Estilo de vida

As 5 feridas que afetam o coração do homem

06/03/26

Machismo, mansplaining, novas masculinidades… a cultura atual está repleta de referências e rótulos sobre masculinidade. Nesse mar de informações, o que realmente significa ser homem? E, sobretudo, quais são os desafios a serem superados para abraçar plenamente esse papel?

A ultura atual impôs tendências e modificou dinâmicas que estão alterando nossa compreensão da natureza humana. Isso afeta homens e mulheres de todas as idades; no entanto, o psicotraumatologista José Alberto Garza del Río explica que essas questões afetam ambos os sexos de maneiras diferentes.

No caso dos homens, esses fatores geram feridas que os impedem de assumir de forma saudável quem são, de compreender para que foram feitos e, portanto, de viver plenamente o papel que lhes cabe como homens.

José Alberto distingue os seguintes tipos de feridas:

1Relação com o pai

“Um pai fraco, ausente, severo ou humilhante torna difícil a nossa identificação com ele, porque o pai geralmente é a porta de entrada para o mundo masculino.” Essa figura fundamental, explica o especialista, influencia a forma como a masculinidade é compreendida, pois ele é o primeiro modelo a ser seguido.

2Natureza do homem

“A forma como entendemos a natureza humana em geral mudou, e notamos — especialmente de uma perspectiva católica — como o homem é compreendido de uma forma mais materialista (...) esta tem sido uma das questões filosóficas e culturais que influenciaram nossa compreensão de que a masculinidade pode ser algo que construímos à vontade e que cada pessoa pode construí-la de acordo com sua própria opinião.”

Ele explica que não aceitar a natureza do homem – assim como ignorar seus dados biológicos – cria feridas na masculinidade.

3Excesso de dopamina e falta de conexão

Telas, videogames, pornografia, o ritmo acelerado da vida, redes sociais e os demais estímulos que fazem parte do nosso cotidiano enfraquecem a força de vontade.

Além disso, se para o homem – que é mais racional por natureza – a emotividade tem sido uma questão difícil de aceitar, "com a cultura atual, nossa dificuldade em relação à intimidade foi muito acentuada".

4Falta de modelos e de iniciativa

O especialista explica que as culturas antigas tinham rituais de iniciação para homens que se perderam ao longo do tempo. Isso é agravado pelo fato de que adolescentes e jovens adultos têm cada vez menos homens como modelos a seguir. 

A combinação de ambos torna difícil para eles encontrarem bons modelos a seguir, e as abordagens que lhes permitem compreender a masculinidade tornam-se cada vez mais raras.

Neste ponto, José Alberto destaca a importância de criar e disponibilizar espaços educativos para homens.

5Perda de significado transcendente

"É uma espécie de consequência da modernidade e da pós-modernidade." 

José Alberto explica que o ser humano possui três níveis – corporal, psicológico e espiritual – e, estando inserido em uma cultura que vem negligenciando o nível espiritual e desmantelando a verdadeira natureza humana, o homem chega a um vazio de significado, o que, por sua vez, cria a necessidade de preencher esse vazio.

“Isso acaba se tornando uma ferida profunda e se reflete na dificuldade de desempenhar diferentes papéis.”

O caminho para a cura

Shutterstock | Estúdio Freeman

O especialista propõe que, para alcançar a realização a que os seres humanos naturalmente aspiram, cada homem deve compreender a sua própria masculinidade: "Por que tenho essas inclinações, o que procuro, o que está por trás — por exemplo — da minha própria agressividade, e entender que o problema é que ela foi mal canalizada, mas que se destina ao bem e pode ser usada para o bem."

Portanto, o autoconhecimento e a autoanálise são fundamentais. 

O próximo passo será "compreender a nossa própria história e começar a remover as máscaras que usamos para tentar evitar a nossa vulnerabilidade, a nossa fragilidade, a nossa vergonha".

Além disso, o psicotraumatologista explica que esse processo de cura também deve levar à cura das histórias particulares de cada pessoa.

Por fim, ele explica que o aspecto espiritual não pode ser ignorado. "Também vamos perguntar a Deus, que é o criador, como ele nos criou."

Além disso, a experiência da fé implica o desenvolvimento de virtudes: "Essas virtudes também nos levam a um compromisso social de começar a agir na comunidade, em nossa paróquia, em nossa igreja, em nossa família."

O modelo por excelência

Nessa falta de modelos a seguir, Jesus Cristo vem nos mostrar como colocar isso em prática. "Em Jesus Cristo estão reunidas todas as virtudes que podem nos inspirar a sermos pessoas melhores", explicou ele.

José Alberto Garza del Río é psicotraumatologista e filósofo. Possui mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento humano, psicoterapia, trauma complexo e reafirmação da figura paterna. Isso o levou a participar de fóruns, conferências, congressos, retiros e programas de formação. 

Ele faz parte da comissão organizadora do Congresso Fearless, um congresso sobre masculinidade que será realizado em breve em Guadalajara, Jalisco.

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