Ideias que mudaram totalmente a minha maneira de rezar
09/04/26
Para crescermos na vida de oração não é
necessário termos excelentes técnicas ou lermos grandes livros de mestres
espirituais.
Para
crescermos na vida de oração não é necessário termos excelentes técnicas ou
lermos grandes livros de mestres espirituais
Acontece com todo mundo: às vezes, a oração vira
rotina ou fica estancada em nosso interior, como um lago pantanoso, um lugar do
qual não conseguimos sair e que não nos oferece nada de vida…
Mas eu gostaria de compartilhar com vocês algumas
ideias que me ajudaram a ter uma oração mais profunda e melhor. Algumas
descobertas que revolucionaram a minha forma de rezar.
Primeira coisa: oração é fonte de vida. Uma fonte
que não tem motivo para ficar estancada. E por que afirmo isso? Porque a oração
é um dom do Espírito. Rezamos não porque sabemos rezar ou porque temos técnicas
boas de oração. Rezamos porque permitimos que o Espírito que vive em nós brote,
tome consciência e se expresse.
Rezar é perceber nossa realidade mais profunda, o
ponto preciso do nosso ser, pelo qual chegamos até Deus, O tocamos e onde
recebemos um Deus que nos quer oferecer algo.
É uma tomada de consciência. Rezar implica fazer-se
consciente de uma coisa que há muito tempo ficou inconsciente em nós. O lado
divino que se torna consciente quer integrar-se à nossa vida.
E esse espaço de liberdade interior fica entre a
regra e a liberdade: entre as orações que fazemos habitualmente e a presença de
Deus. Neste sentido, se conhecermos nossa “fisionomia espiritual”, vai ajudar
bastante.
Romano Guardini disse:
“A
oração pessoal está submetida a determinadas normas. Tais normas estão
expressas na mesma doutrina revelada, tal como na Sagrada Escritura, nas regras
práticas que a experiência cristã formulou ao longo de seis séculos e nos
conselhos da razão e da sabedoria humana que são válidos para toda a atividade
espiritual e, portanto, para a oração.
Apesar
de tudo isso, a oração pessoal é fundamentalmente livre e a ordem só deve
servir aqui para proteger essa liberdade. Quanto mais autêntica é a oração
pessoal, menos podem ser ditadas normas sobre ela.
Mas
a oração deve brotar e desenvolver segundo o estado interior de cada pessoa,
segundo as circunstâncias em que ela vive e segundo as suas experiências.
Portanto,
uma oração que em determinado período era aconselhável pode não ser em outro;
assim como a mesma oração pode não ser apropriada para pessoas diferentes.
Quando a oração não alcançou sua própria liberdade, ela se faz insegura,
monótona e carente de vida. Daí a necessidade de educar a vida de oração
para que ela seja espontânea e se apoie na interioridade pessoal do homem”.
Então, para crescer na vida de oração não é
necessário ter excelentes técnicas ou ler grandes livros de mestres
espirituais.
Trata-se, sobretudo, de aprender a ter uma oração
cada vez mais autêntica, de proteger nosso espaço de liberdade interior para o
encontro com Deus.
E como conseguimos fazer isso? Abrindo nosso
coração para a liberdade de Deus. A oração é um cenário do encontro em que Deus
se dá pra mim e eu o recebo.
Por isso, vale a pena se perguntar: “minha oração é
um momento de busca a Deus ou de busca a mim mesma? Eu estou aberta para
receber Deus toda vez que rezo?”
Neste caminho para encontrar nosso espaço de
liberdade, podemos começar pela oração vocal ou pela mental. O importante é que
a oração seja capaz de nos fazer meditar.
Depois, podemos fazer com que nossa oração seja
recitada, cada vez mais, de dentro do coração. Uma oração que busque sua fonte
e sua raiz no fundo do nosso ser, além do nosso espírito, de nossa vontade, de
nossos afetos e das técnicas.
Através da oração que vem do coração, buscamos Deus
ou as energias do Espírito nas profundezas de nosso ser. Deste modo,
começaremos a contemplar.
E quando for difícil perseverar, quando você
estiver em ponto morto, lembre que a oração é um dom. Não se desespere. Abra-se
à graça e disponha-se para que algo aconteça.
Com certeza, esse ponto morto supõe uma sensação de
deserto. E é precisamente no deserto que se tem sede.
Esse deserto nos obriga a buscar a fonte, aquela
que está dentro de nós e que tinha um monte de pedras que não deixava a água
escorrer.
Deixar-se levar pela água corrente da fonte, que é
o Espírito Santo, fará que o impulso interior Dele brote em nós e nos arraste
para a frente.

Edição Portuguese

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