Será que as distrações durante a oração podem ser uma bênção disfarçada?
28/03/26
Às
vezes, imagens e pensamentos indesejados invadem a mente até mesmo dos mais
piedosos entre nós.
Distrações durante a oração podem ocorrer em
qualquer circunstância (oração individual ou comunitária, recitação do terço,
etc.). Elas dependem muito do temperamento, estilo de vida e
experiências de quem ora. Sua natureza pode nos dizer a que estamos apegados:
nossas preocupações e alegrias, paixões e tentações. Nem mesmo os santos
conseguiam impedir que seus pensamentos se dispersassem. Santa Teresa de Ávila
descreve as distrações durante a oração como "cavalos selvagens
indomáveis", frustrantes e inescapáveis. Ela nos conta que, às vezes, em
sua solidão, não conseguia voltar seu coração para Deus ou para qualquer coisa
digna. Certo dia, surpreendeu-se ao contar os pregos no sapato de
uma freira que orava à sua frente. Nada disso é grave, mas existem distrações
menos inocentes.
Os cinco sentidos e a
imaginação que nos impede de nos concentrarmos.
As distrações durante a oração são inerentes à
nossa natureza. Os cinco sentidos nos alertam continuamente para o que acontece
ao nosso redor. Como "perturbadores da oração", eles transmitem
constantemente ruídos, imagens e aromas, desviando nossa atenção da reflexão
tranquila que buscamos.
Mas isso não é tudo. Segundo Santa Teresa de Ávila,
nossas memórias e nossa imaginação descontrolada também nos distraem de nosso
objetivo principal: voltarmo-nos inteiramente para Deus.
Diante dessas distrações, o adorador sente-se
frustrado e decepcionado. Quando elas se tornam muito numerosas, ele pode ser
tentado a abandonar a oração por completo. Mas se desistirmos de orar por causa
das distrações, nunca oraremos! Deus se oferece a nós de dentro, onde as
distrações e os sentidos não conseguem penetrar. Nada pode impedir a Sua obra
de transformar nossos corações.
As distrações são uma
oportunidade para escolher a Deus.
Portanto, devemos perseverar, sem atribuir
demasiada importância às distrações. Enquanto resistirmos a elas, não há
pecado. Elas podem até se tornar uma bênção disfarçada, segundo alguns
sacerdotes. Representam inúmeras oportunidades para nos voltarmos para Deus.
Abandonar a distração é um ato de amor.
Ao tornar o ato de orar tão difícil, as distrações durante
a oração nos permitem buscar a Deus em si, em vez das consolações que Ele possa
oferecer. Mais importante ainda, devido aos esforços que fazemos para encontrar
Deus, nosso desejo de nos unirmos a Ele só tende a crescer.
As distrações durante a oração também são uma
bênção, pois expõem nossa fraqueza — desde que estejamos prontos a aceitá-la
humildemente. São Paulo tinha essa opinião: “A minha graça te basta, porque o
meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Portanto, eu me gloriarei ainda mais
alegremente nas minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim” (2
Coríntios 12:9-10).
Os resultados serão além de tudo o que poderíamos
esperar: por meio de louvor, aceitação e misericórdia, as distrações durante a
oração permitem que Deus assuma o controle de nossos corações. Em
vez de serem um obstáculo ao nosso crescimento espiritual, elas se tornam o
nosso caminho para Deus.
Élisabeth
de Baudöuin

Edição Inglês

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