Igreja

O Papa Leão XIII testemunha o milagre recorrente de Nápoles.

09/05/26

Ao mencionar o famoso entusiasmo de Nápoles, o Papa disse: "Hoje, estou aqui também para me deixar contagiar por essa alegria". Ele passou parte do seu primeiro aniversário de casamento aqui.

O sangue de São Januário, santo de grande devoção popular em Nápoles, foi de fato liquefeito durante a visita de Leão XIV à cidade em 8 de maio de 2026. Da catedral que abriga a famosa relíquia, diante de cerca de 2.000 clérigos e religiosos da diocese, o Papa transmitiu suas palavras de encorajamento aos sacerdotes no difícil contexto social desta cidade marcada por "múltiplas faces da pobreza" e "ensanguentada pela violência".

Após passar a manhã de sexta-feira em Pompeia, o Papa embarcou em um helicóptero rumo a Nápoles, capital da Campânia, a cerca de 32 quilômetros de distância. "Vim a Nápoles para vivenciar o calor que só Nápoles pode oferecer", declarou o Bispo de Roma ao fazer sua primeira parada na catedral da cidade.

Falando brevemente nos degraus, ele explicou que queria "prestar homenagem a São Januário, que significa tanto para a sua devoção e a sua fé".

De fato, um dos primeiros atos do Pontífice na catedral foi a veneração do sangue deste antigo mártir, preservado em um precioso relicário. O lendário milagre de sua liquefação é um evento muito popular em Nápoles: todos os anos, é visto como um sinal de bênção divina se ocorrer e de infortúnio se não ocorrer. Como seus antecessores, Leão XIV participou dessa tradição, erguendo o frasco e mostrando à assembleia, com um sorriso, que o sangue de fato se liquefazia — a relíquia estava nesse estado desde 2 de maio.

Descubra aqui a história e o significado desse milagre recorrente:

O Santo Padre fez dois discursos durante as poucas horas que passou em Nápoles, o primeiro ao clero e aos religiosos, e o segundo à multidão reunida na praça.

Desde o início de seu primeiro discurso, o Pontífice elogiou um povo "inconfundível e alegre, apesar do peso de tantas dificuldades".

"Hoje, estou aqui também para me deixar contagiar por essa alegria", afirmou, provocando uma longa salva de palmas. Ele também prestou homenagem à "religiosidade popular, espontânea e efervescente" dos napolitanos.

Nápoles é conhecida especialmente pela onda de crime organizado e pelas famosas máfias italianas. Mas cerca de 50 mil napolitanos dançaram e cantaram ao se encontrarem com o Pontífice, que retribuiu com alegria. Um momento particularmente emblemático aconteceu quando lhe ofereceram um pedaço da famosa pizza da região.

Diante do prefeito Gaetano Manfredi, Leão XIV celebrou a beleza desta "pérola do Mediterrâneo, que o Vesúvio contempla do alto".

Mas o Pontífice também reconheceu as "feridas, a pobreza e os medos" que permeiam uma Nápoles "frequentemente cansada, desorientada e desiludida". Quase 40% das famílias na região metropolitana de Nápoles têm dificuldades para sobreviver, segundo um estudo do instituto de estatística ISTAT publicado em abril.

Em um discurso que recebeu uma ovação de pé antes da mensagem do Papa, o Arcebispo de Nápoles, Cardeal Domenico Battaglia, denunciou inequivocamente a Camorra – a máfia que continua a perpetrar seus crimes na região. Ele apontou para sua “mentira educacional, [sua] falsa promessa, [sua] religião do dinheiro”.

Leão XIV exortou o povo a não abandonar o sonho de uma Nápoles "redimida do mal e curada de suas feridas". Encorajou-os a unirem-se para "reconstruir a cidade, proteger seus filhos das armadilhas da angústia e do mal" e fazer da cidade "uma capital da humanidade e da esperança".

Viva Nápoles !" -- Viva Nápoles! -- exclamou o Papa, pegando novamente o microfone no final da reunião, antes de partir para retornar ao Vaticano. 

Edição Inglês

Comentários