5 dicas de um santo para combater a tibieza espiritual
19/06/26
Quando a oração se torna rotina, a fé
perde o seu frescor e o coração deixa de ansiar por Deus; não se desespere. Um
santo oferece este conselho.
A tibieza espiritual nem sempre se manifesta como
um distanciamento de Deus. Às vezes, parece bastante pacífica: continuamos a
orar, continuamos a ir à igreja, continuamos a nos considerar crentes. No
entanto, algo dentro de nós esfria. A oração torna-se uma obrigação, os
sacramentos uma rotina, e o coração deixa de ansiar por mais.
Santo Antônio Maria Zaccaria compreendeu
bem esse perigo. Ele viveu no século XVI, uma época de profundas tensões
religiosas, declínio moral e grande necessidade de renovação da vida cristã.
Era médico, sacerdote e fundador dos Clérigos Regulares de São Paulo,
conhecidos como Barnabitas . Ele
ansiava por despertar os fiéis de sua letargia espiritual e guiá-los rumo ao
amor vivo de Cristo Crucificado.
Ele não era um homem de meias medidas. Em sua
espiritualidade não há espaço para complacência, mas também não há uma
severidade que extinga a esperança. É, antes, um chamado dirigido ao coração:
não desista, porque Deus tem mais reservado para você.
Aqui estão cinco conselhos de Santo Antônio Maria
Zaccaria que podem ajudar a combater a tibieza espiritual.
1Lembre-se de que seu objetivo é Deus.
A apatia muitas vezes começa quando perdemos de
vista nosso objetivo. Vivemos imersos em afazeres diários, obrigações, planos,
preocupações, sucessos e fracassos. Tudo isso é importante. Mas nada disso é o
nosso destino final.
Santo Antônio Maria Zaccaria nos lembra que os
seres humanos foram criados para Deus. Não para o conforto. Não para a opinião
dos outros. Não para a tranquilidade. Não para a nossa própria segurança. Para
Deus.
Isso não significa que a vida cotidiana seja um
obstáculo. Pelo contrário, o trabalho, a família, os relacionamentos, o
descanso e as obrigações podem se tornar um caminho para a santidade. O
problema surge quando o caminho começa a ser confundido com o objetivo.
Por isso, vale a pena retornar a uma pergunta
simples: O que estou vivenciando hoje me aproxima de Deus? Essa pergunta pode
despertar a consciência sem medo. Ela não acusa. Ela guia o coração na direção
certa.
2NÃO SE CONTENTE COM O MÍNIMO
A alma morna tende a dizer com muita facilidade:
"Basta". A missa de domingo basta. Uma oração rápida basta. Não fazer
nada muito errado basta. Ser "uma pessoa decente" basta.
Mas o amor não se contenta com o mínimo. Quem ama
não pergunta simplesmente: "O que eu tenho que fazer?". Em vez disso,
pergunta: "O que mais eu posso dar?".
Santo Antônio Maria Zaccaria não incentiva o
perfeccionismo espiritual. Não se trata de sentir-se constantemente culpado por
fazer pouco. Trata-se de algo mais profundo: um coração que não quer tratar
Deus como um mero acréscimo à vida.
O cristianismo não se resume a evitar o pecado. É
uma resposta ao amor de Deus. E a resposta ao amor não pode ser indiferente,
calculista ou fria.
Às vezes, o primeiro passo para vencer a tibieza é
muito simples: rezar com mais atenção, confessar-se não por hábito, mas por
desejo de conversão, fazer algo de bom sem esperar agradecimentos.
3Continue, mesmo que seja em pequenos passos.
Para Santo Antônio Maria, a estagnação na vida
espiritual era perigosa. O coração humano raramente permanece imóvel. Se não
cresce no amor, facilmente começa a esfriar.
Por isso, a vida espiritual precisa de movimento.
Nem sempre precisa ser algo grandioso e espetacular. Muitas vezes, é algo muito
simples: uma oração feita apesar do cansaço, um ato de paciência, uma decisão
de perdoar, um momento de silêncio diante de Deus, um reconhecimento sincero da
própria fraqueza.
Você não precisa mudar toda a sua vida de uma vez.
