Leão XIV apela à consciência dos cristãos envolvidos nas guerras.
13/03/25
"No confessionário, queridos
irmãos, contribuímos para a constante edificação da Igreja: una, santa,
católica e apostólica", declarou Leão XIV.
“Será que esses cristãos, que carregam uma grande
responsabilidade nos conflitos armados, têm a humildade e a coragem de fazer um
sério exame de consciência e se confessar?”, perguntou o Papa Leão XIV em 13 de
março de 2016, durante uma audiência concedida a confessores no Vaticano. Ele
enfatizou como o sacramento da confissão busca restaurar a “unidade interior”
dos indivíduos, o que, segundo ele, representa uma aspiração particular entre
as “novas gerações”.
Na manhã desta sexta-feira, o Papa recebeu os sacerdotes
que participam do curso de formação sobre o fórum interior – a interioridade
das pessoas, sua relação com Deus – organizado anualmente pela Penitenciaria
Apostólica para aqueles que administram o sacramento da reconciliação (ou
confissão) aos fiéis.
O Papa revisitou a história deste sacramento, que
faz parte da Igreja desde os seus primórdios e foi consolidado pelo Quarto
Concílio de Latrão em 1215. "Quem confessa os seus pecados e os condena já
está em comunhão com Deus. Deus condena os vossos pecados; e se vós também os
condenais, estais unidos a Deus", afirmou, citando Santo Agostinho para
enfatizar a importância da unidade na confissão.
Leão XIV insistiu que o sacramento da reconciliação
é um "laboratório de unidade", porque o perdão dos pecados e a
"graça santificante" que concede aos fiéis promovem a unidade da
Igreja, bem como a unidade interna e, num sentido mais amplo, a paz para a
"família humana". "Será que estes cristãos, que têm uma grande
responsabilidade nos conflitos armados, têm a humildade e a coragem de fazer um
sério exame de consciência e confessar-se?", questionou ele.
O Papa afirmou então que o pecado "não rompe a
unidade" entre Deus e o homem, mas sim a sua "unidade
espiritual" com o Criador. Isso equivale a "virar as costas" ao
Criador, enfatizou, declarando que "negar a possibilidade de que o pecado
realmente rompa a unidade com Deus é, na realidade, menosprezar a dignidade do
homem, que é — e permanece — livre e, portanto, responsável por seus
atos".
A tarefa “muito difícil” dos confessores, assegurou
Leão XIV aos sacerdotes presentes, consiste, portanto, em “reconstruir a
unidade das pessoas com Deus” através da confissão. “A vida de um sacerdote
pode florescer plenamente se ele celebrar este sacramento com diligência e
fidelidade”, insistiu, citando como exemplos numerosos santos confessores como
o francês São João Vianney, São Leopoldo Mandić, Padre Pio e o Beato Miguel
Sopoćko.
Unidade
O Papa enfatizou então que a unidade da Igreja
também depende da unidade das pessoas que fazem parte do "corpo
místico" de Cristo. "No confessionário, queridos irmãos e irmãs,
contribuímos para a constante edificação da Igreja: una, santa, católica e
apostólica", declarou ele.
Leão XIV também observou que as "novas gerações" buscavam especialmente essa "unidade interior". Diante das "promessas não cumpridas do consumismo desenfreado, da experiência frustrante de uma liberdade desconectada" e do "sentimento de incompletude", o sacramento do perdão, uma expressão da misericórdia divina, permite o surgimento "daquelas questões existenciais às quais somente Cristo responde plenamente".

Edição Espanhol

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