Cinco técnicas para aprender a controlar as emoções
26/05/26
Raiva avassaladora, ansiedade
avassaladora: às vezes, certas emoções tomam conta. No entanto, tentar
silenciá-las imediatamente pode ser contraproducente.
Raiva, ansiedade… Às vezes, nos sentimos
sobrecarregados por nossas emoções, a ponto de elas se tornarem um obstáculo em
nosso dia a dia. O Dr. Bernard Anselem — neurocientista, palestrante e autor —
analisa os mecanismos emocionais que nos dominam e compartilha algumas
técnicas.
"Uma emoção intensa não dura muito se não a
alimentarmos", ela nos lembra. "Mas precisamos aprender a não
alimentar a 'onda emocional' com pensamentos que reacendem a emoção ,
com ruminação ou com a negação do sentimento." Aqui estão cinco dicas
concretas para começar a gerenciar melhor suas emoções no dia a dia.
1Para nomear com precisão o que se sente.
“Assim que tomamos consciência de uma emoção, o
primeiro passo é sermos capazes de nomeá-la”, explica Bernard Anselem. Esse
simples ato cria uma espécie de distanciamento interno. Muitas pessoas usam a
palavra “estresse” para descrever realidades muito diferentes: medo,
frustração, tristeza ou raiva. No entanto, “quanto mais rico for nosso vocabulário
emocional, maior será o distanciamento que conseguiremos criar”, enfatiza o
especialista. “Ler, ouvir e observar emoções em filmes ou livros também ajuda a
desenvolver essa sutileza interna”, acrescenta.
Sophie, professora do ensino fundamental, confirma
isso: "Algumas crianças dizem imediatamente que são 'más' ou 'um
desastre', quando na realidade estão decepcionadas ou ofendidas." Para
ajudá-las, ela trabalha com palavras relacionadas às emoções: "Entre
raiva, frustração, injustiça ou decepção, elas gradualmente descobrem as
nuances."
2Retorne ao corpo antes de pensar
Quando as emoções se tornam muito intensas, o
cérebro racional muitas vezes luta para retomar o controle. "Uma
respiração profunda antes de fazer qualquer coisa ativa o sistema nervoso
parassimpático", explica Bernard Anselem. "A respiração lenta, a
coerência dos batimentos cardíacos, uma caminhada rápida ou a atividade física
permitem que o sistema nervoso se acalme."
Camille, mãe de três filhos, aprendeu a usar essa técnica em momentos de tensão familiar. "Antes, quando eu ficava com raiva, reagia imediatamente e a situação rapidamente saía do controle", diz ela. "Agora, saio para uma caminhada de cinco minutos com nosso cachorro. Percebo que meu corpo precisa se acalmar antes que eu consiga pensar com clareza."
3Pare de lutar contra suas emoções.
O reflexo natural costuma ser o de querer fazer
desaparecer imediatamente o que nos incomoda. No entanto, "a supressão
emocional tem um efeito rebote", alerta Bernard Anselem. "Reprimir
uma emoção, pelo contrário, alimenta a tensão subjacente. Os pensamentos ficam
girando em círculos e amplificam ainda mais o desconforto. Tentar suprimir o
surgimento de uma emoção está fadado ao fracasso. Aceitá-la é essencial e evita
a autossabotagem ou a autoculpa. Não há outra opção, já que a emoção é, em
princípio, um processo inconsciente", lembra o especialista.
A aceitação torna-se, então, um meio de interromper
esses pensamentos que ficam girando sem parar. Aceitar não significa amar o que
você sente, mas simplesmente reconhecer que a emoção está ali, momentaneamente.
"Uma emoção é como uma onda: pode ser violenta, mas sabemos que
eventualmente irá se acalmar", explica ela.
O especialista também alerta para duas armadilhas
na educação: a superproteção e a repressão excessiva. Segundo ele, uma criança
precisa de um ambiente seguro, mas também de espaço para aprender a lidar com
suas emoções. A superproteção pode impedir que a criança lide gradualmente com
as frustrações normais da vida, enquanto a autoridade excessivamente rígida
pode sufocar a expressão emocional. O desafio está em apoiar sem sufocar,
mantendo limites claros.
4Evite pensamentos catastróficos.
A gagueira, um distúrbio da fala que muitas vezes é
fonte de desconforto e frustração, afeta mais de 70 milhões de pessoas em todo
o mundo. "Pensamentos geram novas emoções", lembra Bernard Anselem.
Após uma emoção difícil, a mente pode rapidamente criar cenários perturbadores:
"Sou um desastre, nunca vou conseguir, etc." O especialista recomenda
então o que chama de "reavaliação cognitiva", ou seja, aprender a ver
a situação sob uma perspectiva diferente.
Thomas, um estudante de 22 anos, usa esse método
antes das provas. "Antes, eu passava horas imaginando o pior",
confessa. Agora, ele anota seus pensamentos em um caderno e tenta colocá-los em
perspectiva. "Quando penso 'Vou fracassar', tento me lembrar de todas as
vezes em que já tive sucesso."
5Aceitar que as emoções são contagiosas
As emoções são transmitidas muito mais do que
imaginamos. "Percebemos o que a outra pessoa está sentindo diretamente em
seu olhar, expressões faciais, tom de voz ou maneira de andar", explica
Bernard Anselem. "A ansiedade ou, ao contrário, uma postura calma podem influenciar
rapidamente toda uma família ou grupo." O especialista fala em
"correntes emocionais". Ele explica que, felizmente, "gestos e
palavras gentis também transmitem emoções agradáveis, que se espalham em um
efeito piramidal."
O objetivo não é se tornar insensível: "Uma
vez que a emoção tenha sido aceita, identificada e compreendida, pode-se
começar a ver as coisas de uma perspectiva diferente", conclui Bernard
Anselem. Não se trata de suprimir as emoções, mas de aprender gradualmente a conviver
com elas sem sofrer por causa delas.

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