Espiritualidade

Fé e felicidade – Os crentes são mais felizes?

27/04/26

Será que a religião pode ser uma receita para a felicidade? O padre Jaime Sanz Santacruz, pároco de Oviedo, doutor em direito e capelão de um hospital universitário, não tem dúvidas — e cita não apenas a teologia, mas também as estatísticas.

Segundo dados citados pelo padre, impressionantes 73% dos crentes dizem ser felizes — em comparação com apenas 50% dos que não têm fé. Essa observação tornou-se o ponto de partida para seu livro mais recente, "No busques ser feliz. ¡Consíguelo!" (em português: Não busque a felicidade. Conquiste-a! ), publicado pela Editorial Palabra.

A bênção como receita para a felicidade.

Sanz, que começou a escrever relativamente tarde — por volta de 2020, durante a pandemia — já publicou oito livros. Desta vez, ele pega uma das passagens mais famosas do Evangelho e tenta reinterpretá-la.

Em sua visão, as Bem-aventuranças não são uma abstração teológica, mas um guia prático para a felicidade — "uma receita que não é nova, é eterna. E ainda funciona". Ele também admite que a Igreja às vezes é muito reservada nesse assunto, usando uma linguagem muito distante do homem moderno.

O paradoxo das Bem-aventuranças — que os pobres, os perseguidos e os que sofrem são felizes — o padre explica em termos de significado, não de hedonismo. O sofrimento vivenciado em união com Deus não destrói a felicidade, mas a aprofunda. Ele cita como exemplo um médico doente em seu hospital que recusou analgésicos, querendo se unir completamente ao sofrimento de Cristo. "Ele era uma pessoa absolutamente realizada e feliz. Você entrava no quarto dele e era uma alegria genuína", recorda o padre.

Jesus era feliz?

Um dos capítulos mais provocativos do livro intitula-se: Jesus Cristo era feliz? Sanz responde afirmativamente — e sem hesitação. Para um sacerdote, a felicidade não se resume a tudo correr conforme o planejado, mas sim à vida da pessoa estar alinhada com o plano de Deus para ela. Jesus — apesar de ter morrido na cruz — cumpriu sua vocação até o fim, o que, segundo o autor, o torna o homem mais perfeitamente feliz.

Sanz ilustra esse pensamento citando as palavras do Cardeal Fernando Ocáriz: Repouso na cruz. Alegria na cruz. Luz na cruz.

País, cultura e felicidade

O padre também observa diferenças culturais. Ele acredita que países com tradição cristã, como Espanha e Itália, são caracterizados por maior alegria e abertura do que o norte protestante ou os países escandinavos. Ele vê isso como uma conexão com o senso cristão de perdão — a certeza de que se pode ser perdoado gera otimismo e paz de espírito.

Mas isso aponta para outro problema preocupante: a discrepância entre a filiação declarada à Igreja e a prática religiosa. Na Espanha, cerca de 78% da população é batizada, mas apenas cerca de 22% dos moradores de cidades como Madri frequentam a missa dominical — o que significa que, para muitos, a fé permanece mais um legado cultural do que uma relação viva com Deus.

Não é um guia, mas um comentário.

O Padre Sanz deixa claro que seu livro não é mais um guia de autoajuda para a felicidade . Trata-se de um comentário teológico sobre as Bem-aventuranças, escrito em linguagem acessível ao leitor moderno. A felicidade cristã — como ele se esforça para demonstrar — não é sinônimo de uma vida despreocupada ou de um efeito placebo da fé. É o fruto de uma profunda união com Deus, que nos acompanha tanto nos momentos de alegria quanto nos momentos mais difíceis da vida.

Edição Polônia

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