Síndrome do sucesso vazio: o paradoxo do sucesso
16/03/26
Algumas pessoas sentem que o sucesso já
não é suficiente para se sentirem verdadeiramente seguras. É o que alguns
chamam de "síndrome do sucesso": atender a todos os critérios para o
sucesso social e, ao mesmo tempo, experimentar um vazio interior ou uma
insatisfação difusa.
O sucesso na vida nem sempre impede uma vaga
sensação de insatisfação. Alguns chegam a descrever uma espécie de vazio,
difícil de explicar, mesmo que nada lhes falte. "Passei dez anos estudando
medicina, tenho uma profissão que escolhi e que tem significado... e ainda
assim, às vezes me pergunto por que não me sinto simplesmente feliz",
confessa Anne, uma médica de família de 39 anos. Isso está relacionado à
síndrome do sucesso vazio.
Durante muito tempo, ela acreditou que tudo
melhoraria assim que alcançasse a estabilidade profissional. Mas hoje, apesar
de ter uma vida familiar equilibrada
e uma carreira sólida, admite que às vezes sente um cansaço interior mais
profundo: a estranha sensação de ter atingido seus objetivos... sem que isso
lhe trouxesse a serenidade esperada.
Um
paradoxo contemporâneo
Andrii Iemelianenko | Obturador
Este paradoxo contemporâneo foi amplamente estudado
pelo sociólogo Alain Ehrenberg, diretor emérito de pesquisa do CNRS, que
dedicou décadas ao estudo das transformações do indivíduo moderno e da saúde
mental. Em seu livro * L'Enfant
qui inquiète* (Odile Jacob), ele demonstra até que ponto nossas
sociedades deslocaram o conflito psicológico.
Enquanto as gerações anteriores se debatiam
principalmente com a questão do proibido, do que era permitido ou não fazer, os
indivíduos contemporâneos enfrentam um tipo diferente de pressão: a da
capacidade. A questão central não é mais "O que me é permitido
fazer?", mas sim "Do que sou capaz?". Nesse contexto, a lacuna
entre quem somos e quem acreditamos que deveríamos ser pode se tornar uma fonte
de exaustão. Ehrenberg resumiu essa mudança com a famosa expressão:
"autofadiga".
Uma
sociedade que valoriza muito a autonomia
Para muitos, essa pressão permanece invisível,
embora muito real. Sophie, de 38 anos, descreve esse sentimento com um toque de
surpresa. "Quando eu era mais jovem, pensava que, uma vez que alcançasse
certos objetivos — um emprego, uma família —, finalmente me sentiria em paz.
Mas, na realidade, sempre sinto que preciso continuar provando meu valor, que
preciso provar a mim mesma." Ela descreve uma espécie de pressão interna
constante: progredir, estar à altura, não decepcionar. Em sociedades que valorizam
muito a autonomia, todos são incentivados a se desenvolverem. Os indivíduos não
são mais apenas livres para serem independentes; espera-se que o sejam.
Nesse contexto, a saúde mental torna-se um espaço
onde as tensões do nosso tempo se expressam. Ela é, ao mesmo tempo, uma
importante questão de saúde pública e uma linguagem através da qual articulamos
nossas preocupações contemporâneas. Os transtornos mentais não são meramente
realidades clínicas: eles também revelam algo sobre a relação entre o indivíduo
e a sociedade.
Em sociedades individualistas, a exigência não é mais apenas ter um lugar, mas ser capaz de justificá-lo e defendê-lo constantemente. O sentimento de vazio experimentado por algumas pessoas socialmente bem-sucedidas parece, então, menos uma contradição do que o outro lado de um modelo centrado no desempenho individual. Restaurar a vulnerabilidade ao seu devido lugar, não como um fracasso, mas como uma dimensão normal da existência, pode ser um dos desafios do nosso tempo.

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