Igreja

Leão XIV defende a cobertura universal de saúde para que as sociedades sejam justas.

19/03/26

O pontífice denunciou a falta de acesso a serviços de saúde física e mental em muitos países e a indiferença para com o sofrimento alheio, considerando a cobertura universal um "imperativo moral".

“Cuidar da humanidade dos outros nos ajuda a viver plenamente as nossas próprias vidas”, disse o Papa Leão XIV a líderes religiosos e políticos europeus em 18 de março de 2026. Expressando preocupação com o aumento das desigualdades na saúde na Europa, ele afirmou que a cobertura universal de saúde é um “imperativo moral para as sociedades que desejam se considerar justas”.

Imediatamente antes da audiência geral, o Papa recebeu os participantes da conferência “Quem é o meu próximo hoje?”, coorganizada pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), pela Conferência Episcopal Italiana (CEI) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Este encontro coincidiu com a divulgação, na tarde de hoje, de um “Relatório sobre o Estado da Equidade em Saúde na Europa”, um documento que, para o Papa, “chama a atenção para as situações enfrentadas por muitas pessoas na Europa, especialmente os homens e as mulheres que vivenciam a pobreza, a solidão e o isolamento em seu cotidiano”.

“Em muitos países, as desigualdades na área da saúde estão aumentando”, alertou o Papa Leão XIV, observando que “menos pessoas conseguem ter acesso aos serviços disponíveis”. Ele também soou o alarme em relação à saúde mental, particularmente entre os jovens, observando que “feridas psicológicas invisíveis não são menos graves do que as visíveis”.

“A saúde não pode ser um luxo para poucos. Pelo contrário, é uma condição essencial para a paz social”, insistiu o chefe da Igreja Católica.

A cobertura universal de saúde não é meramente uma meta técnica a ser alcançada; é, antes de tudo, um imperativo moral para as sociedades que desejam se considerar justas. O acesso à saúde deve ser garantido aos mais vulneráveis, não apenas porque sua dignidade o exige, mas também para evitar que a injustiça se torne causa de conflito.

Empatia, não indiferença.

O Papa alertou contra a “indiferença” que resulta do “distanciamento, da distração e da dessensibilização diante da violência e do sofrimento alheio”. Ele lembrou à audiência que, sem levar em conta os marginalizados, não é possível “construir sociedades justas fundadas na pessoa humana”, considerando “ilusório pensar que seria mais fácil alcançar a felicidade ignorando esses irmãos e irmãs”.

“Só juntos podemos construir comunidades de solidariedade capazes de cuidar de todos”, disse Leão XIV. “Cuidar da humanidade dos outros nos ajuda a viver plenamente as nossas próprias vidas”, explicou, contrariando o princípio de que a caridade começa em casa.

O Papa afirmou que a Igreja, nesta área, tem um papel a desempenhar, colocando-se “a serviço do 'avanço da humanidade e da fraternidade universal' e combatendo as desigualdades na saúde, particularmente no apoio às populações mais vulneráveis”.

Ele convidou os cristãos a adotarem um “estilo de vida cristão” que “sempre refletirá esse espírito fraterno, ‘samaritano’ – um espírito acolhedor, corajoso, comprometido e solidário, enraizado em nossa união com Deus e em nossa fé em Jesus Cristo”.

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