Como a paternidade transforma: quatro histórias reais
20/06/26
Desde os primeiros anos como pai até a
fase de avô... Aleteia apresenta testemunhos de pais que vivem seu compromisso
familiar com os olhos fixos no Céu.
Existem amores que se assemelham ao amor de Deus e
podem ser vistos todos os dias. Um deles é o amor de um pai por seus filhos.
Para melhor compreender essa vocação, a Aleteia entrevistou quatro pais que
compartilharam suas experiências em diferentes fases da paternidade: desde os
primeiros anos dos filhos, passando pela adolescência, até a vida adulta e a
chegada dos netos.
Ser
pai nos primeiros anos
Para Nivardo, pai de crianças pequenas (três filhos
de cinco, três anos e cinco meses), esta fase é marcada por exaustão física,
cuidados constantes, longas noites e dedicação total; mas também por uma grande
alegria diária, repleta de belos momentos.
Ela descreve seus filhos como "doces e
engraçados", preenchendo seus dias com travessuras e risadas. Em meio a
essa atividade constante, ela se encanta em vê-los crescer, descobrindo como
suas personalidades estão se desenvolvendo e, ao mesmo tempo, desejando que o
tempo parasse para que ela pudesse continuar abraçando-os enquanto ainda são
pequenos.
“O mais bonito é o tempo de qualidade que você pode
passar com eles”, explica ela, referindo-se àqueles momentos de brincadeira,
proximidade e carinho que criam laços profundos.
Um dos momentos que ele mais valoriza acontece
quando chega em casa:
“Assim que estaciono o carro em frente de casa,
ouço eles correndo, espiando pela janela e gritando 'Papai!'. Quando entro em
casa, todos pulam em cima de mim, querendo me mostrar o que estão fazendo ou me
chamam para brincar.”
No entanto, ele também reconhece o lado exigente
dessa fase: o sacrifício pessoal. A paternidade, diz ele, envolve "dar
tudo de si e realmente não deixar nada para si mesmo", o que requer
reorganizar toda a sua vida para colocar a família no centro.
Crescendo
com eles
Alfonso, pai de três filhos, está em diferentes
fases da vida: adolescente, pré-adolescente e menina.
Conviver com crianças em diferentes estágios de
desenvolvimento ensinou-lhe que cada uma é única, com seu próprio caráter,
necessidades e maneira de ver o mundo. Um dos maiores desafios tem sido
justamente compreender que não existe uma única maneira de criar filhos e que
cada criança requer um apoio diferente.

Dentre os momentos mais marcantes que viveu, um permanece especialmente vívido em sua memória. Após cuidar do filho doente durante várias noites difíceis, ele ouviu palavras inesperadas: "Obrigado, pai, por cuidar de mim."
“Foi uma frase que eu nunca esperava, não estava
preparado para ela. Como pai, você sabe que faz o que é necessário para que
seus filhos fiquem bem e nunca espera nada em troca, você simplesmente faz. Mas
naquela ocasião, eu soube o que é o amor, no afeto de um filho por seu pai.”
Para Alfonso, a paternidade também abre uma porta
interior: "Quando você se torna pai, tem a oportunidade de curar a criança
interior que todos carregamos dentro de nós."
Acompanhando-os
até a idade adulta.
Rafael, pai de filhos adultos, encara a paternidade
a partir da perspectiva de sua própria jornada. Para ele, ser pai é, acima de
tudo, “uma bênção de Deus” e uma experiência que o transformou profundamente.
Ele recorda o nascimento dos filhos com particular
emoção, momentos que foram os mais belos da sua vida. Contudo, reconhece que a
paternidade nunca oferece respostas definitivas: é um processo de aprendizagem
constante que se renova a cada ano que passa.
Desde o início de sua vida como pai, ele conviveu com o medo de não estar à altura da tarefa: de não ser capaz de guiar, educar ou proteger seus filhos como desejava. Esse medo o levou a se apoiar na fé, buscando na oração a força necessária para sustentar sua vocação.
Com o tempo, um dos frutos que ele mais valoriza é
o relacionamento entre seus filhos: vê-los unidos, cuidando uns dos outros, é
motivo de orgulho e gratidão para ele.
Ao refletir sobre sua vida, ele resume sua vocação
da seguinte forma:
“Amá-los com todo o meu coração, sacrificar-me por
eles e refletir o amor de Deus para eles.”
De
pai a avô
Ignacio vivencia essa vocação de uma perspectiva
ainda mais ampla: observando suas quatro filhas crescerem e desenvolverem todo
o seu potencial e, ao mesmo tempo, redescobrindo a ternura através de seus dez
netos. A paternidade, longe de terminar, se expande.
"O amor que recebi da minha esposa e filhas, e agora dos meus netos, eu nunca imaginei que fosse tão maravilhoso."
Olhando para trás, ele reconhece que um dos maiores
desafios foi aprender a ser pai sem um manual de instruções. No entanto, ele
também afirma que o amor — juntamente com a ajuda de Deus — foi suficiente para
sustentá-lo: “Eu não tive escola… mas com amor e a ajuda de Deus, acho que me
saí muito bem.”
Seu relacionamento com Deus também foi
profundamente transformado por meio de suas filhas. Nelas, ela descobriu a
presença do Senhor de uma forma concreta e cotidiana, afirmando que elas
próprias eram um caminho para conhecê-Lo.
Ao resumir sua vocação como pai e avô, sua resposta
aponta diretamente para o Céu:
"Vivo e trabalho por essas vocações, para que
um dia eu possa estar com minha esposa, minhas filhas e meus netos no
céu."
Uma
vocação que leva ao Céu
Cada fase da paternidade tem sua própria linguagem,
mas todas compartilham a mesma raiz: o amor dado sem medida. Ao longo do
caminho, muitos pais descobrem que não estão apenas criando seus filhos, mas
também sendo transformados em um reflexo do amor de Deus.

Edição Espanhol




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