de estabilidade psicológica.
Segundo o psicólogo, quando uma pessoa se distancia
de certos comportamentos viciantes, como o uso excessivo de telas ou o consumo
de cigarros, ela pode experimentar um profundo tédio, isolamento ou
irritabilidade, à medida que seus pensamentos e emoções vêm à tona. Por outro
lado, "alguém que pratica a capacidade de estar consigo mesmo geralmente
consegue controlar e gerenciar os diversos pensamentos que surgem ao longo do
dia", explica Balaisis. "Esses pensamentos podem, às vezes, ser
sombrios ou autocríticos, mas também podem nos encher de curiosidade e um senso
de autoestima", acrescenta.
3Aceite tanto a alegria quanto a tristeza.
Uma boa saúde mental envolve a capacidade de
aceitar toda a gama de emoções. O bem-estar "envolve a capacidade de
sentir prazer e alegria quando algo é agradável, mas também tristeza e raiva
quando nos sentimos ameaçados ou magoados", explica Balaisis.
Na opinião dela, algumas pessoas desenvolvem uma
forma de entorpecimento emocional, frequentemente relacionada a traumas, que
funciona como um mecanismo de defesa contra a dor. No entanto, sentir dor,
perda ou tristeza é um sinal de boa saúde mental, pois significa que a pessoa
ainda permite que os acontecimentos a afetem.
4Fique de olho nos outros.
A saúde mental também se reflete na nossa
capacidade de permanecermos abertos aos outros e ao mundo à nossa volta.
"Quando não nos sentimos bem psicologicamente, muitas vezes perdemos todo
o interesse pelas pessoas, atividades e coisas que costumavam nos fazer
felizes", explica Balaisis.
Na opinião dele, uma boa saúde mental significa
precisamente a capacidade de superar o foco excessivo nas próprias
dificuldades, o que nos leva a ajudar os outros sem medo de nos perdermos.
5Manter uma visão realista do mundo
Segundo Erich Fromm ,
uma pessoa psicologicamente saudável é capaz de ver o mundo como ele realmente
é e reagir a ele de forma apropriada. Isso requer certa maturidade emocional e
a capacidade de distinguir entre as próprias experiências, feridas ou memórias
e a realidade do momento presente. Balaisis acredita que essa percepção envolve
abandonar a visão idealizada do mundo que vem da infância e aceitar o fato de
que o mundo contém tanto bondade quanto crueldade, alegria e provações.
Uma boa saúde mental também implica a ausência de respostas automáticas ou comportamentos baseados em mecanismos de sobrevivência aprendidos, "mas sim reagir às situações de acordo com o que o momento presente realmente exige", conclui o psicólogo.

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