O que antes causava angústia agora traz esperança, reflete o Papa.
03/05/26
No lugar para onde Jesus nos levará,
"a gratidão toma o lugar da competição; o acolhimento vence a exclusão; e
a abundância não implica mais desigualdade".
Neste dia 3 de maio, antes de rezar o Ângelus ao
meio-dia, o Papa Leão XIII compartilhou um pouco da alegria do Céu, observando
que as palavras de Jesus, de que Ele irá preparar um lugar para nós, podem nos
encher de esperança.
Nesse novo mundo, "ninguém está perdido... em
Deus, todos são plenamente eles mesmos".
"Na verdade, é isso que buscamos a vida
inteira, às vezes dispostos a tudo para receber um pouco de atenção e
reconhecimento", disse ele. Mas a fé naquilo que nos é prometido
"liberta nossos corações da ansiedade de possuir e adquirir, e da ilusão
de que precisamos buscar uma posição de prestígio para ter valor. Cada pessoa
já possui valor infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira
realidade."
Segue o texto completo de sua breve reflexão:
Queridos
irmãos e irmãs, feliz domingo!
Durante o tempo da Páscoa, tal como a Igreja
primitiva, voltamos às palavras de Jesus, que revelam o seu pleno significado à
luz da sua paixão, morte e ressurreição. Aquilo que outrora escapou aos
discípulos ou lhes causou angústia, agora volta às suas mentes, aquece os seus
corações e os enche de esperança.
O Evangelho proclamado neste domingo apresenta o
diálogo do Mestre com os seus discípulos durante a Última Ceia. Em particular,
ouvimos uma promessa que nos envolve, desde já, no mistério da sua
Ressurreição. Jesus diz: «Se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos
levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também» ( Jo 14,3). Os Apóstolos
descobrem, assim, que Deus tem um lugar para todos. Dois deles já tinham
experimentado isso durante o seu primeiro encontro com Jesus junto ao rio
Jordão. Jesus viu que o seguiam e convidou-os, nessa tarde, a visitar o lugar
onde se encontrava (cf. Jo 1,39).
Mesmo agora, perante a morte, Jesus fala de uma casa, mas desta vez uma casa
muito grande. É a casa do seu Pai e nosso Pai, onde há lugar para todos. O
Filho descreve-se como o servo que prepara os aposentos, para que cada irmão ou
irmã, ao chegar, encontre o seu próprio lugar pronto e sinta que sempre foi
desejado e que finalmente foi encontrado.
Queridos amigos, no velho mundo em que ainda
caminhamos, o que atrai a atenção são lugares exclusivos, experiências
acessíveis apenas a poucos e o privilégio de entrar onde outros não podem. No
novo mundo para o qual o Ressuscitado nos conduz, porém, o que há de mais
valioso está ao alcance de todos. Contudo, isso não o torna menos atraente.
Pelo contrário, o que está aberto a todos agora traz alegria. A gratidão toma o
lugar da competição; o acolhimento vence a exclusão; e a abundância não implica
mais desigualdade. Acima de tudo, ninguém é confundido com outra pessoa, e
ninguém está perdido. A morte ameaça apagar o nome e a memória, mas em Deus
todos são plenamente eles mesmos. Verdadeiramente, é isso que buscamos durante
toda a vida, às vezes dispostos a tudo para obter um pouco de atenção e
reconhecimento.
“Tenham fé”, diz-nos Jesus. Esse é o segredo!
“Tenham fé em Deus; tenham fé também em mim” ( Jo 14,1). É precisamente essa fé que liberta nossos
corações da ansiedade de possuir e adquirir, e da ilusão de que precisamos buscar
uma posição de prestígio para termos valor. Cada pessoa já possui valor
infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira realidade. Amando uns aos
outros como Jesus nos amou, transmitimos essa consciência uns aos outros. Este
é o novo mandamento; dessa forma, antecipamos o céu na terra e revelamos a
todos que a fraternidade e a paz são a nossa vocação. De fato, através do amor,
em meio a uma multidão de irmãos e irmãs, cada um descobre que foi criado de
forma única.
Rezemos, então, a Maria Santíssima, Mãe da Igreja, para que cada comunidade cristã seja um lar aberto a todos e atento a cada pessoa.

Edição Inglês

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