Papa visita paróquia em bairro assolado pelo crime relacionado a drogas.

02/03/26
Leão: É inútil "querer controlar
tudo" na vida. Ao fugir da "precariedade" que caracteriza a
existência, perdemos também a oportunidade de descobrir um "verdadeiro
tesouro".
"É precisamente diante do mistério do mal que
devemos testemunhar nossa identidade cristã", disse o Papa Leão XIV
durante uma missa celebrada em um bairro operário na zona leste de Roma, em 1º
de março de 2026. Dando continuidade às visitas às paróquias de sua diocese
durante a Quaresma, o Santo Padre celebrou missa e também se encontrou com os
fiéis.
Nessa comunidade assolada pela violência e pelas
drogas, o Pontífice os encorajou a viver sua fé sem medo e "sem querer
controlar tudo".
Neste segundo domingo da Quaresma, o Papa visitou a
paróquia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, localizada na zona leste da
capital. Administrada por uma comunidade de padres dehonianos, a paróquia serve
o bairro operário de Quarticciolo, assolado pelo tráfico de drogas e pela
criminalidade.
Antes da missa, o Papa se encontrou com uma
delegação de idosos, doentes, pobres e deficientes que recebem cuidados de
voluntários da paróquia. Ele também conversou com várias mães de viciados em
drogas que estão presos.
ALBERTO PIZZOLI | ALBERTO PIZZOLI
"Diante dos muitos e complexos problemas desta
região, que pesam tanto no vosso dia a dia, a vossa missão é ensinar a
perspetiva da fé que transforma tudo em esperança", disse o Papa aos fiéis
na sua homilia .
"É precisamente perante o mistério do mal que devemos dar testemunho da
nossa identidade cristã", afirmou, encorajando-os a tornar "o Reino
de Deus perceptível", tendo em conta o seu contexto específico.
Ao comentar as leituras do dia, o Papa recordou a
vida nômade vivida pelo profeta Abraão. A vida, assegurou ele, é como "uma
jornada que exige confiança [...] que nos chama e, por vezes, nos pede para deixarmos
tudo para trás".
O perigo, explicou o Bispo de Roma, é fazer como
São Pedro fez nos Evangelhos, que, por medo do futuro, às vezes se tornou o
"porta-voz do nosso velho mundo e da sua necessidade desesperada de parar
as coisas, de controlá-las".
"É um pouco como quando não queremos que um
sonho, no qual nos refugiamos, termine", observou ele.
"Riqueza
que ninguém pode nos roubar"
Leão XIV enfatizou como é fútil "querer
controlar tudo" na própria vida. Ao fugir da "precariedade" que
caracteriza a existência, disse ele, perdemos também a oportunidade de
descobrir um "verdadeiro tesouro", como Abraão, que finalmente
encontrou a Terra Prometida.
"Nós também, se nos deixarmos chamar pela fé
para a jornada, para tomarmos novas decisões sobre a vida e o amor, deixaremos
de temer perder algo, porque sentiremos que estamos crescendo em uma riqueza
que ninguém pode nos roubar", assegurou o Pontífice. Esse
"tesouro", disse ele, é a "luz" que Deus nos transmite.
ALBERTO PIZZOLI | ALBERTO PIZZOLI
E Deus, disse o Papa, chama os cristãos a
transmitirem a luz da sua fé, "começando pela vizinhança onde
vivemos".
Nesse sentido, ele parabenizou os paroquianos por
todas as iniciativas lançadas para fortalecer a comunidade de Quarticciolo e
cuidar de seus jovens.
O Papa tem agendada a visita de mais duas paróquias
romanas durante a Quaresma: Santa Maria della Presentazione, na zona oeste de
Roma, no dia 8 de março; e Sacro Cuore di Gesù, na zona norte, no dia 15 de
março. Esta última fica no bairro de Ponte Mammolo, onde se situa a prisão de
Rebibbia, que abrigou uma das portas santas durante o Jubileu da Esperança.

Edição Inglês


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