Bispos da Venezuela após encontro com o Papa: Acompanhem-nos com suas orações!
11/05/26
O arcebispo que lidera a delegação
venezuelana em visita ao Papa envia uma mensagem e uma bênção após o encontro.
Aleteia analisa o contexto do país, bem como os belos e singulares presentes
oferecidos pela Igreja e seu profundo significado.
Por meio da Aleteia, o presidente da Conferência
Episcopal Venezuelana envia uma mensagem breve, emocionante e comovente ao
mundo, diretamente do Vaticano. É a primeira mensagem desse tipo desde os
eventos de 3 de janeiro de 2016, quando o mundo parou para observar o que
acontecia na amada nação sul-americana.
“De Roma, onde me encontro na companhia dos membros
do conselho de administração da Conferência Episcopal Venezuelana para me
reunir com o Santo Padre Leão XIV e alguns de seus colaboradores, envio minhas
saudações e bênçãos àqueles que trabalham na Aleteia e a todos os seus
seguidores.”
Este texto foi escrito por Monsenhor Jesús González
de Zárate, que conhece em primeira mão a complexa situação do país e que serviu
durante muitos anos como bispo auxiliar de Caracas. Caracas é a capital e o
coração da Igreja Católica, que tem sido alvo de ataques no grave contexto
sociopolítico do país.
“Para nós, estes dias representam uma magnífica
oportunidade para fortalecer os laços de comunhão eclesial e servir o povo
venezuelano, do qual fomos designados pastores”, disse ele em sua saudação após
o Papa receber os prelados venezuelanos na segunda-feira, 4 de maio de 2026.
“Pedimos a todos que continuem a nos acompanhar com
suas orações, com seu interesse na situação que nosso país atravessa hoje e com
o apoio que puderem nos dar para construir uma Igreja e uma sociedade em que
vivamos no amor, na justiça, na liberdade e na paz, segundo o plano de Deus”,
disse ele em contato com a Aleteia.
“Minhas bênçãos a todos!”, concluiu o arcebispo,
nomeado bispo auxiliar de Caracas pelo Papa Bento XVI em
2007. Homem de fé, foi ordenado pelo amado cardeal venezuelano Jorge Urosa, na
companhia de figuras emblemáticas como os prelados Baltazar Porras e Ubaldo
Santana.
Uma
alegria transbordante e comovente
Mais acostumado à incerteza do que às boas
notícias, mas também impulsionado por uma fé inabalável, o povo venezuelano
recebeu a notícia do encontro com enorme surpresa. Quando as primeiras fotos da
reunião no Palácio Apostólico circularam, uma profunda alegria tomou conta do
país.
Membros da liderança da Conferência
Episcopal Venezuelana visitaram o Vaticano e estarão em Roma
por alguns dias. Participaram do encontro com o Santo Padre os Monsenhores
Jesús González de Zárate, José Luis Azuaje Ayala, Carlos Curiel e José Antonio
Da Conceição Ferreira.
O presidente da Conferência Episcopal transmitiu ao
Papa “as saudações de nossos irmãos e irmãs e dos 45 bispos que servem a
Venezuela”. Eles também discutiram as nomeações episcopais para o país, que
agora somam sete, quase um ano após o início do pontificado.
Eles abordaram a situação na Venezuela e suplicaram
pelo bem-estar dos venezuelanos, tanto dentro como fora das suas fronteiras.
Realizaram também uma troca de presentes singular — como o Vaticano a denomina,
simbolizando a transcendência de uma oferta que vai além do material.
Significado
dos presentes para o Papa
Um profundo simbolismo de amor a Deus se esconde na
simplicidade, humildade e beleza das dádivas oferecidas pela Igreja
venezuelana. Em consonância com a natureza de um Deus trinitário, três elementos
cativaram o Papa: um religioso, um relacionado à identidade/vida terrena e um
ligado ao esporte, que lhe arrancaram sorrisos sinceros.
