6 dicas para uma integração saudável dos sentimentos na fé cristã
13/03/26
Bispos espanhóis publicam uma nota
doutrinal sobre o papel das emoções no ato de fé.
Os sentimentos são importantes na relação com Deus,
assim como a inteligência e a vontade. Como harmonizar as emoções no ato de fé?
A Comissão para a Doutrina da Fé da Conferência
Episcopal Espanhola responde em uma
nota doutrinal publicada em 3 de março de 2026.
Os bispos oferecem 6 propostas para que crer em
Cristo leve, além da própria alegria, a deixar-se transformar por Ele, amando e
servindo com os valores do seu Reino.
1Colocar a Trindade no centro
"Por Cristo, ao Pai, no Espírito", indicam.
"É a fé trinitária que a Igreja transmite que deve ser professada não
apenas com os lábios, mas passando-a pelo coração e pela razão", destacam.
E pedem que a oração não perca sua identidade trinitária.
2Professar uma fé pessoal
O cristianismo não trata de dogmas nem teorias, mas
de uma entrega livre a Deus "que se nos revela e se nos entrega em
Cristo", destaca a nota.
Os bispos convidam a "aprender a discernir os
sentimentos na vida espiritual a partir dos grandes mestres da
espiritualidade". E propõem como exemplos a distinção entre consolação e
desolação de Santo Inácio, a purificação dos sentidos de São João da Cruz, a
escuridão espiritual de Santa Teresa de Calcutá...
3Basear-se na verdade
"A vivência emocional da fé deve assentar-se
na verdade objetiva do kerygma,
cujo conteúdo se encontra na Palavra de Deus transmitida e interpretada pela
Igreja", destaca a nota.
Para isso, convida a "apostar com determinação
em uma formação integral e contínua, que inclua todas as dimensões da pessoa
(intelectual, afetiva, relacional e espiritual)".
4Integrar-se na Igreja
"Pela própria lógica da encarnação, o encontro
com Deus é sempre mediado", destaca a nota.
E sublinha que Jesus Cristo sai ao encontro da
pessoa humana "através da proclamação da Palavra, da celebração dos
sacramentos e do serviço aos irmãos na Igreja". "Não é possível uma
experiência nem um conhecimento de Deus diretos nem de maneira
individualista", acrescenta.
5Praticar a ética e a caridade
"O verdadeiro encontro com Cristo não apenas
transforma a interioridade do crente, mas o impulsiona ao compromisso",
lembram os bispos.
E acrescentam que "a fé não pode ficar em uma
experiência meramente emocional, mas se traduz na caridade para com os mais
pobres, no testemunho e no serviço que transfiguram o mundo tornando presentes
nele os valores do Reino".
6Celebrar a liturgia
O crente é convidado a "cuidar da dimensão
celebrativa do ato de fé com uma liturgia viva na qual festeje comunitariamente
a gratuidade do encontro com Cristo", recorda a nota.
Nesse sentido, adverte contra "um recurso
excessivo a elementos de tipo emotivo, incluindo práticas de culto à Eucaristia
fora da missa que desvirtuam e descontextualizam o sentido próprio da adoração
ao Santíssimo Sacramento".
"Renascer
da fé"
Os prelados notam sinais nos últimos anos de
"um renascer da fé cristã", especialmente nos espanhóis da
"geração Z" (nascidos entre meados dos anos 90 e a primeira década de
2000). Eles valorizam a "criatividade das diversas iniciativas de primeiro
anúncio que o Espírito Santo suscitou".
Consideram alguns "novos métodos ou
ferramentas de evangelização" como "um sopro de ar fresco para a
Igreja", advertindo ao mesmo tempo para o "risco de um reducionismo
emotivista".
Finalmente, lembram que "o anúncio de Cristo
não busca de modo direto provocar sentimentos, mas testemunhar um acontecimento
que transformou a história e é capaz de transformar a existência de todo ser
humano ocupando o centro de sua vida".

Edição Portuguese

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