As muitas faces da graça divina
28/04/26
“A minha graça te basta”, escreveu São Paulo em sua segunda carta aos
Coríntios. A graça divina, fonte de vida e sustento para os cristãos,
manifesta-se de muitas formas. Da graça santificante recebida no batismo às graças
discretas da vida diária, Deus nunca deixa de agir na vida dos fiéis.
Deus
conhece as suas criaturas. Ele as preenche com a sua graça, fazendo-as
participar da sua vida divina. Graça designa a benevolência absolutamente
incondicional que Deus, desde toda a eternidade, demonstra à humanidade,
chamando-nos a participar de sua própria vida. Essa é a intimidade com o Senhor
concedida pelo batismo e renovada pelos sacramentos. É pela graça que Deus nos
salva. Além da graça santificante recebida pelos cristãos no batismo, o Senhor
concede outras formas de graça que auxiliam os fiéis em momentos específicos de
suas vidas.
Graça santificante
O
homem nasce marcado pelo pecado original, e a única maneira de ser libertado
dele é o batismo, por meio do qual Deus o lava e o preenche com a sua graça
santificante, como afirma o Catecismo da Igreja Católica: “A graça é
participação na vida de Deus. Ela nos introduz na intimidade da vida
trinitária: pelo batismo, o cristão participa da graça de Cristo, Cabeça do seu
Corpo. Como ‘filho adotivo’, ele agora pode chamar Deus de ‘Pai’, em união com
o Filho unigênito. Ele recebe a vida do Espírito, que o preenche de caridade e
forma a Igreja (Catecismo da Igreja Católica, 1997).”
Cristo
já realizou tudo. É por isso que essa graça é chamada de dom gratuito. “A graça
de Cristo é o dom gratuito que Deus nos dá de sua vida, infundida pelo Espírito
Santo em nossa alma para curá-la do pecado e santificá-la: é a graça
santificante ou divinizante, recebida no batismo. Ela é em nós a fonte da obra
de santificação (cf.Jo 4, 14; 7, 38-39). “Portanto, se
alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que
tudo se fez novo! Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo
por meio de Cristo.” (2 Cor 5,17-18).” Essa graça pode ser
perdida? Sim, através do pecado mortal, por isso, a única maneira de
recuperá-la é através do sacramento da confissão. Idealmente, a vida cristã
floresce na ausência do pecado mortal e na graça habitual, essa disposição
permanente de viver e agir de acordo com a vocação divina.
Graças sacramentais
Outra
forma de graça é aquela que Deus concede nos sacramentos; por isso são chamadas
de graças sacramentais. “A graça inclui também os dons que o Espírito Santo nos
concede para nos associar à sua obra, para nos capacitar a colaborar na
salvação dos outros e no crescimento do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Estas
são as graças sacramentais, dons próprios dos diferentes sacramentos.”(Catecismo da Igreja Católica, 2003).
Assim,
aqueles que se casam e aqueles que recebem o sacramento da Ordem obtêm graças
que os ajudam a perseverar em seu estado de vida. Mas há também graças
específicas para aqueles que recebem a Unção dos Enfermos ou que se confessam,
pelas quais Deus os fortalece e os ajuda a continuar sua vida perto Dele, a
observar os mandamentos e a se esforçar no caminho da santificação.
Carismas: graças especiais
Existem
também graças especiais, também chamadas carismas, segundo o termo grego usado
por São Paulo, que significa favor, dom gratuito, benefício (cf.LG12) “Seja qual for a sua natureza,
por vezes extraordinária, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas
estão ordenados à graça santificante e têm por fim o bem comum da Igreja. Estão
ao serviço da caridade, que edifica a Igreja (cf.1 Cor12)”
(CEC 2003).
Esses dons são por vezes espetaculares, mas não nos esqueçamos de que não se destinam ao benefício do destinatário, e muito menos a serem exibidos ou aproveitados, mas sim a servir a comunidade. E entre essas graças particulares, o Catecismo menciona as “graças de Estado que acompanham o exercício das responsabilidades da vida e dos ministérios cristãos dentro da Igreja” (CEC 2004) Por exemplo, São Paulo era conhecido por seu carisma ao ensinar.

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