Como rezar nos momentos de muita angústia?
07/04/26
Um
guia completo para você saber como rezar nos momentos mais difíceis da sua vida
O ser humano tem uma tendência ou a se retirar em
si mesmo e desesperar, ou a se voltar sem qualquer discernimento para
"receitas terapêuticas" da moda. A angustia, esta sensação exacerbada
de abandono e no fundo do buraco, pode então levar a desvios e causar muitos
danos na vida de uma pessoa. Nessas situações, recorrer a Deus, em oração, é
fortemente benéfico. Mas como podemos fazer isto quando temos pouca força e a
sensação de termos sido abandonados por Deus?
1Clamar ao Céu
A maior santa dos tempos modernos, Santa Teresinha do Menino Jesus, deu uma definição simples de oração. Para ela, trata-se de um "impulso do coração", um "simples olhar para o Céu", um "grito de gratidão e amor no meio da provação, bem como no meio da alegria". Recordar isto é particularmente apropriado quando se está angustiado(a), e se tem pouca paz e desejo de entrar em oração.
A Bíblia fala-nos de muitas situações de angústia
individual e coletiva - a do povo hebreu. Entre outros exemplos, o livro de
Tobias fala-nos da angústia de Sara. Ela tinha sido casada sete vezes. Mas a
cada vez, o demónio Asmodeu matou todos os seus maridos. Era regularmente
insultada por uma jovem criada do seu pai que a acusava de matar os seus
próprios maridos (Tobias 3, 7-9). A angústia de Sara é explicada no capítulo 3,
versículo 11 de Tobias: "Nesse dia Sara chorou com o coração pesado".
Hippolyte Muaka Lusavu, no seu livreto Orações de
Cura, observa: "É a alma que fica ferida quando acontece de ficarmos
abalados por causa dos aborrecimentos da vida".
Sara vai até ao quarto superior da casa do seu pai
para se enforcar. Mas ela percebe que o ato que está prestes a cometer pode
causar a morte do seu pai. Assim, recorre a Deus para pedir a sua própria
morte. Por isso, ela reza:
Deus de nossos pais, que vosso nome seja bendito.
Vós, que depois de vos irardes, usais de misericórdia e no meio da tribulação
perdoais os pecados aos que vos invocam. Volto-me para vós, ó Senhor, para
vós levanto os meus olhos. Rogo-vos, Senhor, que me livreis dos laços
deste opróbrio, ou então que me tireis de sobre a terra!
Tobias 3, 11-15
A oração de Sara assemelha-se à de Jó, que,
humilhado e angustiado, amaldiçoa o dia do seu nascimento, mas em nenhum
momento amaldiçoa Deus, em quem continua a ter esperança, apesar de tudo (Jó,
capítulos 3 e 19).
2REJEITAR O ESPÍRITO DE DESÂNIMO E RECORDAR AS GRAÇAS RECEBIDAS NO
PASSADO
Como as situações de angústia e aflição podem durar
muito tempo, existe uma grande tentação de cultivar um espírito de complacência
com o próprio desespero, e de permanecer num estado de permanente e paralisante
desânimo.
Contudo, como exorta o Padre Muaka Lusavu, "a
melhor maneira de ultrapassar a angústia é recusar-se a viver nela. É portanto
necessário assumir um compromisso firme para remover de nós próprios todos os
pensamentos de desânimo e toda a paralisia nas nossas ações. É frequentemente
necessário, durante esta fase, ser acompanhado a nível emocional por um
psicólogo ou psiquiatra, mas também, a nível espiritual, por um padre.
Sejam quais forem as dificuldades e tormentos por
que estamos a passar, é possível olhar em frente e construir um futuro novo.
Para tal, precisamos de alcançar um certo equilíbrio psicológico e emocional,
com a ajuda e apoio.
Podemos também recordar, com a ajuda do Espírito
Santo, as graças que recebemos no passado. Esta memória de ação de graças
ancora-nos na esperança, porque nos lembramos que Deus quer a nossa felicidade,
que Ele é o nosso pastor em quem podemos confiar.
O salmista canta isto repetidamente, como no Salmo
22, versículo 4:
Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei,
pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.
Leiamos, portanto, frequentemente em voz alta os
salmos da confiança (como os salmos 22, 27 e 54) e tenhamos a certeza de que a
confiança em Deus faz milagres. Por exemplo, Paulo e Silas na prisão cantavam
as maravilhas de Deus. Depois as suas correntes foram quebradas pela vontade de
Deus (Atos 16,24-26).
3INVOCANDO OS ARCANJOS E A VIRGEM MARIA
O próprio Jesus experimentou a angústia no Monte Getsémani e na Cruz, sentindo profundamente o "abandono de Deus". "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" gritou ele (Mt 27, 46).
No Jardim das Oliveiras, quando os apóstolos
estavam todos a dormir, um anjo veio consolá-lo (Lc 22, 42-45). Lembremo-nos
disto: os anjos querem nos ajudar e consolar, porque têm imensa compaixão por
nós. Numa situação de desespero, recorramos ao poderoso Anjo do Monte das
Oliveiras, o mesmo que consolou o nosso Salvador na sua angústia.
Os arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael
também atuam poderosamente contra os espíritos malignos "que vagueiam pelo
mundo" e fazem-nos desanimar. O terço de São Miguel ou as orações de São
Miguel são orações libertadoras para nos afastar a todos os servos do diabo.
Finalmente, o Santo Terço, ou simplesmente a
invocação do santo nome de Nossa Senhora, é também uma poderosa oração de
proteção e libertação do mal e de todas as formas de angústia.
Depois do Espírito Santo, a Virgem Maria e os
Arcanjos são os nossos ajudantes mais preciosos nas nossas "batalhas
espirituais".
4MEDITAR SOBRE A VITÓRIA FINAL DO BEM SOBRE O MAL… E REDESCOBRIR AS
BEM-AVENTURANÇAS
A angústia pode levar à tristeza e ao esquecimento
do propósito final de Deus: o triunfo final do Reino de Cristo, tal como
revelado no Apocalipse. Meditar sobre a volta de Cristo em glória e sobre a
Jerusalém celestial pode espalhar paz e esperança dentro de nós. Assim, já não
estamos concentrados no nosso sofrimento, mas na vitória final de Cristo, e num
lugar onde toda a dor irá desaparecer, o que São João viu e relatou no Livro do
Apocalipse (21, 10-11).
Levou-me em espírito a um grande e alto monte e
mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de
Deus, revestida da glória de Deus. Assemelhava-se seu esplendor a uma
pedra muito preciosa, tal como o jaspe cristalino.
Finalmente, pode ser reconfortante redescobrir as
Bem-aventuranças, e ver a situação atual de angústia como uma fonte de maior alegria
espiritual. "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados"
(Mt 5, 4).
5OFERECER A NOSSA ANGÚSTIA A DEUS E COMPROMETERMO-NOS A LUTAR CONTRA O
MAL
A nossa oração também pode ser uma oferta a Deus pela salvação das almas. Oferecer a Deus a nossa situação angustiante é dar-lhe um significado, algo que é tão salutar para nós como para o nosso próximo.
Nesse sentido, o sofrimento é oferecido pela
conversão dos pecadores ou pela libertação das almas no purgatório. Este dom de
si já é uma vitória contra a angústia porque nos tira de um sentimento de
intensa solidão, ao ligar-nos aos nossos irmãos e irmãs em Cristo. De fato, a
angústia pode também, com empenho e muita força de vontade, ser transformada
numa ação benéfica.

Edição Portuguese






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