Igreja

Todos nós temos que aprender a rezar, insiste o Papa Leão XIII em visita a uma paróquia.

09/03/26

“Deveríamos ter encontros como este todos os domingos”, exclamou o Papa antes de deixar uma paróquia a leste de Roma, dando continuidade às suas visitas quaresmais às paróquias de sua diocese.

“A sede de vida e de amor da samaritana é a nossa sede”, disse o Papa Leão XIV, comentando o Evangelho do dia durante sua visita pastoral em 8 de março de 2026 à paróquia de Santa Maria della Presentazione, localizada na Via di Torrevecchia, a leste de Roma. Crianças que frequentavam as aulas de catecismo, jovens e muitas famílias o aguardavam na praça da igreja, onde um telão gigante havia sido instalado para a ocasião. O Papa agradeceu à paróquia por seu compromisso em ajudar as pessoas necessitadas da região.

Recebido na sua chegada pelo cardeal-vigário de Roma, Baldo Reina; pelo cardeal Francesco Montenegro; e pelo pároco, Dom Paolo Stacchiotti, Leão XIV presidiu à celebração da missa na igreja paroquial, um edifício moderno construído na década de 2000. (Quando João Paulo II visitou a região em 1982, celebrou a missa numa garagem.)

Antoine Mekary | ALETEIA

Em sua homilia, Leão XIII descreveu a Quaresma como “uma etapa importante em nossa jornada seguindo Jesus, até a sua Páscoa de paixão, morte e ressurreição”. Este tempo litúrgico, explicou ele, convida os fiéis a renovarem a graça do batismo e a acolherem o chamado à conversão, enquanto Deus purifica os corações “por meio do seu amor e das obras de caridade que nos convida a realizar”.

Ao comentar o episódio evangélico do encontro entre Jesus e a mulher samaritana, desenvolvido na liturgia deste terceiro domingo da Quaresma, o Papa o viu como uma metáfora para a sede de toda a humanidade, “ferida pelo pecado, mas ainda mais profundamente habitada pelo desejo de Deus”. Segundo ele, o homem busca a Deus “como a água”, às vezes até sem se dar conta disso, sempre que questiona o sentido dos acontecimentos ou busca o bem.

Ousar ouvir o “Deus das surpresas”

Em seu diálogo com a mulher samaritana, Jesus não responde apenas a uma necessidade material. “Enquanto ela buscava água para cada dia, ele queria lhe dar água nova e viva, capaz de saciar toda a sede e acalmar toda a ansiedade”, explicou o Papa. Esse encontro inesperado, explicou o Papa, revela “o Deus das surpresas”, que encontra cada pessoa onde ela está e transforma sua vida.

O encontro transforma profundamente a mulher: “Tudo se transforma no encontro com o Senhor: a mulher sedenta torna-se fonte, a marginalizada torna-se confidente”, disse Leão XIV. Libertada da vergonha e repleta de alegria, ela retorna aos habitantes de sua aldeia para testemunhar o que lhe aconteceu.

Antoine Mekary | ALETEIA

O Bispo de Roma lembrou, portanto, que esta experiência diz respeito a todos os batizados. "Pelo batismo, todos recebemos a graça da água nova que lava todos os pecados e sacia toda a sede." O tempo da Quaresma é, portanto, uma oportunidade para redescobrir este dom fundamental que nos introduz à vida cristã. O Senhor, acrescentou, acompanha sempre os fiéis "onde quer que vivamos e como somos", curando as feridas com misericórdia e capacitando cada um de nós a tornar-se, por sua vez, um dom para os outros.

Atenção a uma população em sofrimento

Dirigindo-se mais diretamente à comunidade paroquial, o Papa reconheceu as dificuldades sociais presentes neste bairro de Roma: situações de marginalização, pobreza material e moral, preocupações com os jovens expostos a ilusões ou desânimo. Muitos, observou ele, ainda aguardam “um lar, um emprego que garanta uma vida digna, lugares seguros para se encontrar, brincar e construir algo belo juntos”.

