O Papa Leão XIV

O Angelus com Leão: Jesus também nos chama: "Saiam!"

22/03/26

Jesus também nos chama: “Saiam!” (Jo 11,43), exortando-nos – renascidos pela sua graça – a deixar esses espaços estreitos e a caminhar na luz do amor – disse Leão XIV na meditação que precede a oração do Angelus.

A Ressurreição de Lázaro

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No quinto domingo da Quaresma, a liturgia lê o Evangelho da ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11,1-45).

Durante a caminhada quaresmal, isso é um sinal da vitória de Cristo sobre a morte e do dom da vida eterna que recebemos pelo Batismo (cf. CIC 1265). Jesus também nos diz hoje, como disse a Marta, irmã de Lázaro: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem crê em mim jamais morrerá" ( Jo 11,25-26).

A liturgia, portanto, nos encoraja a reviver sob essa perspectiva – na próxima Semana Santa – os eventos da Paixão do Senhor: a entrada em Jerusalém, a Última Ceia, o julgamento, a crucificação, o sepultamento – a fim de compreendermos seu significado mais autêntico e nos abrirmos ao dom da graça neles contido.

Na verdade, é em Cristo ressuscitado – vencedor da morte e que vive em nós pela graça do batismo – que esses eventos encontram seu cumprimento para nossa salvação e plenitude de vida.

Jesus também nos chama: “Saiam!”

Sua graça ilumina este mundo, que parece buscar constantemente a novidade e a mudança, mesmo ao custo de sacrificar o que é importante — tempo, energia, valores, sentimentos — como se a fama, os bens materiais, o entretenimento ou os relacionamentos passageiros pudessem preencher nossos corações ou nos tornar imortais. Isso é sintoma da necessidade do infinito que cada um de nós carrega dentro de si, e cuja satisfação, contudo, não pode ser confiada ao que é efêmero. Nada finito pode saciar nossa sede interior, pois fomos criados para Deus e não encontramos paz enquanto não repousarmos nEle (cf. Santo Agostinho, Confissões , I, 1, 1).

A história da ressurreição de Lázaro nos convida a ouvir essa profunda necessidade e — com o poder do Espírito Santo — libertar nossos corações dos hábitos, condicionamentos e modos de pensar que, como pedras, nos aprisionam no túmulo do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade. Nesses lugares, não há vida, apenas confusão, insatisfação e solidão.

Jesus também nos chama: “Saiam!” ( Jo 11,43), exortando-nos – renascidos pela sua graça – a deixar esses espaços estreitos e a caminhar na luz do amor, como novas mulheres e homens, capazes de viver na esperança e amar à imitação do seu amor infinito, sem contagem nem medida.

Que a Virgem Maria nos ajude a viver estes dias santos desta maneira – com a sua fé, com a sua confiança, com a sua fidelidade – para que também nós possamos ser renovados a cada dia à luz do encontro com o seu Filho Ressuscitado.

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