Espiritualidade

Qual é a maior glória de São José?

18/09/26

A maior glória de São José foi, sem dúvida, ter sido chamado por Jesus pelo mesmo nome que o Filho eterno usava para se dirigir ao seu Pai celestial.

Jesus de Nazaré também era um homem como nós. Quando usava a linguagem, uma certa imagem daquela expressão ficava impressa em sua mente, dada a sua compreensão humana. Por exemplo, quando usava a palavra "mãe", a imagem de Maria certamente lhe vinha à mente automaticamente. Seria o mesmo quando usava a palavra "pai"? Certamente, Jesus, como Deus, desfrutava da visão intuitiva e beatífica de seu Pai celestial. Mas, como homem, não tinha ele também uma certa "imagem" espiritual d'Ele? Não uma imagem formal — o Deus de Israel sendo irrepresentável —, mas pelo menos uma impressão emocional ligada à palavra "pai"? Ora, se a palavra "pai" despertava nele, em sua humanidade como a nossa, um certo afeto humano, isso só poderia ter se originado da poderosa impressão causada em Jesus pela presença de São José.

Para Jesus, José precisava se assemelhar ao seu Pai celestial! 

Não é insignificante que Jesus tenha chamado José de "pai". Em Jesus reina um amor tríplice: um amor divino que Ele compartilha com o Pai e o Espírito Santo, uma caridade infundida em Sua alma pelo Espírito e, finalmente, um amor humano e afetuoso. Foi com esse amor tríplice que Jesus amou José. 

Contudo, ao chamar seu pai adotivo de "Pai", ele não podia separar esse nome daquele que usava para se dirigir ao Pai Celestial. As duas realidades que ele colocava por trás desse nome não podiam, para ele, ser completamente diferentes uma da outra. Caso contrário, Jesus teria usado duas palavras diferentes para se dirigir ao Pai Celestial e a José. Se não fosse esse o caso, seria porque José devia refletir algo do Pai Celestial de Jesus. Além disso, "na santíssima alma de Cristo reina a mais harmoniosa harmonia", diz Pio XII na encíclica Haurietis Aquas sobre o Sagrado Coração (n. 28): essa harmonia nos leva a crer que havia uma certa harmonia, uma semelhança, entre o amor que Jesus nutria por José e o amor que tinha pelo Pai. E para que esses dois amores se assemelhassem, era necessário que as duas pessoas a quem se referiam também se assemelhassem.

Assim, José de fato compartilhava algumas características com o Pai. Pois Jesus, olhando para seu pai adotivo com seus olhos e coração terrenos, mas também com sua caridade infundida e amor divino, reconheceu em José algo da visão divina que tinha de seu Pai celestial. Além disso, olhar para José, amá-lo e confiar nele fortaleceu na alma humana de Jesus o amor humano que ele nutria por seu Pai celestial.

José autenticou a glória da paternidade divina.

Aí reside a maior glória de São José: ter refletido em seu próprio ser algo da paternidade de Deus. Certamente, Jesus tem dois pais. Mas, como tudo nele é unificado, existe uma nítida semelhança entre os dois. Do contrário, ao chamá-lo de "pai", Jesus teria truncado o significado da palavra ao se dirigir a José dessa maneira. Certamente, José não é o pai biológico de Jesus, nem seu pai essencial. Contudo, ninguém entre os homens refletiu os atributos de Deus em sua paternidade divina para com Jesus e para com a humanidade melhor do que José.

Costuma-se dizer que um pai é oitenta quilos de amor silencioso. Isso explicaria o silêncio de José . Os Evangelhos, de fato, não registram nenhuma palavra sua. Contudo, o Pai Celestial não se cala: Ele nos criou, falou conosco e nos salvou por meio de Sua Palavra, que é Seu Filho. Da mesma forma, se José não disse nada, ele assegurou, ainda assim, a existência terrena da Palavra eterna: Jesus. Acima de tudo, José autenticou em sua própria pessoa, em seu próprio nível, para seu filho adotivo, a glória inerente ao nome "pai", particularmente quando aplicado a Deus.

Um mistério de grandeza num cenário de humildade.

Pois São José está intimamente ligado ao elogio de Jesus à generosidade inerente ao conceito de paternidade. Conviver com São José e observar sua vida certamente teria fortalecido a alma humana de Jesus no elevado ideal que ele nutria da generosidade da paternidade divina, tal como sempre a conheceu como Filho eterno. José refletia, à sua maneira, a bondade paterna divina adorada pelo Verbo encarnado — essa bondade divina que somos chamados a adorar, por nossa vez, seguindo Jesus. Essa verdade é ainda mais inegável, visto que São Paulo afirma que "toda família nos céus e na terra recebe o nome do Pai" ( Efésios 3:15 ). Isso sugere que podemos, à nossa maneira, participar, ainda que minimamente, da mesma glória que pertence a São José. 

Um destino verdadeiramente singular foi o deste humilde patriarca, descendente de Davi, mas desprovido de todo poder temporal, que refletia em sua pessoa, quase sem saber, tantas grandezas!

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