Quando tudo parecer em ruínas, recorde-se desta imagem extraordinária
26/02/26
“A
Cruz permanece em pé, enquanto o mundo dá voltas”
Na manhã de 16 de abril de 2019 o mundo amanheceu
ainda em choque diante das imagens devastadas e devastadoras da Catedral de
Nôtre-Dame de Paris, cujo incêndio sofrido entre a tarde e a noite de 15 de
abril surpreendeu milhões de católicos e não-católicos, que, perplexos,
assistiram ao vivo à grande destruição que se abateu sobre uma das mais
emblemáticas e queridas catedrais do planeta.
Nôtre-Dame está sendo restaurada e recuperará o seu
esplendor, como já ocorreu tantas vezes ao longo dos seus mais de 850 anos de
história – embora nunca vá recuperar, obviamente, a parte dos seus tesouros que
ali se desintegraram. Voltará a ficar de pé, mas não será mais a mesma.
Ocorre que estas duas frases, unidas literalmente
pela “adversidade”, também podem e devem ser ditas na ordem inversa: ela não
será mais a mesma, mas voltará a ficar de pé.
Neste mundo, a matéria se transforma e passa, mas o
espírito não morre.
Mesmo a Cruz passa, pois vem a Ressurreição. Ainda
assim, Ressurreição e Cruz estão de tal forma integradas e unidas que pode até
haver cruz sem ressurreição, mas não há Ressurreição sem Cruz.
É oportuno recordar este fato um ano depois – com a
humanidade agora imersa no desafio sem precedentes da Covid-19, uma tragédia
que também passará, mas não nos deixará iguais.
Bem o sabiam aqueles monges da Grande Cartuxa –
franceses, aliás – que apontaram, em meio às figuras deste mundo que passa, o
único ponto de referência que une a transitoriedade difusa à luminosa
eternidade:
Stat
Crux dum volvitur orbis.
“A
Cruz permanece em pé enquanto o mundo dá voltas”.
E foi isto o que se viu nesta imagem, impactante e
referencial, do meio dos escombros de Nôtre-Dame – que passarão.

Edição Portuguese


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