Neste contexto, a paróquia é chamada a ser um lugar de acolhimento e esperança. Como junto ao poço no Evangelho, explicou ele, homens e mulheres feridos na sua dignidade vêm em busca de um sinal de vida. A missão dos cristãos é, portanto, manifestar a proximidade de Cristo e “o seu desejo de redimir a nossa existência dos males que a ameaçam”. A palavra do Evangelho, insistiu ele, deve ajudar todos a discernir sabiamente entre o bem e o mal e a formar “consciências livres e maduras”.

Antoine Mekary | ALETEIA

Antes da missa, o Papa dirigiu-se às crianças e famílias da paróquia. Referindo-se à questão de como encontrar Deus na vida diária, assegurou-lhes que “às vezes não somos nós que devemos procurá-lo: Ele já nos procura”.

“É muito importante que todos aprendamos a rezar”, disse o Papa, convidando os fiéis a falar com Deus por meio das orações da Igreja, mas também “com as nossas próprias palavras”, confiando-lhe as preocupações, as dificuldades e os sofrimentos da vida diária. Encorajou ainda os fiéis a reconhecerem a presença de Cristo “na pessoa que sofre, na pessoa que não tem onde morar ou dormir, na pessoa doente”.

A paróquia como um “jardim” reconfortante

O Papa elogiou a vitalidade da paróquia, que descreveu como “uma espécie de jardim onde as pessoas podem encontrar Jesus Cristo, uma comunidade de fé e a ajuda de que precisam”. Ele encorajou particularmente as crianças e os jovens a rejeitarem a violência, o ódio e todas as formas de assédio, enfatizando que a construção da paz no mundo começa, antes de tudo, com ações cotidianas.

Ele também falou com voluntários da Caritas, homenageando-os ao explicar que seus trabalhos são “sinais do amor de Deus por aqueles que muitas vezes são os mais vulneráveis”.

“Cada um de vocês, mesmo o mais idoso, o mais doente ou o mais frágil, tem um valor imenso, porque todos fomos criados à imagem de Deus”, assegurou o Bispo de Roma, enfatizando o valor da presença e da oração dos mais vulneráveis. “Sua voz, sua presença, suas orações, até mesmo seu sofrimento: tudo isso tem grande valor no mundo de hoje”, insistiu Leão XIV.

Preservar a transmissão da fé

Após a missa, em reunião com membros do conselho pastoral paroquial, o Papa lembrou que a última visita papal àquela paróquia havia sido a de João Paulo II em 1982, ano de sua ordenação sacerdotal em Roma. Ele também mencionou que uma mulher da paróquia lhe havia lembrado que a data de sua visita marcava os 10 meses de sua eleição como Papa.

Antoine Mekary | ALETEIA

Ele enfatizou que a paróquia deve sempre manter suas portas abertas e mostrar “um sinal da presença de Deus em um mundo que às vezes se mostra distante, que percebeu um pouco dessa sensibilidade, dessa consciência da necessidade de viver com o Senhor”.

Ele observou que as mudanças na sociedade, particularmente o aumento da mobilidade, levam muitas famílias a "não terem mais tempo para conhecer Jesus, para conhecer a palavra de Deus". As paróquias, portanto, enfrentam o desafio de chamar e convidar aqueles que não são frequentadores assíduos, acompanhando "aqueles que talvez nunca tenham conhecido o dom da fé". Ele encorajou especialmente os membros do conselho paroquial a "encarnarem a presença do Senhor" neste bairro nos arredores de Roma.

O Papa mostrou-se particularmente entusiasmado com a visita, agradecendo calorosamente ao jovem sacerdote pela acolhida. "Deveríamos ter encontros como este todos os domingos", exclamou o Papa antes de partir, sugerindo que faria muitas visitas pastorais às paróquias romanas nos meses e anos vindouros.

 

Edição Inglês

Comentários