Será que esse vício está impedindo sua ALMA de
relaxar?
20/03/26
O Evangelho da Parábola do rico insensato, nos proporciona uma boa
reflexão para nossas vidas pessoais e para nossa nação.
“Cuidado
para não serem gananciosos, pois a vida de alguém não consiste em bens
materiais.” —Lucas 12:15
Uma pergunta que às vezes aparece em testes de
personalidade pede à pessoa que está sendo avaliada que nomeie um item que ela
levaria de casa em caso de incêndio. Ao longo dos anos, conheci pessoas que
mencionaram o computador, os extratos bancários, uma joia herdada da mãe ou da
avó, e até mesmo um terço. Faz sentido que, em uma situação de emergência,
busquemos algo querido ou valioso.
Em momentos de luto, dor ou insegurança, também
podemos nos apegar a um objeto — ou a uma pessoa. E aquilo a que escolhemos nos
agarrar, como Linus com seu cobertor na série Peanuts , diz muito sobre nós e sobre o que mais
valorizamos na vida.
A questão que esta liturgia nos coloca está diretamente relacionada
a como valorizamos nossos bens e onde depositamos nossa confiança: somos donos
de nossos bens ou nossos bens nos possuem? Afinal, na Primeira Leitura deste
domingo, ouvimos que “tudo é vaidade”, enquanto a Segunda Leitura nos exorta a
“mortificar” a “ganância que é idolatria”.
Agora, ao considerarmos as Sagradas Escrituras, sabemos que existem muitos textos que nos lembram que possuir bens materiais (incluindo riqueza) não é pecado. Pelo contrário, como os textos sapienciais do Antigo Testamento tão claramente nos mostram, é o que fazemos com nossos bens e riquezas que determina se somos vícios ou virtudes. De fato, o livro de Gênesis até mesmo destaca que Abraão foi muito favorecido por Deus porque tinha grandes rebanhos, uma família numerosa e muitos servos (ver Gênesis 13:2, 26:13-14).
O Evangelho, com a Parábola do “Rico
Insensato”, nos mostra um homem muito diferente de Abraão. O rico teve uma
colheita abundante, mas sua riqueza e prosperidade o levam ao isolamento,
ignorando o que deve a Deus e aos que o cercam. Ele é egocêntrico e seu mundo
se torna tão pequeno que inclui apenas a si mesmo e suas riquezas. Ele não
demonstra nenhuma preocupação com aqueles que possam depender dele ou com
aqueles que possam precisar desesperadamente de sua ajuda e apoio. Em vez
disso, ele se concentra unicamente em si mesmo e em seu próprio conforto: “O
que farei… Não tenho espaço… Farei… Derrubarei… Armazenarei… Direi a mim
mesmo…”. Seus planos são egocêntricos e sua riqueza se torna o foco de sua
vida, o que um comentarista chamou de “um deus exigente que consome todo o seu
tempo e energia”.
No fim, o homem rico confundiu bens terrenos com
uma vida boa, uma colheita abundante com um coração generoso e pleno. Seus bens
passaram a possuí-lo. E, por fim, ele é chamado a prestar contas de sua vida
pelo Deus que deseja que sejamos dependentes dele, que nos dediquemos à tarefa
de acumular “tesouros no céu” e a cuidar dos pobres, doentes e marginalizados.
Como observou o Professor John W. Martens, “O uso
correto de nossos bens, para nós mesmos e para os outros, indica que devemos
ter a orientação correta — ou seja, generosidade para com os outros e para com
Deus. Somente quando somos ricos para com Deus é que podemos dizer às nossas
almas: Relaxem, tudo está em ordem.”
Nestes dias, enquanto nós, nos Estados Unidos, já
começamos a concentrar grande parte de nossa energia nas eleições do próximo
ano — com suas linhas partidárias e plataformas — também estamos atentos à
violência e à agitação que continuam a minar as esperanças de paz e justiça. A
passagem do Evangelho deste domingo, porém, nos desafia a olhar além dos bens
materiais — e de nossa necessidade de controle e segurança — para concentrar
nossa atenção em viver uma vida enraizada em Deus e orientada para a edificação
do Seu Reino. Embora nossos bens certamente possam enriquecer nossas vidas e
nos trazer alegria, eles jamais garantirão nossa felicidade ou paz. Somente
Deus pode oferecer a nós, à nossa nação e ao nosso mundo o que mais
precisamos.
De
que forma o este Evangelho desafia o seu apego aos seus bens
materiais?
O
que essa passagem do Evangelho pode nos dizer ao participarmos de conversas
importantes sobre economia, segurança nacional e cuidado com os pobres?
Como
você expressa sua gratidão a Deus pelas graças e bênçãos que tão graciosamente
recebeu?
Palavras de Sabedoria: “É verdade que a vida de uma
pessoa não provém de suas posses ou da abundância delas. Aquele que é rico para
com Deus é muito bem-aventurado e tem uma esperança gloriosa. Quem é essa
pessoa? ... É aquela cuja mão está aberta às necessidades dos pobres,
consolando a tristeza dos que vivem na pobreza de acordo com seus recursos e
com o máximo de sua virtude.” — São Cirilo de Alexandria

Edição Inglês

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