Missa: o sacrifício perfeito

19/03/26
É necessário, acima de qualquer coisa,
compreender verdadeiramente a missa como sacrifício, o verdadeiro sacrifício de
Cristo na Cruz.
“Creio na Santa Igreja Católica” – essa é a
afirmação feita por nós, católicos, todas as vezes em que estamos na Missa, em
frente ao altar. Essa verdade consta no Credo Apostólico, mas se a oração a ser
feita advir do Credo Niceno-Constantinopolitano, a especificação é ainda maior:
“Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo
para remissão dos pecados”. Em uma sentença: cremos verdadeiramente na fé que
professamos, entretanto, ainda há alguns desacertos quanto ao núcleo central da
nossa credulidade, quanto ao sacrifício perfeito, ou seja, quanto ao
entendimento real da missa.
Trata-se de enxergar a clareza do que está a ocorrer
naquele altar não como um evento ou um simples cultuar a Deus. É necessário,
acima de qualquer coisa, compreender verdadeiramente a missa como sacrifício, o
verdadeiro sacrifício de Cristo na Cruz. Presencia-se ali não um novo martírio,
mas a confirmação, a sacramentalização daquela imolação ocorrida há dois mil
anos.
Lutero e Calvino têm uma perspectiva diferente,
chegando a abominar a Santa Missa, acreditando ocorrer ali um novo sacrifício e
afirmam que tudo aquilo não é necessário fazer, uma vez que a imolação já fora
oferecida e que os pecados já se encontram perdoados, como uma quitação
judicial definitiva. De fato, a redenção ocorreu lá na Cruz, com Jesus Cristo,
mas ela precisa ser apropriada como redenção subjetiva para o caminho de
Santidade. Não é simplesmente um recibo que o cristão adquire de que nossos
pecados foram justificados; mas um caminho legítimo na busca de ser
verdadeiramente santo. Vale destacar que o Concílio de Trento, por outro
lado, respondeu a Lutero e Calvino dizendo que não há dois
sacrifícios. Essa é a posição oficial da Igreja. Isso está declarado
dogmaticamente. O Concílio de Trento (Sessão 22.ª) o diz: “Com efeito, uma só e
mesma é a vítima [Una enim eademque
est hostia], pois quem agora se oferece pelo ministério dos sacerdotes é
o mesmo que então se ofereceu na cruz; só o modo de oferecer é diferente.”
Posição
católica
Ou seja, a posição católica é única: a vítima é a
mesma, a Pessoa divina que se encarnou e que se ofereceu na Cruz, agora se
oferece pelo ministério do sacerdote, do padre, no altar. “Só o modo de
oferecer é diferente”: na Missa, é sem derramamento de sangue. Essa é a
posição dogmática da Igreja Católica.
É preciso ter a disposição para entender a
importância da missa para além da remissão dos pecados; entender a fé para além
da quitação e absolvição dos pecados. É preciso ir além. Afinal, se o
objetivo é ser a imagem e semelhança de Cristo, é necessário muito além de
puramente não cometer pecados, mas percorrer rumo à redenção verdadeira. É
preciso algo além do que uma absolvição cartorial, mas uma transformação real
da alma, ou seja, ela precisa amar e realizar obras divinas como os santos, e
tal caminho passa pelos sacramentos, como a própria Eucaristia.
Pensar em Santa Teresa D`Ávila, Santo Tomás de
Aquino, Santo Agostinho ou São Francisco como exemplos de vida é uma tarefa
muito árdua se não houver como auxílio maior o Espírito Santo de Deus. Se os
referidos santos e todos os outros conseguiram alcançar a tão almejada sétima
morada que Santa Teresa D`Ávila revela em seu livro sobre As sétimas moradas do
Castelo Interior da Alma, estejam certos de que tal conquista não fora pelos
próprios méritos ou por algum tipo de merecimento, ou ainda, porque
simplesmente creram em Jesus e tinham fé. É um esvaziar-se de tal forma que
nada mais há a não ser àquele que os criou. E tal atitude vai muito além de um
único passo de arrependimento dos pecados.
Sim, é aí que o caminho da perfeição começa. É aceitando nossas máculas e buscando corrigi-las diariamente. Mas se o desejo é ser semelhante a Cristo, é necessário sermos diferentes do que somos e buscar, somente pela graça, a virtude da Santidade.

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