A resposta do Pai ao desespero do ateísmo: reflexões do Papa.
01/03/26
O Papa Leão XIII afirma que os
discípulos precisam de "tempo em silêncio para ouvir a palavra, tempo para
a conversão a fim de desfrutar da companhia do Senhor".
O Papa Leão XIII ofereceu reflexões sobre o
profundo significado do relato evangélico da Transfiguração, celebrado com uma
festa em agosto, mas também lido na missa deste segundo domingo da Quaresma.
Ele disse:
O Espírito Santo nos redime da solidão do
agnosticismo, oferecendo-nos uma comunhão eterna de vida e graça; e, em
resposta à nossa fé fraca, é anunciada a promessa da ressurreição futura.
Segue a tradução completa
de sua breve reflexão:
Queridos
irmãos e irmãs, feliz domingo!
O Evangelho de hoje pinta um quadro radiante para
todos nós ao narrar a Transfiguração do Senhor (cf. Mt 17,1-9). Nessa
descrição, o Evangelista se baseia nas memórias dos Apóstolos, retratando
Cristo entre Moisés e Elias. O Verbo encarnado está entre a Lei e os Profetas:
Ele é a Sabedoria viva, que leva à plenitude toda a palavra divina. Tudo o que
Deus ordenou e inspirou nos seres humanos encontra sua expressão plena e
definitiva em Jesus.
Assim como no dia do seu batismo no Jordão, também
hoje, no monte, ouvimos a voz do Pai proclamando: “Este é o meu Filho amado”,
enquanto o Espírito Santo envolve Jesus numa “nuvem luminosa” ( Mt 17,5). O Evangelho usa
esta expressão singular para descrever como Deus se revela. Quando se
manifesta, o Senhor torna visível ao nosso olhar a sua abundância: diante de
Jesus, cujo rosto brilha “como o sol” e cujas vestes se tornam “brancas como a
luz” (cf. v. 2), os discípulos contemplam o esplendor humano de Deus. Pedro,
Tiago e João contemplam uma glória humilde, que não se apresenta como um
espetáculo para as multidões, mas numa solene intimidade.
A Transfiguração prenuncia a luz da Páscoa: um
evento de morte e ressurreição, de trevas e nova luz que Cristo irradia sobre
todos os corpos flagelados pela violência, crucificados pela dor ou abandonados
na miséria. De fato, enquanto o mal reduz nossa carne a uma mercadoria ou a uma
massa anônima, essa mesma carne resplandece com a glória de Deus. O Redentor,
assim, transfigura as feridas da história, iluminando nossas mentes e corações:
sua revelação é um dom de salvação! Isso nos cativa? Vemos a verdadeira face de
Deus com um olhar de admiração e amor?
A resposta do Pai ao desespero do ateísmo é o dom
de seu Filho, o Salvador; o Espírito Santo nos redime da solidão do
agnosticismo, oferecendo-nos uma comunhão eterna de vida e graça; e, em
resposta à nossa fé vacilante, é anunciada a promessa da ressurreição futura.
Foi isso que os discípulos viram no esplendor de Cristo, mas foi preciso tempo
para que compreendessem (cf. Mt 17,9),
tempo em silêncio para escutar a palavra, tempo de conversão para desfrutar da
companhia do Senhor.
Ao vivenciarmos isso durante a Quaresma, peçamos a
Maria, mestra da oração e Estrela da Manhã, que nos guie na fé.

Edição Inglês

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