Às vezes, basta não desistir do próximo passo na direção certa.
A indiferença prospera na procrastinação: "Vou
rezar mais tarde", "Vou me confessar de novo algum dia",
"Vou resolver esse relacionamento outro dia", "ainda não".
O zelo começa com algo simples: hoje.
Deus não exige de nós uma perfeição espetacular.
Ele deseja um coração que se deixe guiar.
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4DESCONECTE-SE DO QUE ESTÁ TE IMPEDINDO
Nem tudo que nos afasta de Deus é inerentemente
ruim. Às vezes, são coisas boas que ocupam um lugar inadequado: trabalho,
ambições, relacionamentos, descanso, o telefone, preocupação com a opinião dos
outros, necessidade de controle.
Santo Antônio Maria Zaccaria nos ensina a usar as
coisas criadas como uma escada que nos leva a Deus. O problema surge quando, em
vez de subir essa escada, paramos nela e nos acomodamos em um lugar
confortável.
Os apegos nem sempre têm um aspecto dramático. Às
vezes, manifestam-se de maneiras muito cotidianas: não tenho tempo para orar,
mas tenho tempo para ficar olhando para o celular sem pensar em nada. Não tenho
forças para falar com Deus, mas tenho energia para passar horas me preocupando
com o que as pessoas vão dizer. Não sei como confiar no Senhor porque quero
controlar tudo demais.
Por isso, vale a pena nos perguntarmos
honestamente: o que mais me impede de avançar no meu caminho para Deus? O que
está me roubando a liberdade do coração?
O desapego não é uma perda. É a reconquista da
liberdade. Um coração verdadeiramente livre não pertence aos seus medos,
caprichos ou ambições. Pertence a Deus.
5DESPERTE O ENTUSIASMO ATRAVÉS DA LEALDADE
O fervor não é apenas uma emoção. Nem sempre significa
sentir-se comovido durante a oração, entusiasmo, leveza espiritual ou uma
sensação de proximidade com Deus. Às vezes, o verdadeiro fervor começa
justamente quando você não sente nada.
É a oração na aridez da vida. Amor quando custa
caro. Fidelidade quando ninguém está olhando. Serviço quando não há aplausos. O
retorno a Deus após mais uma queda.
Santo Antônio Maria Zaccaria nos lembra que o fogo
espiritual deve ser alimentado por decisões concretas: renovar as boas
intenções, lutar contra o egoísmo, cumprir a vontade de Deus e permanecer perto
de Cristo Crucificado.
Não esperemos, então, que o zelo retorne por si só
como um sentimento. Comecemos com a ação. Com um pequeno ato de amor. Com
uma oração proferida
com empenho. Com o bem escolhido apesar da resistência.
Muitas vezes, é precisamente a fidelidade que
reacende o coração.
A
frivolidade pode ser o início da conversão.
A pior forma de tibieza é aquela que já não
conseguimos enxergar. Portanto, se alguém descobre em si mesmo cansaço
espiritual, indiferença ou frieza, não é motivo para desespero. Pode ser uma
graça. Deus nos mostra a verdade não para nos envergonhar, mas para nos
despertar.
Santo Antônio Maria Zaccaria não nos conduz ao
ativismo frenético ou ao perfeccionismo ansioso. Ele nos conduz a um amor maior
que a mediocridade, a uma fé que se recusa a ser mero hábito e a um coração que
se lembra de que foi criado para Deus.
Talvez hoje não seja preciso fazer grandes
resoluções. Talvez uma simples oração sincera baste: "Senhor, reacende em
mim o que esfriou."
A verdadeira renovação pode começar com uma oração
como esta:
Oração
Santo Antônio Maria Zaccaria, inimigo da tibieza e
amante de Cristo Crucificado, obtende para nós um coração que não se contenta
com a mediocridade.
Ensina-nos a perseverar, a amar mais profundamente
e a escolher Deus acima de tudo o que nos impede.
Acende em nós um zelo santo, fiel não só nos momentos fáceis, mas também quando
a oração se torna árida, o amor exigente e o caminho difícil.
Amém.

Edição Espanhol

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