A hiperindependência: essa força que leva à solidão
16/03/25
Uma pessoa hiperindependente impressiona
por sua solidez e tranquiliza por sua eficiência. Mas, por trás da imagem de
alguém que "resolve tudo", pode se esconder um cansaço profundo.
A hiperindependência não é um simples gosto pela
autonomia: às vezes, é uma proteção que se tornou rígida e leva à solidão. A
psicoterapeuta de terapias breves Geneviève Krebs, especialista há trinta anos
em padrões ligados à dependência afetiva, define-a como "um modo de
funcionamento relacional marcado por uma necessidade excessiva de
autossuficiência e uma dificuldade acentuada em pedir, receber ou aceitar
ajuda, mesmo quando isso seria legítimo ou benéfico".
A autora do livro Dépendance affective : six étapes pour se prendre en main et agir (Dependência
afetiva: seis etapas para assumir o controle e agir, ed. Eyrolles) explica que,
diferentemente de uma autonomia equilibrada — que permite "decidir por si
mesmo (...) podendo contar com os outros" — a hiperindependência se
caracteriza por "uma supervalorização da autossuficiência e uma
dificuldade em reconhecer as próprias necessidades". O critério decisivo,
detalha a especialista, reside na obrigação interior: "A pessoa autônoma
escolhe ser independente; a pessoa hiperindependente sente-se compelida
internamente a sê-lo."
Essa postura muitas vezes se enraíza em uma
história pessoal. Ferida de abandono, parentificação precoce, ambiente instável
ou pouco acolhedor às emoções... "A pessoa aprendeu (por vezes muito cedo)
que contar com os outros era arriscado, incerto ou doloroso", observa
Geneviève Krebs. A mensagem interna torna-se então: "Se eu contar apenas
comigo mesmo, não serei traído." Uma estratégia de sobrevivência eficaz a
curto prazo, mas custosa a longo prazo.
Isolamento
e solidão
Sophia, de 42 anos, executiva na área da saúde,
relata: "Dizem que sou forte. Mas não consigo dizer que estou cansada.
Tenho a impressão de que, se eu soltar o controle, tudo desmorona." No
casal, a hiperindependência pode criar um muro invisível. "O outro pode
sentir uma distância ou uma barreira emocional", nota a especialista. Na
amizade, os laços permanecem cordiais, mas pouco profundos. Na família, a
pessoa torna-se o "pilar" que nunca vacila.
O
valor pessoal baseado no desempenho
Paradoxalmente, por trás dessa solidez pode se
esconder uma autoestima frágil. "A autoestima pode ser condicional: 'Eu
tenho valor porque me viro sozinho'." O valor pessoal passa a repousar no
desempenho. O fracasso torna-se uma ameaça. Geneviève Krebs recorda também um
ponto frequentemente esquecido: a hiperindependência e a dependência afetiva
são "dois polos de um mesmo eixo relacional". "O dependente se
agarra. O hiperindependente se isola. Mas o medo subjacente continua sendo o
mesmo." Após um rompimento, alguns oscilam de um extremo ao outro,
decidindo internamente: "nunca mais isso".
Como
evoluir?
A primeira etapa consiste em reconhecer que essa
autossuficiência é uma proteção. "Na minha abordagem, a questão não é:
'Como se tornar menos independente?', mas sim: 'O que essa independência
excessiva me permitiu evitar?'" Trata-se de ousar pequenos passos: pedir
um favor, compartilhar uma preocupação, aceitar um conselho. "A
interdependência saudável significa: 'Eu posso bastar a mim mesmo, mas escolho
também me apoiar nos outros'."
No plano espiritual, essa conversão interior vai ao encontro de uma verdade simples: o ser humano não foi feito para o isolamento. Reconhecer sua vulnerabilidade não é uma fraqueza, mas um lugar de encontro. Pedir ajuda, ressalta a especialista, "é em si um primeiro ato terapêutico". Talvez seja também um ato de humildade confiante: aceitar não carregar tudo sozinho e descobrir que a relação não retira nada da liberdade, mas a realiza.

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