Igreja

Sobre dois relatos contraditórios da Páscoa, o Papa Leão XIII considera-os "notícias falsas".

06/04/26

Do mesmo fato — o túmulo vazio — surgem duas interpretações: uma como fonte de vida nova e eterna, a outra como fonte de morte certa e definitiva.

O Papa Leão XIII considerou um dos exemplos mais marcantes de "notícias falsas" em toda a história da humanidade: os soldados que disseram (após serem subornados) que o corpo de Jesus havia sido roubado.

Nesta segunda-feira de Páscoa, antes de cantar o Regina Caeli com os peregrinos na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIII considerou o chamado cristão como arauto da verdade.

Ele ofereceu palavras de esperança, dizendo que mesmo em um mundo de notícias falsas e mentiras: "Ainda assim, diante de tais obstáculos, a verdade não permanece oculta."

Segue a tradução completa de sua breve reflexão:

Queridos irmãos e irmãs, Cristo ressuscitou! Feliz Páscoa!

Esta saudação, repleta de admiração e alegria, nos acompanhará ao longo desta semana. Ao celebrarmos o novo dia que o Senhor nos concedeu, a liturgia proclama a entrada de toda a criação no tempo da salvação: em nome de Jesus, o desespero da morte é varrido para sempre.

O Evangelho de hoje ( Mt  28,8-15) nos convida a escolher entre dois relatos: o das mulheres que encontraram o Senhor ressuscitado (vv. 9-11) e o dos guardas subornados pelos líderes do Sinédrio (vv. 11-14). O primeiro proclama a vitória de Cristo sobre a morte; o segundo afirma que a morte prevalece sempre e em todas as circunstâncias. Segundo essa versão, Jesus não ressuscitou; em vez disso, seu corpo foi roubado. Do mesmo fato — o túmulo vazio — surgem duas interpretações: uma como fonte de vida nova e eterna, a outra como morte certa e definitiva.

Esse contraste nos convida a refletir sobre o valor do testemunho cristão e a integridade da comunicação humana. Muitas vezes, a proclamação da verdade é obscurecida pelo que hoje chamamos de “notícias falsas” — mentiras, insinuações e acusações infundadas. Contudo, diante de tais obstáculos, a verdade não permanece oculta; pelo contrário, ela vem ao nosso encontro, viva e radiante, iluminando até mesmo a mais profunda escuridão. Assim como falou às mulheres no túmulo, Jesus nos diz hoje: “Não tenham medo; vão e anunciem” (v. 10). Dessa forma, ele próprio se torna a Boa Nova a ser testemunhada no mundo. A Páscoa do Senhor é a nossa Páscoa — a Páscoa de toda a humanidade — pois este homem que morreu por nós é o Filho de Deus, que deu a sua vida por nós. Assim como o Ressuscitado, sempre vivo e presente, liberta o passado de um fim destrutivo, também a proclamação da Páscoa redime o nosso futuro do túmulo.

Caros amigos, quão importante é que este Evangelho alcance, sobretudo, aqueles oprimidos pelo mal que corrompe a história e confunde as consciências! Penso nos povos afligidos pela guerra, nos cristãos perseguidos por sua fé, nas crianças privadas de educação. Anunciar o mistério pascal de Cristo, em palavras e ações, significa dar nova voz à esperança — uma esperança sufocada pelas mãos dos violentos. Onde quer que seja proclamada, a Boa Nova ilumina todas as sombras, em todas as épocas.

Edição Inglês 

Comentários