“Pensei nos dias antigos e tive na mente os anos eternos”
O tempo é comparável às águas das cascatas que, com vertiginosa rapidez, redemoinham, fervilham e se precipitam de despenhadeiro em despenhadeiro…
Nesta vida, não se deve
contar com o presente, mas sim com o passado e o futuro; pois o tempo é
comparável às águas das cascatas que, com vertiginosa rapidez, redemoinham,
fervilham e se precipitam de despenhadeiro em despenhadeiro… Todos os seres
vivos que habitam a terra passam como as águas, pois mais impetuoso do que as
cascatas é o tempo em que vivemos; porque, no momento em que falares do
presente, esse já se transforma em passado.
Considera,
agora, como é mesquinhamente pequenino o tempo que possuis, visto que não é
senão um instante, um pontozinho; pois não podes dispor do passado e, quanto ao
futuro, também não podes [dispor dele], porque é incerto. Somente na eternidade
é que existe um presente verdadeiro, duradouro, que jamais terá fim.
Considera que grande loucura é a de querer alguém gozar uns clarões de prazeres passageiros nesta vida e, depois, ter de sofrer para sempre na outra, na eternidade; pensa se não é melhor sofrer um pouco nesta vida, para depois alegrar-se para sempre na eternidade, que nunca há de acabar. “E assim vede, irmãos — admoesta o Apóstolo — de que modo andais avisados; não como imprudentes, mas como sábios, empregando bem o tempo” (Ef 5, 15-16).

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