Os bispos presentearam com três itens de profundo
significado: chocolate, fruto do cacaueiro que cresce em solo venezuelano para
trazer alegria aos corações e às vidas, mesmo nos momentos mais amargos e
difíceis. Um símbolo das mãos nobres que cultivam a terra com amor e, com
respeito, extraem o melhor dela.
Ornamentos confeccionados com a imagem da Virgem
Maria. Uma invocação especial: Nossa
Senhora de Coromoto, Padroeira da Venezuela, que deixou uma
marca após sua aparição. Um caso excepcional, comparável ao de Guadalupe, já
que em ambos os casos restou um fragmento, fenômeno conhecido como aquétipo.
Finalmente, um uniforme esportivo que emocionou,
encantou e trouxe sorrisos aos rostos dos bispos e do Papa Leão XIV. Eles
brincaram dizendo que a vestimenta para a qual o Santo Padre posou com tanto
carinho representava a seleção venezuelana de beisebol, a Vinotinto, que
acabara de ser coroada campeã mundial — nos Estados Unidos, nada menos!
“Em
primeiro lugar, devemos agradecer a Deus!”
Considerando a herança americana e o coração latino
do Papa, e sua paixão pelo beisebol, o presente foi uma bela surpresa. Também
trouxe à tona um momento emocionante em que o jogador mais valioso do esporte
caiu de joelhos no estádio e, abraçando a bandeira venezuelana, ergueu os olhos
para o céu, imortalizando um silencioso: Obrigado, Deus!
Na noite de 17 de março, ele foi coroado campeão do
Clássico Mundial de Beisebol de 2026, nos Estados Unidos. Gestos e orações se
seguiram por parte do atleta vitorioso, cujas famílias não viam um sorriso há
muito tempo: "Temos que agradecer a Deus em primeiro lugar", disse o
técnico venezuelano na ocasião.
De fato, suas primeiras palavras ao receber o
prêmio foram para Deus e, mais importante, "para todos os
venezuelanos", como ele reconheceria mais tarde, profundamente emocionado.
"Grato a Deus por esta oportunidade", acrescentaria o Jogador Mais
Valioso (MVP), juntando-se a uma série de gestos e expressões de gratidão
simples, porém significativos.
“Continuemos
orando pela Venezuela!”
Sutis, porém claros, os contrastes são evidentes.
Em janeiro, o apelo da Igreja Católica foi excepcionalmente breve. A mensagem
da Conferência Episcopal, por sua vez, foi excepcionalmente prudente e se
afastou das declarações usuais, que neste país tendem a ser longas e bem
fundamentadas.
Naquela ocasião, a Igreja Católica escreveu apenas
um parágrafo; nada mais era necessário: “Diante dos acontecimentos que nosso
país vivencia hoje, peçamos a Deus que conceda a todos os venezuelanos
serenidade, sabedoria e força. Manifestamos nossa solidariedade aos feridos e
às famílias dos falecidos.”
Eles encerraram o texto com um clamor que
rapidamente se tornou o ponto em comum entre os venezuelanos e ao qual os
bispos, que com afeto paternal se encontraram com o Santo Padre, apelam mais
uma vez: o nobre imperativo da oração: “Perseveremos na oração”, disseram então
e reiteram hoje: Continuemos a rezar pela Venezuela!
“Sua
escuridão se transformará em meio-dia!”
O apelo dos bispos também encontra eco em outro
coração "venezuelano" no Vaticano, o do Cardeal Secretário de Estado
Pietro Parolin. Ele teve a providencial responsabilidade de presidir a Missa de
Ação de Graças pela canonização do Dr. José Gregorio Hernández e da Madre
Carmen Rendiles.
Uma frase do amado prelado italiano, que amava o
país onde serviu como Núncio Apostólico por muitos anos, provou-se profética.
Naquela missa, ele disse: “Nossa amada Venezuela passará da morte para a vida”.
E assim, querida Venezuela, insistiu ele em sua comovente proclamação: “Sua luz
brilhará nas trevas, suas trevas se tornarão meio-dia!”

Edição Espanhol

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